Polêmicas à parte, a importância de se manter a tradição. E nenhuma pode ser maior do que a uva passa. E algumas canções de natal.

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Como vocês sabem, o Senso Incomum não tem medo de temas espinhosos. Por isso hoje não nos furtaremos de falar de algo bem mais polêmico que Donald Trump, guerra na Síria ou mesmo mamilos: falaremos de uva passa.

A problemática da famigerada fruta é algo que deve ir além de gostos pessoais, precisamos analisá-la como elemento histórico-alimentar. Além disso, é importante abordarmos o problema agora, quando milhares de pessoas estão indo ao mercado para fazer compras da ceia de natal, podendo assim mudar os rumos da sociedade judaico-cristã enquanto ainda há tempo.

Antes de tudo, em prol da transparência e do rigor científico, devo dizer que não gosto de passas nem de frutas cristalizadas. Tenha isso em mente para que meu viés não atrapalhe o julgamento do amigo leitor. Vamos aos fatos.

Ceia de Natal

Não há como analisar a uva passa sem antes observarmos a uva fresca, in natura. O fruto, doce e suculento, é uma das coisas mais nobres que Deus nos deu. Basta ver que ele é um dos ícones nas imagens dos imperadores. Quem nunca viu a cena de Nero colocando o cacho suavemente em sua boca enquanto era abanado por eunucos?

'I've always actually hated grapes, but you know, image is everything.'

‘I’ve always actually hated grapes, but you know, image is everything.’

Mas, como tudo o que é sublime neste vale de lágrimas que é a experiência humana, a dicotomia divino/demoníaco também está presente na fruta. A mesma fruta que nos dá o vinho, que representa nada menos que o sangue de cristo, a divindade em si, nos lega a uva passa, versão malígna da uva fresca. E não porque seja algo com um gosto  tão ruim como um óleo de rícino, por exemplo. O que há de realmente perverso na uva passa é que ela não é ruim o suficiente para que você não coma a comida. Então você acaba tendo a experiência mesmo a contragosto porque, afinal, não é pra tanto.

Nesses momentos, rodeado de entes queridos, muitas vezes ansioso pelo autorama que estava prestes a ganhar por ter sido um bom menino, sempre me vinha a seguinte pergunta: por que o ser humano pega algo que é delicioso, guarda, espera um puta tempo para que se transforme em algo medíocre, que estraga este momento tão mágico? Deve haver algum motivo para a existência de uma tradição que faz com que comidas sublimes se transformem em alimentos apenas passáveis.

Arroz à grega, chocotone

Há algum tempo eu era um dos que reclamava do fruto no natal. Além de ser um motivo para o tiozão do pavê fazer a mesma piada: “Tudo passa, meu filho. Até a uva passa”, eu não conseguia, na minha imaturidade, perceber o seu real sentido. Mas há. Nós que nascemos no final da década de 70, começo de 80, fomos a última geração criada à base de merthiolate com aquele elemento fortalecedor de caráter: a ardência (copyright pro nosso editor, Flavio Morgenstern). Não havia cadeirinhas de carro, portinholas nas cozinhas, travas de proteção, piscinas aquecidas e nem CHOCOTONE. O chocotone, assim como o marxismo cultural e a falta de testosterona, também está nos tornando mais fracos. Se você não é homem o suficiente para aguentar frutas cristalizadas uma vez por ano, como estará preparado para a guerra quando precisarmos de você?

Keep calm and be a man

Portanto, neste Natal, venho a público para dizer que, apesar das diferenças, aceito a uva passa como elemento civilizatório e fundamental para a sobrevivência do ocidente contra a jihad. Então tasca uva passa em tudo e FELIZ NATAL. O Ocidente agradece.


Como estou aqui pra falar de música, não poderia deixar de finalizar o ano sem tocar no assunto. Vou colocar aqui alguns álbuns que eu gosto muito para servirem de trilha sonora para a ceia da sua família. Tem pra todos os gostos. Como eu não sei a melhor plataforma de cada um aqui, colocarei apenas um link e vocês procuram nas suas favoritas: Youtube, Spotify, Deezer, etc… Lá vai:

Para os Tradicionais:

Christmas Concerto de Arcangelo Corelli. Para mim a gravação de Herbert von Karajan é a melhor. Talvez porque seja a que eu ouvi durante muitos natais.

Christmas Goes Barroque II. Arranjos barrocos pra músicas de natal modernas. Muito legal.

Para os old school:

Frank Sinatra – “Christmas Songs”:

Perfect Christmas, A Nostalgic Celebration – 1920s, 30s, 40s Festive Vintage Tunes:

Para os cool:

Vince Guaraldi – A Charlie Brown Christmas:

Michael Bublé – Christmas:

Para os que gostam de um natal mais animado:

Vários Artistas – A Christmas Gift For You From Phill Spector:

The Beach Boys – The Beach Boys Christmas Album:

Jackson 5 – Christmas Album:

Elvis Presley – Elvis Christmas Album:

Para os moderninhos:

Sufjan Stevens – Songs for Christmas Vol I, II, III e IV:

Para quem tem saudade dos velhos natais:

Luiz Bordón – A Harpa e a Cristandade:

Para quem não liga pra jabá, o álbum que eu produzi na Panela Produtora. Se tiverem curiosidade, sou eu mesmo que canto na música “Você Me Deu Um Beijo Na Noite de Natal”:

E se você ainda não cansou:

Simone – 25 de Dezembro:

Acabo de perceber que essa lista já está enorme e ainda tem muita coisa. Guardemos para o ano que vem.

Que este natal seja feliz e cheio de paz. E que venha 2017.

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