Jean Wyllys em Israel. Por que não na Palestina?

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O ex-BBB e deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) está em uma viagem pelo Oriente Médio, a convite de uma universidade. O deputado faz parte daquele que é talvez o único partido brasileiro com um deputado, Babá, que queimou a bandeira de Israel, num ato simbólico reconhecido por todos como uma negação do direito de judeus possuírem um Estado e, provavelmente, uma vida.

O ex-BBB Jean Wyllys, socialista e gay, poderia ser convidado por muitos países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes, Iêmen, Iraque, Síria ou Irã. Mas Wyllys foi convidado justamente por Israel, para uma palestra na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Israel é a única república livre do Oriente Médio, por ser o único país regido de maneira não apenas laica, mas sem a prescrição da shari’ah, a lei islâmica, que é tanto civil quanto religiosa. Graças a ela, os gays são punidos nesses países com penas que variam de ser atirados de prédios altos ou montanhas (como na Síria) até enforcamento. Tudo previsto no Corão.

Israel possui um código civil distinto da religião justamente por ser o lar da primeira religião no mundo que permitiu esta dicotomia. Ao contrário de nossa presunção moderna, o chamado “Estado laico” não é algo completamente apartado das religiões, como se fosse algo passível de surgir no seio de qualquer uma delas, desde que abandonada. Com efeito, ele surge de dentro de uma delas, tendo uma dificuldade enorme de surgir ou conviver com outras (pense-se no budismo e no islamismo como contra-exemplos).

Mas justamente Israel é criticado pela esquerda, ainda mais pela esquerda socialista. Há uma razão clara para isto.

Israel é uma das pedras basilares da fundação do que chamamos, hoje, de Ocidente, junto com a filosofia grega e o Direito romano. Esta cultura geral ocidental nasce da auto-crítica.

Israel, além de criar a História como perspectiva de vida (a disciplina do seu estudo temporal como modelo narrativo é grega) e a distinção entre símbolos cósmicos e símbolos sociais (algo desconhecido de nossos historiadores, e que se tornará ainda mais desconhecido em anos vindouros graças ao modelo de educação do PT), também criou uma cultura de culpa individual, em distinção à vergonha tribal (o que é incorporado no islamismo em seu código ético-civil-penal-cósmico unificado).

A isto se aliou, para a formação do Ocidente, a filosofia grega, que surge de um questionamento desta feita racional: o que são as coisas, qual a sua definição precisa? Qual a sua quintessência, como posteriormente arguirá a filosofia cristã? É o que Eric Voegelin chama de os dois grandes “saltos no ser”: o pneumático (do espírito) israelense e o noético (da razão definidora) grego.

Com isto, o Ocidente funda uma tradição de auto-crítica, que explica o seu rápido desenvolvimento em comparação a outras civilizações. Mesmo quando visualizamos “preconceitos” e concepções errôneas do passado ocidental, podemos questionar racionalmente por também termos uma tradição de auto-crítica, quase inexistente em quase todas as outras culturas.

Jean Wyllys, famoso pelas suas críticas ao que chama de “preconceituosos” e, via de regra, “fascistas”e “fanáticos religiosos”, pode fazê-lo justamente pela tradição e liberdade do Ocidente, nascido também em Israel.

O ex-BBB Wyllys, socialista, pode criticar as políticas que chama de “ultra-direita” do Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justamente pela liberdade que as políticas de Netanyahu garantem. Wyllys pode defender a Palestina numa Universidade de Israel justamente porque Israel permite essa defesa. O difícil é conseguir fazer, por exemplo, uma crítica ao enforcamento de gays numa Universidade do Irã, declarando-se homossexual na mesma toada.

É por isto que o Ocidente tradicional é defendido por esta tal “direita” que praticamente ninguém da esquerda, quando menos “revolucionária”, conhece. Porque no Ocidente, livros de Karl Marx podem ser vendidos livremente, dando lucro para os praticantes deste livre comércio. Enquanto isto, em países socialistas como a Cuba que Wyllys defende em Jerusalém, qualquer crítica ao regime é proibida, e para dificultá-la, até mesmo o acesso à livre distribuição de informação é proibida.

E o que dizer sobre a causa da homofobia ou do racismo, justamente nos países defendidos pela esquerda contra a “ocupação militar” de Israel? Será que seriam mais bem recebidas em países sunitas ou xiitas? Por qual inimigo de Israel?

É natural que tantas pessoas no Ocidente se encantem com algo como a “causa palestina”, que não vinga justamente graças ao terrorismo palestino. Justamente porque é Israel que permite tais críticas. É Israel que possui árabes palestinos até mesmo na Suprema Corte, enquanto o total de judeus na Palestina (nem se diga nos “governos” da Autoridade Palestina e do Hamas) é o mesmo de judeus no alto escalão nazista.

É o que torna quase engraçado ver o ex-BBB explicando a seus fãs-eleitores obviedades como “Nem todos os judeus são sionistas, nem todos os israelenses são judeus (tem, inclusive, árabes israelenses, muçulmanos israelenses, cristãos israelenses, etc.).”

Não houve explicação sobre a quantidade de judeus nos territórios da Palestina dominados pelo Hamas ou pela Autoridade Palestina (antes de falar do conflito Israel-Palestina, urge notar como estes dois se odeiam entre si). Wyllys também afirma: “Falei da tragédia do terrorismo e do fundamentalismo e de sua expressão no Brasil”, o que nos deixa com uma curiosidade mortal sobre o que falou sobre o terrorismo no Brasil, prática quase exclusivamente confinada à esquerda socialista representada por ele próprio.

Israel, com sua força militar, se fosse mesmo este monstro de tanques passando por cima de crianças que mata palestinos por puro prazer que a esquerda tenta pintar, poderia transformar a Palestina, a Jordânia, o Irã e talvez a Arábia Saudita em estacionamentos em questão de horas, se não estivesse tão preocupado em combater terroristas evitando baixas civis, torrando fortunas do pagador de impostos israelense por isso.

Infelizmente, criam uma abstração ilógica como o “multiculturalismo”, tentando tratar culturas como a shari’ah e a liberdade israelense como equivalentes. Em nome desta abstrção, são justamente ocidentais como Jean Wyllys, que nunca poderia fazer parte de uma parada gay em Gaza ou Rafa (que dirá Teerã ou Meca e Medina), que mais se encantam com a defesa de países muitas vezes totalitários (nenhum com eleições livres, a não ser Israel) de dentro da liberdade ocidental, garantida pelos eternos vilões das apostilas de História do MEC, Israel e o poderio militar americano.

Infelizmente, a quantidade de pessoas no Ocidente encantadas com “culturas exóticas” tratadas quase como um zoológico mostra que é extremamente improvável que Jean Wyllys perceba algo tão óbvio: que toda a liberdade que ele próprio usufrui é garantida única e exclusivamente pelos seus maiores inimigos: a cultura judaico-cristã e o capitalismo ocidental.

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