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protesto escola pública

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Estado de Bem-Estar Social. De todo o vocabulário político, esta expressão parece a mais inatacável. Um Estado feito para garantir o bem-estar social das pessoas.

Aos ouvidos pouco estudiosos (e quantos por cento das pessoas dando palpites na internet estudaram a fundo pensadores que lidaram com todas as conseqüências imprevistas do tema, de Böhm-Bawerk a David Harsanyi?), nada melhor do que um Estado que dê coisas a quem precisa, tornando a auto-declaração de necessidade a única etapa entre o querer e o poder.

De fato, crê-se que apenas num Estado de Bem-Estar Social podemos, naturalmente, ter bem-estar social.

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Esta típica confusão de quem conhece pouco os meandros da lingüística, da diferença entre nome e coisa, entre nome fantasia e razão social, entre propaganda e produto, entre descrição e realidade, é exatamente o que joga o Brasil em crise. Tenta-se extrair o significado das palavras de seu próprio significante. Tente aplicar a técnica ao pagodeiro Belo e entenderá rapidamente o problema. Pode fazer agora com “Estado de Bem-Estar Social”.

folha crise santander 2Nesta semana, a Folha de S. Paulo estampou a manchete “Economistas não previram desastre de 2015”. É costume usar a manipulação jornalística ao se falar de um “especialista”, geralmente alguém com uma agenda idêntica ao que o jornal quer vender como verdade, mesmo ignorando-se qualquer “especialidade” do sujeito além de sua militância ou concordância. Mas no plural o caldo engrossa: “economistas” dá a entender que se falou de todos os economistas da Via Láctea. Na verdade, trata-se apenas dos especialistas que fazem os jornalistas da Folha acreditarem no que acreditam.

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Economistas, vários deles, sabiam do desastre há muito. E por várias frentes: fosse o intervencionismo do governo na economia, fosse o rombo do BNDES (provavelmente muito maior até do que o petrolão), fosse o câmbio apreciado (o “veneno lento”, que jogaria a conta para depois do governo Lula, como afirmou a última edição da revista Primeira Leitura, ainda em 2006), fosse o modelo falido de Estado Leviatã associado ao aparelhamento e ao sindicalismo, fosse até mesmo a corrupção – sempre secando as fontes nacionais, mas atingindo cifras nas dezenas de bilhões por escândalo na era petista (vide o TCU, enquanto alguns propagandeadores insistem que Dilma não tem nada “comprovado” contra ela).

Ora, qualquer liberal sabe qual é a intenção de um social-democrata: que o Estado “dê” (dinheiro ou algo) a quem não possui. É a velha cantilena de Maynard Keynes, que resgatou o termo “social-democracia” do ostracismo da Revolução Russa, garantindo à esquerda uma sobrevida no mundo livre, e hoje muito alardeada na Academia pela visão de pensadores como John Rawls (sem nunca ler a resposta devastadora que lhe aplicou Robert Nozick) ou, mais atualmente, Thomas Piketty.

A própria idéia do liberalismo é esta: saber que o Estado “provendo” coisas (como as inúmeras “Bolsas” brasileiras) vai gerar uma crise. É muito fácil desejar que o governo nos “dê” algo: um sub-salário, um carro, uma casa, uma faculdade. Melhor ainda quando o mote é algo abstrato e tratado como o Bem Absoluto na abstração, como corrigir a “desigualdade social”.

vida sem catracasO problema, que demora um pouco a se tornar claro, é notar, por exemplo, que custear a educação, a saúde, a faculdade e o “bem-estar” de todos significa retirar a responsabilidade dos pais sobre os filhos: todos se tornam obrigados a pagar por uma vida cara aos filhos dos outros, e estes “outros” podem (e vão) perceber que só precisam “reivindicar” (ou “empoderar” ou qualquer palavra da moda) que os outros paguem por tudo para eles. Logo, haverá muitos tendo muitos filhos e exigindo que quem preferiu não ter filhos para ter um padrão de vida melhor desça seu padrão para pagar pelos filhos que não teve. And so on. E este é apenas um exemplo dos inúmeros possíveis do que acontece com o “Estado de Bem-Estar Social”.

Isto, por si, já é um problema crucial da social-democracia. A revista Época, na edição de 21 de agosto deste ano (com capa dupla, mostrando a advogada liberal Michelle Sopper e o estudante de esquerda Matheus Hector Garcia em cada), apesar de se focar no aspecto do liberalismo econômico, lembrou bem que a Constituição de 88, garatujada no clamor do fim da ditadura, garantiu que nossa Carta Magna fosse um país social-democrata por definição: é a Constituição por si que garante que o Estado tem a obrigação de dar saúde, educação, transporte (inclui viagens a NY?) etc a seus cidadãos.

Ou seja, somos um país de esquerda por imposição constitucional. O que chamam erroneamente de “direita” no Brasil, até pouco antes do nascente movimento liberal/conservador, era apenas uma social-democracia dissociada de sindicalismo, como o PSDB. O chamado “neoliberalismo”, fantasia tão pontual quanto a Fanta Maçã Verde.

Curiosamente, temos todos os problemas de todos os países do chamado Estado de Bem-Estar Social (ou Welfare State, ou Estado-providência, ou Estado social, ou o que os americanos definem bem como Estado-Babá ou Big Government). Basta ver o Ìndice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que analisa a liberdade econômica de um país (conceito quase desconhecido no Brasil: quanto mais economicamente livre, mais liberal; quanto mais “Bem-Estar Social” ou intervencionista, chegando ao socialismo, menos economicamente livre é).

O Brasil, em 2015, ocupa a 118.ª posição (em queda do ano anterior), acompanhado de potências mundiais como Butão (!), Honduras e Belize nas posições à frente e Mali, Nigéria e Paquistão logo atrás. É o modelo de política econômica destes países que é ombreado ao nosso. É isto o que nossa Constituição e nossos políticos e seu medo de palavras como “privatização”, “mercado”, “livre comércio” ou “concorrência” nos garantem.

transporte não vamos pagar nadaOs países mais liberais do mundo, pelo que aprendemos em nossas escolas e faculdades (também unificadas pelo monopólio do MEC, outro órgão governamental), deveriam ser países miseráveis, já que o comércio livre do mercado empobrece a todos, correto? Vejamos a lista dos 10 primeiros: Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Austrália, Suíça, Canadá, Chile, Estônia, Irlanda e Maurícia. Algum deles é pobre? Os pobres destes países estão precisando de Bolsa Família, ou só são “pobres” comparados aos bilionários que eles comportam? É melhor ser pobre na Suíça ou “classe média alta” na Venezuela? Que tal comparar o nível de vida dos pobres em Hong Kong com a classe média de sua grande vizinha cheia de causas sociais, a China?

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Resta à esquerda, sempre, escorar-se na litania da Escandinávia, os 5 países (Noruega, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia) famosos por seu Welfare State ou, por que não dizer, por ser o único Estado de Bem-Estar Social que teria dado certo.

O curioso é descobrir onde tais países se encaixam no Índice de Liberdade Econômica: Dinamarca em 11.º (à frente dos dois sinônimos naturais de capitalismo selvagem, a América e o Reino Unido), Finlândia em 19.º (à frente do Japão e encostada no paraíso fiscal supremo do Bahrein), Suécia em 23.º (atrás de outro paraíso fiscal, Luxemburgo) e Islândia e Noruega em 26.º e 27.º (logo atrás do paraíso fiscal dos Emirados Árabes e à frente de outros bastiões de liberalismo ortodoxo, como Coréia do Sul, Áustria e Israel, e à frente do paraíso fiscal do Qatar).

Na prática, como se vê, os únicos Estados de Bem-Estar que “funcionam” são, economicamente, indissociáveis de paraísos fiscais, o cúmulo do capitalismo selvagem. Seu welfare diz respeito a questões políticas, como casamento gay ou a política educacional – abrir uma empresa na Dinamarca não demora 5 dias, enquanto no Brasil a fila dificilmente está abaixo de dois meses.

As causas sociais seculares, o forte da Escandinávia, são o que mantêm a esquerda possuindo algum apelo, mesmo após o fracasso econômico retumbante (e exatamente o que confunde a direita, que não é tão versada em comunicação como ela).

Mas é sempre engraçado lembrar da década de 90, quando a esquerda bradava contra as privatizações neoliberais de FHC, sendo a do sistema Telebras a mais famosa, tentando garantir que o Estado provedor é o que torna os países nórdicos ricos. Esqueceram-se (e até hoje ninguém os avisou) de que as privatizações serviram para que usássemos, na época, celulares Nokia (finlandesa) e Ericsson (sueca)…

Dizer que “ninguém previu” o que aconteceria em 2015 é apenas prova da falência de referências no jornalismo brasileiro – e, por conseguinte, no imaginário coletivo e no discurso pronto que toda a esquerda, que lê muito em média, mas não os contrapontos às suas crenças.

Na verdade, não é que economistas opostos ao modelo petista – sobretudo a nova avalanche liberal no Brasil, talvez excluindo boa parte dos “neoliberais” do modelo de Estado Social tucano dissociado de sindicalismo – sabiam da crise: sua própria tese fundamental é a de que o modelo petista entraria em crise. 

Afinal, de boas intenções o inferno está cheio – o problema é entender o que acontece após um ano – ou vários – de políticas de “distribuição”, já que o capitalismo é um sistema de produção, enquanto o Estado Social, que só tem capitalismo no nome, é um sistema de distribuição. A produção, naturalmente, acaba mais rápido quanto mais é desestimulada, e logo há pouco a distribuir.

Quem não conhece a frase de Margaret Thatcher, o socialismo dura até acabar com o dinheiro dos outros? É o que nosso esquerdismo instituído constitucionalmente nos lega – e nos deixando na mesma pobreza econômica, cultural, política e educacional de outros modelos de Estado gigante. Acabou o dinheiro, veio a crise.

luiza trajano dilmaAliás, como não se lembrar de toda a esquerda do país tentando criticar Diogo Mainardi (por anos nosso maior liberal) por perguntar a Luiza Trajano, a dona do Magazine Luiza (e na lista dos 60 mais poderosos do país) quando ela iria ser comprada pela Amazon?

Luiza respondeu que a economia na verdade ia muito bem. Blogs de esquerda estamparam manchetes como “Diogo Mainardi paga mico na Globo News”. O Estadão afiançou que ela “cumpriu a promessa” e enviou a Mainardi e-mail com dados sobre inadimplência.

Mas nesta mesma semana… Luiza anunciou que pode fechar o capital da empresa, pela queda de R$ 137 no preço da ação em junho de 2011 (logo após receber polpuda verba do BNDES em programas e bolsas de welfare em que vendia com desconto para os beneficiários dos outros programas sociais do governo – ou seja, com o nosso dinheiro) para míseros R$ 8,16 hoje, conforme escreveu Alexandre Borges em sua página.

Não chega a ser um pouco esquizofrênico que os mesmos jornais coloquem todas estas notícias juntas sem formar um todo coerente? E que os próprios jornalistas sejam incapazes de ligar os pontos?

E onde estão os jornais agora fazendo o mea culpa e admitindo que Diogo Mainardi estava certo, como Peter Schiff também estava certo ao previr a crise de 2008, enquanto seus debatedores sociais-democratas endossavam empresas protegidas pelo governo, como Fannie Mae, Freddie Mac, Merrill Lynch, HBOS, Goldman Sachs e Morgan Stanley ou o mercado imobiliário e bancário? Como Schiff sabia, e seus debatedores não? Simples: Schiff é um liberal da Escola Austríaca, seus debatedores eram os Pikettys ou Krugmans de pré-2008, acreditando em empresas semi-estatais, economia dirigida e no Estado de Bem-Estar.

Qualquer liberal não tinha outro discurso sem ser o de que o Estado de Bem-Estar iria falir, e agora afirmam que “ninguém previu”. Grandes think tanks, institutos e organizações criadas nos últimos anos, como Instituto Liberal e Instituto Mises Brasil divulgam diariamente pensadores que não param de explicar em detalhes a crise.

Ao invés de se escorar nos “economistas [que] não previram o desastre de 2015” e toda a hegemonia de pensamento único embebida em MEC e palpiteiros de colunas de jornal que apenas lêem propaganda do governo e defesas emocionais da social-democracia (concluindo que alguém só pode ser contra ela por ser da “elite loira de olhos azuis” que não quer dividir o aeroporto com os pobres, que estão viajando tood dia para Miami e usando o mesmo perfume de 200 dólares da madame), talvez seja o último aviso para os brasileiros conhecerem o liberalismo, e não os vitupérios ditos sobre essa palavra de quem o desconhece de todo.

Sem medo de enfrentar professores, sem medo de palavras que evocam sentimentos trabalhados por quem não sabe nem o nome dos principais liberais da história e da atualidade, sem medo de questionar o establishment e as boas intenções com causas “sociais” e outras abstrações, mas que só nos atravancam na prática e na comparação – quando se busca fatos e resultados, e não sentimentalismo e bom-mocismo discursante.

Sejam obras como Ética da Redistribuição, de Bertrand de Jouvenel, ou Intervencionismo – Uma Análise Econômica, de Ludwig von Mises, o brasileiro deve fugir da propaganda estatal travestida de jornalismo ou estudo acadêmico, pensar com a própria cabeça e entender finalmente como deixar de ser um Butão mais rico e com influências de países liberais para finalmente se tornar algo como uma Suíça ou Austrália – ou mesmo uma Dinamarca ou Noruega.

Do contrário, resta ficar apatetado diante da palpitaria e da metralhadora de desculpas da Folha de S. Paulo, eternamente garantindo que a verdadeira social-democracia ainda está por vir.

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  • Sobre neoliberalismo, é fácil identificar esquerdista que se impressiona com palavras sem saber o que significam, quando acusam a direita de ser ‘”neoliberal” (ou “neo liberal”, como você escreveu acima): http://sensoincomum.org/2017/05/31/danilo-gentili-maria-rosario-humorista-politico/#comment-3333553246

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      Então,rebata com contra-argumentos e não desqualificando o orador.Bem tipico de quem admira Olavo de Carvalho um cara bem influente internacionalmente.

      • Reparou que você me atacou (e atacou Olavo de Carvalho, que nada tem a ver com o pato) ao invés de contra-argumentar os argumentos que deixei no link?

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          Vi sim o link acho que é valido, mas é um nome , tem lugares que vai ver neo-marxismo com uma posição mais Hegeliana , alguns usam neo-marxismo para Gramsch seus posteriores ,você sabe que não contra argumentou nada com esse comentário.

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    Já que estou falando com intelectual de analise politica do poder ,queria saber o pq de erroneamente ter usado o termo hegemonia para designar o MEC.

  • Johann

    Rápida correção de nome
    onde está: “Funnie Mae, Funnie Mac”
    leia-se: “Fannie Mae, Freddie Mac”

    • Flavio Morgenstern

      Ooops. O responsável já está sendo devidamente espancado em nossos calabouços!

  • kalebe

    Os EUA aparecem em 11º lugar. Atrás do Chile? Os EUA são tidos como o coração do capitalismo. A posição do ranking me parece modesta para um país cuja moeda é referência mundial e cuja relação com capitalismo é imediata para qualquer um. Ainda mais atrás do Chile? Os EUA são mesmo o país mais capitalista do mundo? Se sim, que outros fatores mostram isso?

    • Flavio Morgenstern

      Não, o ranking está certo. A América é símbolo do capitalismo, mas não é o país mais capitalista do mundo. A Suiça, obviamente, possui muito mais liberdade econômica, por exemplo. O Chile também caminha para o liberalismo, enquanto a América caminhou fortemente sob Obama para a regulação.

  • Pingback: Uma de muitas receitas para não entender nada()

  • Gustavo

    Parece-me que podemos dizer, simplificadamente, que os fins dos social-democratas (e até de muitos “esquerdistas”) honestos e os fins de libertários/”direitistas”, também honestos, são os mesmos: alcançar tanto quanto possível uma sociedade onde as pessoas possam ser minimamente felizes, viver em paz etc. etc.. A diferença estaria nos meios para se alcançar tal propósito, em saber o que, na prática, funciona melhor. O que tornará as pessoas de um país mais felizes, na média? Por qual meio chegar a isso? O raciocínio é utilitarista, matemático, econômico, objetivo. Por isso, às vezes acho estranha essa guerra ideológica e emocional entre pessoas de boa-fé e que não leram a respeito do tema, mas ainda assim se apegam a um lado com uma fidelidade extraordinária. Parece paixão por time de futebol – que eu não tenho, aliás, embora aprecie o esporte. Como podem se apegar tanto a um lado (direita ou esquerda), em uma questão objetiva/matemática/econômica, sem ter investigado as questões a fundo? Para mim, é como se alguém passasse a defender uma teoria física sem nunca tê-la estudado! Na parte cultural e ética eu entendo o apego a uma ou outra corrente ideológica: são questões de valores culturais e éticos. Mas na parte econômica, em sendo os fins iguais, ora, a questão é achar qual meio funciona melhor e ponto final. Claro, estou aqui desprezando os casos de auto-interesse, como o de filiados a partidos, ou de contemplados por programas sociais etc.. Em suma, eu confesso que NÃO SEI qual meio é o melhor. Não sou um especialista em economia, embora já tenha lido algumas coisas. Mas meu ponto é este: as pessoas honestas precisam ser mais humildes, estudar mais, refletir mais, reconhecer a complexidade dos problemas, falar menos, opinar menos, torcer menos, xingar menos. E as desonestas, que talvez sejam a maioria, que se danem!

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  • Mariline

    Texto irretocável, e esta citação da Margaret Thatcher é adorável:
    One of the great debates of our time is about how much of your money should be spent by the State and how much you should keep to spend on your family. Let us never forget this fundamental truth: the State has no source of money other than money which people earn themselves. If the State wishes to spend more it can do so only by borrowing your savings or by taxing you more. It is no good thinking that someone else will pay—that “someone else” is you

  • Jean

    Baita texto, Flávio. Já acompanhava seus artigos em outras páginas e fico muito contente em ver suas ideias tomando forma aqui no sensoincomum.org.
    Fica uma sugestão: quando tu escreves que “todos se tornam obrigados a pagar por uma vida cara aos filhos dos outros”, sabemos que essa vida é cara só no valor gasto, mas é pobre em vários aspectos (corrupção que drena os valores injetados, sistema de saúde precarizado, educação sucateada, violência e insegurança social, etc). Acaba que no final das contas, pagamos muito para que os filhos dos outros levem uma vida precária, e o que mais me preocupa é que uma hora essa conta não vai bater (somando-se a pouca força de trabalho e índices altos de desemprego, ao aumento da expectativa de vida e da população “aposentada”). E pior, quem terá um problemão pra resolver seremos nós e as próximas gerações.

  • Daniel

    Gostei do tema, gostei da abordagem, gostei da lógica, acho que você vai fazer um artigo diferenciado e com potencial reformulador se responder às seguintes perguntas. Já que o assunto é a aposta em um Estado liberal, como seria possível iniciá-lo dentro da realidade política atual do Brasil? Segundo, quais os aspectos negativos de um Estado liberal, por exemplo, o cidadão se tornar menos fraternal. Por último e talvez a mais difícil: se o Estado de bem estar social é um absurdo, então qual é o papel do Estado? Minha última sugestão é não considerar que esquerda e direita como confrontos ideológicos, porque a esquerda purista não é movida pela razão e sim pelo coração. Um esquerdista pode não estar interessado no que é certo ou errado, mas sim estar interessado em como satisfazer suas vaidades que é claro, são enxergadas pelos próprios esquerdistas como estados puros de espírito, logo, inquestionáveis.

    • Flavio Morgenstern

      Caro Daniel, não acredito em soluções de curto prazo, muito menos soluções verticais e na canetada, que não envolvam salvar a cultura do país e ter a política ou a economia como meros reflexos de uma mentalidade mais sadia. Mas sobre fraternidade, isto se trata de uma escolha do indivíduo de envidar seus esforços em prol do outro. Uma doação ou trabalho voluntário, por exemplo. O Estado de Bem-estar Social é o oposto disso: retirar toda a individualidade das decisões e transferi-las ao Estado. Não posso ser responsável pelo próximo no Brasil, se meus impostos vão para o PT, o Cunha, o Renan ou a tucanada para eles cuidarem dos pobres por mim. Quase todo liberal já escreveu sobre isso.

      • Daniel

        Tá, mas essas verdades não mudaram nada

      • Thiago Teixeira

        Os meus impostos também vão para o SERRA, PSDB, DEM, MARCONI, RICHA, ALQUIMIM, AÉCIO … e ai? Os gastos deles são cheirosos?

        • Flavio Morgenstern

          Olhe o nome do partido deles, garoto.

  • Texto muito bom.

  • Pedro

    Eu sei que o modelo deles é diferente do nosso, normalmente minhas críticas ao daqui (acho que podemos achar um ponto em comum aqui) são exatamente por isso.

    De novo, a relação de exclusão entre liberdade econômica e bem-estar social é duvidosa. http://data.worldbank.org/indicator/GC.TAX.TOTL.GD.ZS Todos os países nórdicos tem uma carga tributária bem acima do Brasil.

    Não estou me referindo a variabilidade ou se desigualdade é uma palavra vaga, estou falando da disparidade econômica entre pessoas de cima e de baixo, seja de oportunidades, impostos ou o que for. Importante ressalvar que criticar isso não quer dizer que todos tem que estar em alguma utopia do Thomas Pikkety. Já existem estudos do FMI que defendem inúmeros tipos de resoluções institucionais para esse problema, inclusive no Brasil. “To tackle inequality, financial inclusion is imperative in emerging and developing countries while in advanced economies, policies should focus on raising human capital and skills and making tax systems more progressive.” https://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2015/sdn1513.pdf

  • Pedro

    E também…

    “Logo, haverá muitos tendo muitos filhos e exigindo que quem preferiu não ter filhos para ter um padrão de vida melhor desça seu padrão para pagar pelos filhos que não teve. And so on. E este é apenas um exemplo dos inúmeros possíveis do que acontece com o “Estado de Bem-Estar Social”.”

    Alguma estatística que comprove isso?

    • Flavio Morgenstern

      Sim, o que geralmente só é atenuado pela curva populacional. Basta pesquisar e cotejar ambas as curvas.

  • Pedro

    Ficou faltando uns dados mais imparciais, só fiquei em dúvida como você define o Estado de bem-star social (já que existem muitos modelos) e em relação a quais país o Brasil gasta “muito” com bolsas (achei que ficou faltando dados de quanto custa, em comparação a outros países). Enquanto é verdade que a carga tributária, a falta de retorno em políticas públicas e a liberdade econômica no Brasil são uma miséria, em relação a outros países que você citou (Nova Zelândia, Austrália, Suíça, Canadá, Alemanha, países Nórdicos), eles tem um welfare state e um gasto público (não é só casamento gay, secularização e “políticas educacionais”) MUITO maior que o nosso, mesmo que, em certos países, esteja diminuindo recentemente. (http://www.oecd.org/els/soc/OECD2014-Social-Expenditure-Update-Nov2014-8pages.pdf) A maioria com educação pública e saúde pública de qualidade.

    Obviamente não vou me ater a uma análise simplista, apontar só um fator X que causou Y, ou que fazer X vai dar em Y. Esses países não tem tantos problemas históricos e sociais como nós, por ex. desigualdade social (não entendi como isso é um problema abstrato), violência, estupidez na gestão, corrupção, sindicalismo reacionário e principalmente, investimento em gente capacitada, visto o número baixo (de acordo com a OMS) e mal distribuído (ficando reservados em capitais) de médicos e ficando em lanterninha com o pagamento dos professores. (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150430_educacao_eficiencia_pu).

    Acho importante não cometer o mesmo erro de certa parcela da esquerda, só que do outro lado do espectro político. Liberdade econômica e Estado bem-estar social podem andar de mãos dadas, como mostram países modelos no mundo.

    • Flavio Morgenstern

      Pedro, o modelo deles não é nem um pouco parecido com o nosso. Toda hora leio sobre a “educação pública, gratuita e de qualidade” da Finlândia, por exemplo. Ela não tem nada a ver com o que você está pensando – e mesmo seu lado estatal está posto em xeque e levando aqueles países que eram riquíssimos antes da social-democracia a uma crise enorme (a Suécia, por exemplo, pode se tornar um dos países mais pobres da Europa em menos de 50 anos). Trata-se basicamente de trocar as poucas escolas caras (os países têm populações minúsculas) por um modelo mais centralizado. Diminui a concorrência, o preço, que já era pago anteriormente, fica quase igual. Sobre desigualdade social, bem, você sabe que “desigualdade” é uma abstração, correto? Vêm mais textos por aí. Liberdade econômica é o oposto de Welfare State, o modelo nórdico prova que ou um cede ao outro, ou eles só serão um nome para inglês ver. Afinal, como ter liberdade econômica e carga tributária na ionosfera ao mesmo tempo?

  • Jeferson Julio

    Muito bom esse artigo. Flavio acabei de comprar o seu livro “Por trás da máscara”, vou começar a lê-lo.

    • Flavio Morgenstern

      Uma honra enorme, Jeferson!

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