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Se só enxergamos o mundo por "direita" e "esquerda", como explicar fenômenos como a alt-right, a KKK, o neonazismo? Polêmica à vista em nosso podcast.

Guten Morgen, Brasilien! Esta semana foi marcada por um violento protesto com contra protesto e protestos na imprensa contra o protesto mas não contra o contra-protesto em Charlottesville, cidade da Virginia. O que se seguiu foi uma violência verbal ainda mais violenta, embora só em nível verbal, por que no protesto original viram-se bandeiras nazistas acompanhadas de bandeiras dos Confederados americanos, além de gente da Ku Klux Klan e demais “supremacistas brancos”, em um protesto da alt-right chamado “Unite the right”. A violência descambou quando um protesto contra o protesto contou com a presença do grupo identitário Black Lives Matter, além dos “Antifa”.

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Para muitos apressados, ficou “provado”: o nazismo e o supremacismo branco são idéias de direita, gerando preconceito e violência, enquanto a esquerda significa paz, igualdade, bondade, felicidade, alegria, prosperidade, harmonia, comida de qualidade, mulheres fogosas e carrões possantes. Tudo deliciosamente embalado por discursos de Fidel Castro em 4K.

Afinal, se vamos usar apenas os conceitos “direita” e “esquerda” no debate público (e aqui, deixemo claro: não queremos negá-los, mas afirmar que há mais coisas do que a direita e a esquerda), como explicar movimentos como a Ku Klux Klan, um braço do Partido Democrata? Como entender esta idéia de que “racismo” seja uma “causa” da direita, sendo que nada no mundo é mais claramente direitista do que o Partido Republicano americano, e ele foi criado para abolir a escravidão, com o Republicano Abraham Lincoln? De que lado, então, costuma vir a violência política?

A esquerda sempre brada que defende a “democracia”. Mas o que é esta tal “democracia” esquerdista, que parece tão diferente dos princípios, muitas vezes usando-se o mesmo nome, que a direita defende?

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Estamos vendo uma violência política em escala acentuada no Ocidente mais civilizado, provando que poucas coisas no mundo são mais frágeis do que a civilização. Mas não estamos vivendo uma ainda mais profunda confusão conceitual ao tentar descrever fenômenos que fogem a dicotomias, reducionismos e planificações, usando-se sempre as mesmas palavras que foram inventadas em um contexto explosivamente diferente?

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Como entender esquisitices como a alt-right, os supremacistas brancos americanos, a KKK saindo do Partido Democrata, o Black Lives Matter, a tática Antifa – basicamente um novo nome para a tática alemã do black bloc que o Brasil conheceu bem –, os neonazistas (que diferem dos nazistas originais, que já comentamos) e toda essa confusão semântica e conceitual com termos apaixonados como esquerda e direita, em debates com interesses pessoais e cada vez mais paixões violentas e menos definições puras, que não dependam de analogias?

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É o que propomos neste episódio do Guten Morgen, o podcast do Senso Incomum. De quebra: thrash metal, retórica, violência, ataques de fúria, cacofonias, filosofia socrática, supremacia podcastal, puberdade e música folk celta.

A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto, no estúdio Panela Produtora. Guten Morgen, Brasilien!

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