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dilma cai

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O governo Dilma Rousseff e, provavelmente, todo o apelo do PT de Lula, é medido numa contagem regressiva. A despeito de todo o rio de lágrimas da blogosfera governista, não são Temer e Cunha, mas o povo que quer o impeachment desde muito antes dos dois principais articuladores do governo acatarem o tema.

O maior problema é que toda a narrativa dos fatos ficou nas mãos da esquerda a mais radical, desde que o general Goubery do Couto e Silva criou a tática da “panela de pressão”, focando-se tão somente na luta armada, e deixando as Universidades atoladas de propaganda comunista (ao contrário do que se pensa, de Marx a Gramsci, tudo era estudado livremente nas faculdades durante toda a ditadura).

Hoje é comum o bordão “Eu estudei História!”, fazendo referência à história contada pela própria esquerda aboletada no MEC, e não ao estudo dos maiores historiadores do mundo e suas divergências terçando armas, como David Pryce-Jones, Orlando Figes, Anne Applebaum e Archie Brown (para ficar apenas entre os vivos) ou Modris Eksteins, Jacob Burckhardt,  Ernst Kantorowicz ou Eduard Meyer, para falar entre os maiores do mundo.

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É uma “História” umbigocêntrica e de auto-congratulação. A História, como se sabe, assim como a Justiça, é uma das raras palavras que perdem sua força quando ganham a institucional inicial maiúscula.

Para corrigir a futura ensinança das crianças, feita por petistas, socialistas e comunistas que se escudaram nos cursos improdutivos de História, Geografia, Letras, Sociologia e quejandos para se outorgarem “vítimas de um golpe”, nada melhor do que o livro de Guilherme Fiúza lançado pela editora Record, Que horas ela vai? – título que prescinde de explicações.

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Trata-se de um retrospecto do governo Dilma, da história mais contemporânea possível, pelas frases de seu autor em artigos variados. Um livro que pode ser lido rapidamente em uma hora, para dar boas risadas, lembrar de um sem número de personagens os mais estranhos (são tantas falcatruas que reler sobre personagens sob os holofotes há menos de um ano já soa como algo perdido na noite do tempo) e, sobretudo, se inspirar no grande frasista que é Fiúza.

A grande urgência é, naturalmente, contar a história como a história aconteceu, não como a História oficial do MEC, com uma boa dose de ironia sardônica de uma pena que se aquece nas frinchas mais obscuras de Brasília.

Dividido por tópicos em ordem alfabética, vemos a capacidade de Fiúza de espremer muito conteúdo em pouco espaço, como quando fala da Esquerda para a esquerda: “A elite golpista é essa que você sustenta, achando que está votando num livro de Saramago ou numa canção de Chico Buarque”.

Em duas linhas, Fiúza mostra o ridículo do apelo a figuras populares que aparentam dizer a Verdade Revelada em tudo o que palpitam (só porque a platéia é sempre concordante com platitudes), o abismo entre o palavrório discursivo e a prática, a contradição fundamental da esquerda em acreditar na “poética” do canto de sereias social sem saber que a sociedade afunda justamente pelo que ela defende, e não pela direita. Tudo numa frase.

Ou a mostra do que o pensamento anti-esquerda surgindo no país nada tem a ver com o que a esquerda e o PT tentam pintar dele: “Eduardo Cunha é o vilão do Brasil bonzinho porque quem rouba com estrela no peito é herói”. Alguma demonstração de amor por Cunha? Ou só mostra de que não temos bandido de estimação?

Há pérolas capazes de explicar o Brasil com um poder de síntese impressionante, como “Dilma vai propor a nova CPMF. Nunca um governo trabalhou tão bem para ser enxotado (e nunca foi tão incompreendido)”. Precisa de mais?

dilma-pedala-lava-jatoA arte de criar frases (ainda que estas tenham sido retiradas de artigos), a arte da tirada, o famoso wit inglês, que pode não produzir um longo argumento concatenado, mas o presume, e deixa o ouvinte do outro lado desconcertado por ter sido retirado do “esperado” é dominada por Fiúza com uma maestria invejável.

Algo urgente nos dias de 140 caracteres de hoje: a história está sendo contada por professores de discurso cada vez mais reduzido (impeachment é golpe, e o Cunha, defensores da ditadura, democraticamente eleita, elite fascista) e que precisa de um contraponto inteligente e provocador.

Instigar pensamentos é o que Guilherme Fiúza domina: e o faz no afã de contar a história de maneira clara, escancarando a verdade com todas as cores e sem meias palavras que o choque produz uma graça que nenhum esquerdista agüenta.

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Nos estertores finais do governo Dilma, e aproveitando que logo o presidente muda, nada melhor do que rever estes anos com algum motivo de graça nos olhos, mas, sobretudo, com uma sensação de dever que o curto livro induz a cada página: o de contar a história direito, e de saber usar o que a esquerda menos permite: o deboche, a ironia, rir de políticos ao invés de levar corruptos e totalitários a sério e como líderes.

A leitura para a semana de Que horas ela vai? de Guilherme Fiúza é quase um exercício cívico.

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