Londres, Orlando, Paris, Nova York, Munique, Bruxelas. A mídia noticia atentados terroristas islâmicos idênticos sempre omitindo uma palavra.

Em Londres, próximo ao Parlamento britânico, na Westminster Bridge, um atentado terrorista foi realizado, deixando 3 mortos. Um carro passou em alta velocidade, deixando um rastro de atropelamentos, batidas e destruição. Uma das vítimas é um policial militar, morto a facadas. Mais de 20 estão feridas, várias em estado grave. Um médico que atende as vítimas em um dos hospitais da região descreveu os ferimentos de algumas vítimas como “catastróficos”.

Entre os mortos, além de uma mulher e um policial que foi atingido a facadas pelo terrorista que saiu do carro, após bater nas grades do Parlamento, está o próprio terrorista, que foi abatido a tiros pela Scotland Yard. Algumas testemunhas sugerem que possa haver um outro terrorista.

O atentado terrorista ocorre exatamente um ano após o ataque terrorista islâmico no aeroporto de Bruxelas, que deixou 32 mortos. Até o momento, a Scotland Yard e a mídia declara tão somente que o atentado é um mero “incidente” até que se saiba mais.

A descrição do ato lembra com mórbida semelhança os parágrafos iniciais do livro Herege, de Ayaan Hirsi Ali, a escritora somali que renegou o islamismo por perceber que é uma mentalidade que não pode ser chamada de “religião da paz”. Ela cria um texto a ser livremente preenchido:

Em ________, um grupo de __________ fortemente armados e vestidos de preto entrou em um _________ em ________ e matou a tiros ________ pessoas. Os atacantes foram filmados gritando “Allahu akbar!”.

Em entrevista coletiva à imprensa, o presidente ________ disse: “Condenamos este ato criminoso de extremistas. E sua tentativa de justificar seus atos violentos em nome de uma religião pacífica não terá êxito. Condenamos igualmente aqueles que queiram usar essa atrocidade como pretexto para crimes de ódio islamofóbicos.”

Sem surpresa, a forma como a grande e velha mídia descreveu o atentado, incluindo as próprias informações da excelente polícia inglesa, é quase um preenchimento das lacunas do texto copie-e-cole sugerido por Ayaan Hirsi Ali.

Basta procurar no Google por “London incident” para reparar como o bizarro termo usado pela polícia apenas para declarar que ainda não tinha confirmado a identidade do terrorista foi replicado por toda publicação ao redor do mundo.

Incidente, afinal, é um acidente de somenos importância, como um incidente que deixe um jogador de futebol de fora de um grande clássico. Ninguém fala de uma gravidez por incidente ou de um incidente de motocicleta que gere amputação. Mas um atentado terrorista no maior cartão postal de Londres, diante do Parlamento, com 4 mortos e dezenas de feridos, é tratado como “incidente” e todo o jornalismo repete bovinamente.

Mesmo após serem reveladas imagens do terrorista morto, referências sobre sua possível religião, até o presente momento, permanecem nulas. Não há referência à religião do “atacante”, na nova eufemística tradução para attacker pretendida pelo O Globo.

O Daily Mail, segundo maior jornal do Reino Unido com uma tiragem diária de quase 1,5 milhão de exemplares, anunciou que o terrorista era um “asiático”.

Ainda se fala em um “incidente” com um “atacante” cujas motivações ainda não são conhecidas. No texto da BBC em português sobre o atentado, a palavra “incidente” ocorre 4 vezes. A palavra “terrorista”, apenas num muxoxo entre aspas como citação.

O recado dificilmente poderia ser mais claro. Mesmo sem confirmar quem seja o terrorista, não é difícil saber que o atentado tem o formato, o estilo, a metodologia, o modelo e quase a trademark de um atentado terrorista islâmico. Pelas fotos do terrorista, é razoavelmente difícil crer, como a grande e velha mídia repete aporrinhavelmente, que possa ser um extremista de direita, um supremacista branco ou qualquer coisa do tipo, antes de se possuir informações.

Antes que a Associated Press “confirme” um fato, órgãos da grande e velha mídia, que não possuem capacidade investigativa própria, sobretudo internacional, não permitem aos seus jornalistas fazerem suposições, mesmo que sejam óbvias. Enquanto a Associated Press não afirmar que o nome do terrorista é tal, que matou por conta de X, que sua religião é aquela de sempre, dificilmente um veículo de imprensa dirá a coisa mais óbvia do mundo, sobretudo “o ataque terrorista foi feito por um muçulmano, pois a religião muçulmana preconiza a dominação de terras estrangeiras pela jihad, e salafistas do século XXI praticam jihad através de atentados terroristas”.

Há alguma razão para a prudência de não tirar conclusões antes de fatos apurados, ainda mais envolvendo crimes e mortes. Mas, em um mundo cuja fonte de informação deixou de ser monopolizada pela grande e velha mídia, há excessivas lacunas nessa narrativa que, outrora, já foi unificada, embora não instantânea.

Hoje, que qualquer um pode ter acesso à foto do terrorista mesmo que a mídia não queira mostrar, a desculpa do discurso unificado pela Associated Press perde completamente o efeito. Serve, se muito, para disfarçar covardia através do nome da prudência. Seria algo que, forçando bastante a inocência, poderia ser desculpável e entendível. Mas onde está esta prudência quando se levanta suspeitas contra fantasmas como a “extrema-direita”, os “nacionalistas”, os “supremacistas brancos” e afins?

Por que, quando um descendente de iranianos abriu fogo contra inocentes em Munique, gritando que era “alemão”, imediatamente a imprensa tratou o caso como o de um “supremacista branco de direita” e nunca mais se ouviu um pio sobre o assunto?

Vê-se, afinal, que é apenas uma agenda. Quando jornalistas iam a campo e a informação era refletida e só entregue no dia seguinte, jornais divergiam entre si. Hoje, a “imprensa livre” da grande e velha mídia é apenas formas de repetir o que diz a Associated Press. Basta investigar quem são os financiadores e acionistas da Associated Press, bancada por negacionistas do Holocausto e financiadores de terrorismo, para a mágica se desfazer.

Ou esperar até o próximo atentado terrorista islâmico, para jurar que não podemos afirmar nada sobre a religião do “atacante”, mas certamente podemos falar que ele é um branco, caso possamos forçar assim a narrativa.

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