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Comentamos os principais pontos do discurso de posse de Donald Trump, detalhando o que significa para a América e o mundo.

O Financial Times fez uma transcrição comentada do discurso de posse de Donald Trump, agora oficialmente presidente americano. Nosso colunista, Filipe Martins, que acertou 46 estados nas previsões de sua vitória, contrariando a mídia, transcreveu e traduziu o discurso de Trump, que comentamos em negrito:

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Presidente da Suprema Corte, Juiz Roberts; Presidente Carter; Presidente Clinton; Presidente Bush; Presidente Obama; meus concidadãos dos Estados Unidos da América; e cidadãos de todo o mundo; muito obrigado.

Nós, o povo americano, estamos nos unindo hoje em um esforço para reconstruir o nosso país e restaurar a esperança para todos os americanos. Juntos, iremos determinar os rumos da América e influenciar a direção do mundo por muitos e muitos anos. Não tenham dúvidas de que teremos de enfrentar desafios e que momentos difíceis virão, mas nós faremos o que tem de ser feito e alcançaremos êxito.

[Até mesmo a revista britânica Spectator, conservadora, reclamou que Donald Trump costuma usar muito mais “eu” do que “nós”. O presidente empossado seguiu o protocolo, praticamente citando o famoso preâmbulo da Constituição americana.]

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De quatro em quatro anos, nos reunimos nestas escadas para realizar uma transferência pacífica e ordeira do poder e, hoje, somos gratos ao Preside Obama e à sua esposa, Michelle Obama, pela ajuda que nos ofereceram durante a transição. Muito obrigado!

A cerimônia de hoje, entretanto, tem um significado muito especial, porque hoje não estamos assistindo apenas a transferência de poder de um presidente para outro; estamos assistindo a transferência de poder de Washington para vocês, o povo americano.

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[A frase gerou imediatamente um meme, já que o seu fim é idêntico a uma frase do vilão Bane, de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Bane, na verdade, quer dar as coisas dos ricos para os pobres, e sua retórica é uma referência clara ao movimento Occupy Wall Street. Trump fala em devolver o poder ao povo. Para o Financial Times, isso demonstraria o seu “populismo”, palavra que se tornou extremamente… populista no jornalismo.]

Por muito tempo, um pequeno grupo encastelado na capital do nosso país vem desfrutando das benesses do poder, colocando as despesas e os custos sobre as costas cansadas do povo americano. Washington tem prosperado, mas o povo americano não desfruta dessa prosperidade. A classe política enriqueceu, mas os empregos deixaram nosso país e nossas indústrias faliram e fecharam. O establishment sempre fez de tudo para se proteger ao mesmo tempo que deixava o povo americano desprotegido e sem segurança. As vitórias do establishment não são as nossas. Os triunfos do establishment não são os nossos. Enquanto eles celebravam na capital do nosso belo país, no restante do nosso vasto território as famílias americanas não viam motivos para celebrar.

[O Financial Times reclama que, aqui, Trump começa a “dividir” o país, retórica já pré-programada (visto que é parte do discurso do Partido Democrata, incluindo Obama e Hillary) que foi seguida pelo jornalismo da Globo News. Trump, na verdade, delimita o que lhe permitiu ganhar as eleições, justamente sendo um outsider do establishment político: os políticos não representam mais o povo, tal como a mídia não tem mais nenhuma ligação com as pessoas que tenta doutrinar. Se o país está dividido entre políticos e povo, definitivamente é um erro ficar do lado dos políticos.]

Isso tudo começa a mudar hoje. Isso tudo começa a mudar agora. Isso tudo começa a mudar aqui, porque este não é o meu momento, este é o momento de vocês; este momento pertence a todos vocês, quer vocês tenham votado em mim ou não. Este momento pertence a todos os que estão reunidos aqui hoje, a todos os que estão assistindo ao redor do nosso país e a todos os que não estão assistindo também. Este dia é de vocês. Esta celebração é de vocês. E estes Estados Unidos da América não pertencem mais a uma pequena elite, eles pertencem a vocês.

[Para o Financial Times, falar em “mudar hoje” indicaria imediatismo, como se alguém que ouça isso realmente vá esperar as mudanças até as 23:59 de hoje, senão considerará Donald Trump um mentiroso. A mídia se tornou estranhamente literalista com o novo presidente.

Novamente, Trump ataca a pequena elite dos burocratas de Washington, preferindo o apoio do povo do que dos ricos mancomunados. O povo americano consegue se identificar mais com um “magnata” bilionário como Trump do que com pessoas não tão ricas, mas envolvidas apenas em suas preocupações de ricos, como todo o Partido Democrata e a mídia.]

O que realmente importa não é qual partido controla nosso governo, mas se o governo é controlado pelo povo. O dia 20 de janeiro de 2017 entrará para a história como o dia em que o povo retornou ao poder da nossa grande nação, como o dia em que o povo retomou o controle sobre o governo, que antes estendia os seus tentáculos para controlá-los.

[Com Barack Obama e Hillary Clinton ao seu lado, tais palavras soltam faíscas. Trump não os ataca diretamente, mas deixa claro que o povo votou nele desejando o resgante de uma América que Obama destruiu.]

Os homens e mulheres esquecidos do nosso país não mais serão esquecidos ou deixados de lado. Hoje, neste momento, a sua voz está sendo ouvido por todo o mundo. Vocês se uniram a mim e juntos reunimos dezenas de milhões de pessoas para formar um movimento histórico e sem precedentes. No centro deste movimento está a convicção inegociável de que a existência de uma nação só é justificada na medida que essa nação serve aos interesses de seus cidadãos.

Os americanos querem a liberdade para escolher as melhores escolas para os seus filhos, a garantia de que viverão em vizinhanças seguras para as suas famílias, e a oportunidade de conquistarem grandes empregos para si próprios. Estas são demandas justas e razoáveis feitas por um povo justo e correto.

[Trump ataca frontalmente a esquerda com sua ânsia por controle estatal. O Obamacare, ainda mais controlador do que o SUS, que foi o principal programa de Barack Obama, aqui é desmantelado, já que sofre críticas por todo o país.]

Mas, para muitos americanos, essas demandas estão longe de serem atendidas. Há incontáveis mães sofrendo com a pobreza de seus filhos em nossas cidades; milhares de fábricas abandonadas e enferrujadas em todo o paós nos lembram do triste estado da nossa economia; nosso sistema educacional, no qual despejamos bilhões de dólares, é incapaz de oferecer o conhecimento e a formação que nossos jovens buscam; e a criminalidade e o banditismo das gangues e do narcotráfico roubam de nós muitas vidas preciosas, deixando nosso país com uma quantidade imensurável de potencial desperdiçados e sonhos perdidos.

[Donald Trump, com linguagem simples, clara e concreta, esclarece os problemas que o levaram à Casa Branca. Fica difícil atacá-lo através de abstrações de contornos porosos como “machismo” ou “xenofobia” quando é o primeiro presidente em décadas a saber descrever o problema real dos americanos, sem palavras abstratas chiques.]

A matança de americanos acaba hoje mesmo. Nós somos uma nação. Nós somos indivisível. Nós somos como um corpo. As dores de cada família que perde um ente querido é também a nossa dor. Os sonhos de cada americano são também os nossos sonhos. Do mesmo modo, o sucesso deles será o nosso sucesso. Nós todos dividimos um só coração, um só lar e agora dividiremos o mesmo futuro glorioso e próspero. O juramento que fiz hoje é um juramento de absoluta lealdade ao povo americano.

[Seria impossível ouvir tais palavras sobre terrorismo e famílias americanas de Barack Obama ou Hillary Clinton, que dirá Bernie Sanders.]

Por muitas décadas, nós enriquecemos indústrias estrangeiras enquanto sacrificávamos indústrias americanas; subsidiamos as forças armadas de outros países enquanto assistíamos ao declínio da nossa potência militar; defendemos as fronteiras de outras nações com as nossas próprias vidas enquanto ignorávamos as nossas próprias fronteiras. Por muito tempo, gastamos trilhões e trilhões de dólares no exterior, investindo na reconstrução de incontáveis países, enquanto assistíamos à nossa infra-estrutura se deteriorar e se tornar decadente. Por muito tempo, nos sacrificamos para tornar outros países ricos e prósperos, enquanto víamos a prosperidade, a força e a confiança do nosso país ser dissipada.

[Nem mesmo o Financial Times teve coragem de comentar o ponto mais obviamente polêmico do discurso. A frase foi muito bem construída para explicar por que Trump defende fronteiras.]

Uma a uma, milhares de fábricas foram fechadas e transferidas para países que não respeitam o nosso país, revelando um desdém sem igual pelos milhões e milhões de trabalhadores americanos que eram deixados para trás. A riqueza de nossa classe média é tirada por meio de impostos e depois é distribuída ao redor do mundo, e nem mesmo os seus empregos são respeitados. Mas tudo isso agora será enterrado no passado.

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A partir de hoje, olharemos para o futuro com a certeza de que seremos tão grandes quanto já fomos em nossos melhores dias. Todos nós que estamos reunidos aqui hoje estamos anunciando um decreto que será ouvido em toda cidade e em todas as capitais ao redor do mundo; em todos os salões e em todos os corredores do poder. De hoje em diante, uma nova visão guiará as ações da nossa nação.

De hoje em diante, nosso lema será “América Primeiro”. Toda e qualquer decisão, toda e qualquer proposta, toda e qualquer política pública, seja no âmbito comercial, no âmbito tributário, no âmbito da política externa ou da imigração, tudo o que fizermos será feito com o trabalhador americano e suas família em nossa mente; será feito para beneficiá-los. Nós protegeremos nossa nação e nossa fronteira de outros países que não respeitam o nosso país, que roubam a propriedade intelectual dos nossos produtos e tramam para roubar nossas empresas e destruir nossos empregos. A proteção das nossas fronteiras e da nossa soberania nos colocará no caminho da prosperidade e fará da nossa nação uma nação forte e poderosa. Eu lutarei por isso e lutarei pelo interesse americano com toda a força, até o último fôlego do meu corpo e farei de tudo para nunca decepcioná-los.

[Todo crítico de Trump confunde “globalização”, o livre comércio mundial, com “globalismo”, a destruição das fronteiras para concentrar o poder em mecanismos transnacionais cada vez maiores. O comércio enriquece ambos os lados. A concentração de poder apenas enriquece quem está no poder. Mesmo sem conseguir colocar em palavras tais conceitos, o povo americano percebe seus efeitos no dia a dia.]

A América voltará a ganhar e nós ganharemos como nunca antes em nossa história. Nós iremos restaurar as nossas fronteiras. Nós iremos restaurar nossos empregos. Nós iremos restaurar nossa prosperidade. Nós restauraremos os nossos sonhos e as nossas esperanças. Nós teremos novas rodovias, novas ferrovias, novas pontes, novos túneis, novos aeroportos, novas estruturas portuárias e veremos nosso país se reerguer. O assistencialismo dos programas sociais darão lugar aos empregos e ao trabalho duro e nosso país será reconstruído por mãos americanos e pelo trabalho americano. Nós seguiremos duas regras simples: compraremos dos Estados Unidos da América e contrataremos americanos.

[A referência a Ronald Reagan aqui é óbvia: o melhor programa social é um emprego. A cultura americana, bem ao contrário da brasileira, costuma sentir vergonha de precisar de assistencialismo. O orgulho é quando o assistencialismo diminui, não quando aumenta.]

Evidentemente, buscaremos a amizade e as boas relações com as nações de todo o mundo, mas faremos isso com a consciência e a convicção de que toda nação tem o direito de colocar seus próprios interesses no topo de suas prioridades. Não desejamos impor nosso estilo de vida a ninguém, mas o exibiremos como um exemplo brilhante a ser seguido e imitado por todos os que buscam a prosperidade, a segurança, a estabilidade e a felicidade. Nós iremos na frente com um brilho radiante que todos poderão seguir. Nós reforçaremos nossas antigas alianças e buscaremos novos aliados, unindo o mundo civilizado para erradicar o terrorismo islâmico da face da Terra.

[Donald Trump chama os terroristas abertamente pelo que são: islâmicos. A frase sozinha é a mais corajosa já vista na boca de um político desde pelo menos Ronald Reagan. Sua busca por alianças mira claramente em dois países: a Inglaterra pós-Brexit e o maior aliado americano no Oriente Médio, Israel, relegado durante a gestão Obama. Há também um ataque ao intervencionismo neoconservador de George Bush pai e filho.]

A pedra angular, o alicerce, das nossas políticas será o comprometimento patriótico com os Estados Unidos da América e, através de nossa lealdade com o nosso país, redescobriremos nossa lealdade uns com os outros. Quando nossos corações se abrem ao patriotismo, não sobre espaço para os preconceitos, pois lembramos que, antes de mais nada, somos todos americanos.

A Bíblia nos revela o quão bom e agradável é quando os filhos de Deus vivem em união. Portanto, devemos dizer o quer quisermos; expressar nossos pensamentos sem temor; debater nossas divergências de forma honesta; mas sempre buscar a solidariedade e a união. Quando a América está unida, a América é invencível.

[A referência bíblica demonstra a evolução de pensamento de Donald Trump nos últimos anos, quando começou a cogitar a presidência. A coragem para citá-la sem medo do politicamente correto de Obama e Hillary, cuja única religião que defendem sem meias palavras é o islamismo, é outro ponto de choque do discurso.]

Não há motivos para temor. Estamos protegidos e sempre estaremos protegidos. Seremos protegidos pelos heróis e heroínas das nossas Forças Armadas e pelos agentes de segurança do nosso país; e, acima de tudo, seremos protegidos por Deus.

[A passagem lembra o discurso “Não tenhais medo”, do papa Santo João Paulo II.]

Por fim, temos de voltar a pensar grande e a sonhar grande. Na América, nós sempre entendemos que uma nação só permanece viva enquanto ela batalha para ir mais longe, para realizar mais do que realizou no passado, para se tornar cada vez mais próspera…

Tenham certeza de uma coisa: nós não iremos falhar; nosso país irá progredir e prosperar. Não mais aceitaremos políticos que só sabem falar e que jamais colocam a mão na massa. A era dos discursos vazios chegou ao fim. É chegada a era da ação; a era de quem se preocupa menos com discursos e mais com resultados. Não deixem que ninguém os convença de que tudo isso é impossível. Não há desafio que possa vencer a luta, o coração e o espírito do povo americano. Vocês serão os protagonistas dessa nova era e vocês não irão falhar. Nosso país irá progredir e prosperar novamente.

[Apesar de razoavelmente imperceptível ao Brasil, o papel geopolítico da América como líder do mundo ocidental livre evaporou-se na gestão Obama. Trump conclama os americanos a retomarem o trabalho, mas com a certeza de que serão recompensados por isso – e não pela politica de Washington e seu favoritismo. A crítica a palavras vazias sem ação, com Obama a seu lado, não poderia ser mais forte.]

Este novo milênio está apenas começando, pronto para desvendar os mistérios do universo; para reduzir a miséria e o sofrimento causado por doenças; e trazer à existência as invenções e as tecnologias do futuro. Há muito a se fazer e muito a se conquistar e o espírito empreendedor do americano não pode ser igualado por nenhum outro. Nós lideraremos na ciência, na tecnologia e na inovação. Uma nova era de orgulho, que se inicia hoje, renovará os nossos ânimos, levantará nossas cabeças e acabará com as nossas divisões.

[Donald Trump acerta ao mostrar que há coisas maiores do que os discursos que “dividem o país” hoje.]

É hora de lembrarmos uma lição que nossos soldados e policiais jamais esquecerão: quer sejamos negros, brancos ou mestiços, todos derramamos o mesmo sangue vermelho dos patriotas; todos gozamos das mesmas liberdades gloriosas que foram conquistadas com esse sangue e todos honramos nossa grande bandeira.

[A resposta aos críticos aqui é explícita: a defesa da liberdade, palavra sumida durante a gestão Obama; a defesa das profissões de segurança; a resposta às acusações de racismo e a defesa da bandeira, que Democratas tentam permitir ser queimada por lei.]

Quer tenham nascido em meio à expansão urbana de Detroit ou nas planícies de Nebraska, nossas crianças olham para o mesmo céu, alimentam seus corações com os mesmos sonhos e receberam o fôlego da vida do mesmo Criador. Portanto, peço aos americanos de todas as cidades — próximas ou distantes, grandes ou pequenas, de fronteira a fronteira, de oceano a oceano — que ouçam essas palavras: vocês jamais serão ignorados novamente; sua voz, sua esperança e seus sonhos definirão o destino da América; e sua coragem e seu amor guiarão todos nós em nossos desafios e escolhas.

[Homem de negócios, Trump deixa em palavras claras que a grandeza americana inclui ter para si as conseqüências do próprio trabalho e das próprias escolhas, e não o modelo de politicagem estatal típico do Brasil e países atrasados. Há uma tradução do princípio e pluribus unum, mote americano.]

Juntos faremos com que a América seja forte de novo. Juntos faremos com que a América seja próspera de novo. Juntos faremos com que a América seja segura de novo. E, sim, juntos faremos com que a América seja grande de novo.

Muito obrigado a todos. Que Deus abençoe vocês. Que Deus abençoe a todos nós. E que Deus abençoe a América!

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  • Índio Valdemar

    Eis um discurso que distribuiu bordoadas a torto e a direito em que merecia. Obama e a esquerda em geral tiveram de segurar a convulsão de ódio…

  • Ahyr Maya Filho

    Caro Flávio, excelente artigo. A propósito, quando voltam os podcasts?

  • Emerson Luís

    Se o discurso do Temer já humilhou a Dilma, o que dizer do discurso de Trump? Não falo apenas da forma, mas principalmente do conteúdo. Como os brasileiros puderam se empolgar com a mesquinharia dela?

  • Márcio Leite

    Foi um discurso simples e direto, dando nome aos bois. Os Estados Unidos forte sempre é um bom negócio, para eles e para o mundo. É tão difícil de entender isso?

  • Thallys Alexandre

    Muito bom, valeu Felipe!

  • Fabio MS

    Foi empolgante. Falta-nos, a nós, brasileiros, um Trump. Alguém que diga o que deva ser dito, sem enfeites, sem eufemismos, sem bundamolice.

  • Marcio Reaken

    Imaginando a turminha do cu laico tendo convulsões com as citações a Deus 🙂

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