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Fake is fake

Presidente da CPMI das Fake News fez live com “Luciano Ayan”, preso por fraude e fake news

Senador Ângelo Coronel fez live com investigado pela própria CPMI das Fake News que foi preso por fraudes e um esquema que envolve fake news

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Live de Ângelo Coronel e Luciano Ayan

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das supostas “fake news”, que já torrou muito dinheiro público e até agora não apresentou até agora nem uma única mísera “fake news” que diz investigar, fez uma live com Carlos Afonso, alcunha “Luciano Ayan”, preso nesta sexta em Operação da Polícia Civil do estado de São Paulo.

A CPMI das Fake News, que até agora não apresentou fake news, teve como momentos marcantes a surra dada por Allan dos Santos, do Terça Livre, em parlamentares que queriam desancá-lo, além do hilário depoimento de Hans River Rios, convidado por Rui Falcão (PT-SP), que acusou o próprio PT de efetuar disparos em massa ilegais.

Mas o grosso da CPMI que produziu documentos para a mesa foram os depoimentos da deputada Joice Hasselmann, que logo foi acusada de montar o “Gabinete da Peppa”, exigindo que seus assessores criassem perfis falsos para elogiá-la, e do ex-ator pornô Alexandre Frota, que apresentou uma  lista de desafetos a serem perseguidos pelo Estado, sem nem se preocupar em acusá-los de algo (além, é claro, de o próprio Frota disseminar uma fake news sobre o professor Olavo de Carvalho).

Como se sabe, o “relatório” de centenas de páginas apresentado pelo ex-ator pornô Alexandre Frota para perseguir desafetos políticos foi feito por Afonso, o “Luciano Ayan”, preso hoje sob a irônica acusação de fraude e de… disseminar fake news.

É grave que o senador Ângelo Coronel tenha realizado uma live para falar de supostas “fake news” com Afonso “Luciano Ayan”, pelo simples fato de que o próprio Luciano Ayan foi alvo de requerimento para se explicar por suas próprias fake news na mesma CPMI, sendo alvo do requerimento n.º 252/2019. Como um senador que investiga alguém (como um procurador olha para um réu) e faz uma live para conversar sobre como caçar fake news com esta mesma pessoa?

Além de Ângelo Coronel, participaram da live o jornalista Fabio Pannunzio, que chamou uma mulher no Twitter de “nazista” por ela dizer que é do signo de Áries; o deputado Nereu Crispim; a jornalista Madeleine Lacsko, que possuía uma série de entrevistas com o próprio “Luciano Ayan” sem audiência no YouTube; e o advogado do MBL com livro prefaciado por Gilmar Mendes e autor do pedido de impeachment mais risível do país, Tiago Pavinatto.

Na live, o senador Ângelo Coronel pratica exatamente o que a CPMI das Fake News supostamente quer extinguir com poder de polícia: “discurso de ódio” e “ataques” difamatórios feitos em coordenação contra o professor Olavo de Carvalho, que foi chamado de “fora de moda”, “semeador da discórdia” e “beligerante”.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) pediu o afastamento de Coronel Ângelo e da relatora Lídice da Mata, do PSB também da Bahia. Após a prisão de Luciano Ayan, a questão se torna ainda mais urgente para os deputados – e para a população fazer pressão.

Nada pode ser mais desmoralizante para a moral e a ética brasileiras do que uma CPMI com um presidente que faz live com alguém preso com maconha, que faz relatórios delirantes para um ex-ator pornô que espalha fake news na própria CPMI das Fake News e ameaça bater em jornalista e prega “anarquia” e “ir para a guerra”. Fora perguntar se Adélio foi “incompetente ou distraído”, e estar usando poder de polícia para caçar “discurso de ódio”.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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