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Mas e a narrativa “Mas e o Cunha?”

Faz mais de um ano que ouvimos petistas soltando "Mas e o Cunha?" como se tivéssemos alguma coisa a ver com ele. Mas e o PT agora?

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Eduardo Cunha e Dilma Rousseff.

De acordo com a narrativa petista martelada inclusive na imprensa, por sub-celebridades que as redes sociais alçam à importância artificial, o único motivo que alguém teria nos últimos tempos para não ser apenas favorável ao PT, mas descabeladamente fanático pelo PT, seria tão somente ser manipulado pessoalmente pelos senhores Eduardo Cunha e Michel Temer, mancomunados em um “golpe” articulado via Rede Globo, tendo como sub-interessados Aécio Neves e Sérgio Moro, bestas espumando de raiva porque o PT de Lula tirou 600 bilhões de brasileiros da miséria absoluta e agora estão todos viajando de jatinho particular para Miami a cada 2 meses.

Mônica Iozzi - Lava Jato - Aécio Neves - Fachin

Fonte: http://www.ceticismopolitico.com/o-que-sobra-da-analista-da-lava-jato-monica-iozzi-depois-das-delacoes/

Mônica Iozzi pede uma bala na cabeça de Eduardo Cunha

Fonte: http://www.jornaldopais.com.br/chacota-na-net-monica-iozzi-disse-que-a-lava-jato-nunca-prenderia-o-deputado-cunha/

A narrativa sempre foi ridícula, mas o mantra “E o Cunha?” foi a única coisa que petistas conseguiram repetir roboticamente no último ano para ao menos desviarem o assunto, já que não conseguiam mostrar inocência em sua mandante.

Até mesmo as notícias em jornais como Globo e Folha tentavam sempre pintar os desmandos de Eduardo Cunha como algo a envergonhar quem não fosse petista. Até que Cunha foi preso e… ninguém que mal tinha ouvido falar do então local e obscuro parlamentar carioca se importou em defender o “seu” corrupto.

O problema é que, bem ao contrário da narrativa petista, o povo mesmo só vota em PSDB por falta de opção melhor, escolhendo o mal menor. O povo só via em Eduardo Cunha alguém que virou a casaca depois de dois mandatos de Dilma como líder do governo na Câmara, e que finalmente aceitou um pedido de impeachment depois de engavetar vários.

https://twitter.com/flaviomorgen/status/864981977497292800

Como sempre lembramos neste Senso Incomum, o Brasil pós-PT vive um período de uso de uma linguagem totalitária, em que tudo é exagerado, a descrição é muito mais chocante do que a realidade, e tudo o que se diz visa a transformar as pessoas em militantes políticas fanáticas, encontrando inimigos do povo em cada esquina.

O problema é que o povo está longe de ser cunhista. E quem votou em Michel Temer foram apenas aqueles que lacraram o 13-confirma nas urnas.

https://twitter.com/flaviomorgen/status/864996303654330368

Alguém aí viu o povo defendendo que Temer comprasse o silêncio de Eduardo Cunha, como se revelou? Alguém foi flagrado dizendo que as gravações que revelam os podres de Michel Temer são “vazamentos seletivos”? Ou que Temer é vítima de perseguição da mídia? Ou que Eduardo Cunha é “um guerreiro do povo brasileiro”?

Nem eu.

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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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