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Crime

MP pede investigação de Luciano Ayan por possível posse de pornografia infantil

Ministério Público pede esclarecimentos de Carlos Afonso “Luciano Ayan” por “incontáveis” fotos e vídeos pornográficos que podem ser de menores de idade. Luciano Ayan é peça-chave do inquérito das fake news e da CPMI das Fake News

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Luciano Ayan preso

Ancorados no sigilo de fonte garantido pela Constituição Federal (CF, art. 5º, inc. XIV, segunda parte), e também escorados por matérias jornalísticas recentes, como a capa da revista “Veja”, às vésperas das eleições, que contém fotos de um processo em segredo de Justiça contra Jair Bolsonaro, além da reportagem de Glenn Greenwald no “Intercept”, naquilo que foi chamado de “Vaza Jato” (quando mensagens privadas de terceiros foram divulgadas sem autorização pelo site), no qual o ministro Gilmar Mendes garantiu o sigilo de fonte, além de decisão do TRF-3 que protegeu três jornalistas da TV Globo que divulgaram informação de investigação sigilosa, publicamos o fato jornalístico, de amplo interesse público, que segue.

Carlos Augusto de Moraes Afonso, alcunha “Luciano Ayan”, foi preso no âmbito do Procedimento Investigativo Criminal n.º 31/19-GEDEC durante deflagração da Operação Juno Moneta, que realizou buscas e apreensões em 6 endereços, incluindo a sede do MBL – Movimento Brasil Livre – e a residência de outro membro do MBL, Alessander Monaco Ferreira, por suspeita de lavagem de dinheiro.

Consta do referido requerimento que nas buscas e apreensões realizadas na residência de Carlos Afonso “Luciano Ayan”, autuadas digitalmente sob o número 1004888-44.2020.8.26.0050, posteriormente analisadas pelo GEDEC – Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos Financeiros – foram encontradas mídias, entre CDs, celulares e computadores, que, após analisadas, continham pornografia e cenas de sexo explícito, ao que parece, podendo envolver crianças e/ou adolescentes.

Em tese, o material afrontaria os artigos 241-A e/ou 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente, que versam sobre a pornografia infantil.

Requerimento Luciano Ayan por possível posse de pornografia infantil

Requerimento a Luciano Ayan pelo MP-SP por possível posse de pornografia infantil

Requerimento a Luciano Ayan pelo MP-SP por possível posse de pornografia infantil

Considerando o “estoque” de mídias pornográficas, tidas por “incontáveis” nos autos, inclusive com pessoas que aparentam ter menos de 18 anos de idade, o Ministério Público considera necessário investigar se “Luciano Ayan”, que acessa as redes sociais quase diariamente, também divulgou conteúdo desta natureza.

O Ministério Público fez requisição de uma Instauração de Inquérito Policial (IP), solicitando ou sugerindo uma oitiva com o senhor Carlos Augusto de Moraes Afonso “Luciano Ayan” para se explicar ou justificar o material pornográfico encontrado em sua residência, limitando-se àquele com menores, além de análise de origem do material e se, de fato, é possível identificar se são efetivamente menores de idade.

Defendido por políticos, jornalistas e MBL

A prisão de “Luciano Ayan” se deu em operação que, originariamente, investigava possível lavagem de dinheiro. Afonso Ayan movimentou quase 1 milhão de reais apenas em 2017 sem declarar, além de ser sócio em empresas criadas com muita proximidade  e tendo a mesma atividade, o que costuma ser indício de comportamento típico de  quem pratica lavagem de dinheiro.

Nas redes sociais, “Luciano Ayan” se pintou como um “preso político”, tendo tal tese sido defendida por pessoas com livre trânsito no MBL, como Alexandre Borges e Martim Vasques da Cunha.

Martim Vasques da Cunha e Alexandre Borges curtem Luciano Ayan

Tendo respaldo quase nulo em seus tweets, é conhecido pela monomania em repetir que os que discordam dele são membros de uma “seita”, o que compreenderia a maior seita da história, contendo cerca de metade do país.

Por ter um discurso obsessivo contra Bolsonaro, caiu nas graças e já fez live com influenciadores como os jornalistas Madeleine Lacsko e Fábio Pannunzio, o deputado Nereu Crispim, um ex-advogado do MBL, Tiago Pavinatto (que possui livro prefaciado por Gilmar Mendes).

Luciano Ayan com Madeleine Lacsko

Até o presidente da CPMI das Fake News, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA) virou parceiro de “Luciano Ayan”, deixando Afonso “Ayan” na curiosa posição de ser tanto investigado pela CPMI por espalhar fake news quanto, ao mesmo tempo, também fazer live com o próprio presidente da CPMI Ângelo Coronel, o que denota parcialidade e aproximação do parlamentar com um investigado. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) pediu afastamento de Ângelo Coronel da presidência da CPMI após a live.

Além disso, Afonso “Luciano Ayan” jacta-se de ter criado “relatórios” para a CPMI das Fake News, sem apontar para quem. O ex-ator pornográfico Alexandre Frota já criticou Olavo de Carvalho e defendeu “Luciano Ayan” na tribuna da Câmara.

Outro defensor de “Luciano Ayan” é o jornalista José Fucs, o primeiro a inventar a teoria da conspiração de supostas “brigadas digitais”, que depois foram rebatizadas como “gabinete do ódio”, sem nunca ninguém ter conseguido provar este espalhafato.

José Fucs chegou a defender que a prisão de Ayan nada afetaria o seu, digamos, “trabalho”, como é chamada a atuação monocórdica de Ayan ao inventar que todos os seus discordantes fariam parte de uma “seita”, mesmo admitindo que a peça de ficção de um suposto “gabinete do ódio” foi inventada por “Luciano Ayan”. Envergonhado, trancou o seu perfil no Twitter por um tempo logo depois.

Luciano Ayan e José Fucs

José Fucs teve um blog em conjunto com Vera Magalhães, que também trabalhou com o mesmo Alexandre Borges. Borges é figura carimbada em todos os eventos do MBL.

Entretanto, quando foi preso, Afonso “Ayan” foi desprezado por membros do MBL, que afirmaram que ele nunca havia sido “membro” do grupo, apesar de ser sócio de um dos fundadores e até ter sido punido pelo Facebook pela troca de tráfego entre sua página e a do MBL. O deputado federal Kim Kataguiri, o deputado estadual por São Paulo Arthur do Val, o vereador por São Paulo Fernando Holiday, o ex-advogado do MBL Tiago Pavinatto e o fundador do MBL Renan Santos saíram em uníssono negando relações com Carlos Afonso “Luciano Ayan”.

Após sair da cadeia, Afonso “Ayan” acusou decepção com membros do MBL, não explicitamente indigitados, que não o defenderam. Segundo o próprio, “não se perdoa o que alguns deles fizeram.”

Também é figura carimbada nos ciclos do chamado “isentismo”, ou “centrão gourmet”, não raro com acentuadíssimo “discurso de ódio”, como eles próprios denominam.

“Luciano Ayan” é a principal fonte do inquérito de imaginados “atos antidemocráticos”

O dado mais consternador para o Brasil de 2020 sobre Luciano Ayan é que seus “relatórios” sobre supostas “seitas”, inventando teorias da conspiração como o fictício “gabinete do ódio”, alimentam um inquérito no STF que busca combater conjecturais “atos antidemocráticos”.

Em decisão, o ministro █████████ ██ ██████ destacou que pediu buscas e apreensões em endereços de desafetos de Luciano Ayan com base no depoimento do ex-ator pornográfico Alexandre Frota na CPMI das Fake News, frisando:

É do conhecimento do depoente a existência de grupos responsáveis pela criação e disseminação de notícias falsas, ataques e mensagens de ódio a figuras e instituições públicas, incluído Deputados, Senadores e Ministros do Supremo Tribunal Federal, atuando de maneira coordenada.

Alexandre Frota também já ameaçou bater no jornalista Augusto Nunes, já trocou seu avatar no Twitter por uma bandeira da anarquia convocando milícias, torcidas organizadas, grupos mascarados e Guilherme Boulos para “ir para a guerra” e também já fez uma enquete no seu Twitter perguntando se Adélio Bispo, que deu uma facada em Bolsonaro que não o matou por questão de um milímetro, teria sido “incompetente ou distraído”. Também admite publicamente o uso de perfis “fake”.

Tais fatos não inibiram █████████ ██ ██████ a usá-lo como fonte para dizer que este ex-ator pornô é figura intelectual relevante para apontar quem faria parte de um “grupo responsável por ataques e mensagens de ódio a figuras e instituições públicas”, ignorando quem ameaça pessoas e instituições de maneira tão desabrida. Além disso, acabou apresentando conflito de datas em despacho do inquérito das supostas “fake news”. Outra fonte foi a deputada Joice Hasselmann, acusada por seus próprios funcionários de montar um gabinete para disseminar fake news.

Luciano Ayan Joice Hasselmann

O ex-ator pornográfico Alexandre Frota, como exposto, defendeu publicamente Afonso “Luciano Ayan” e afirmou que o utilizou como fonte para seu depoimento na CPMI das Fake News, que posteriormente foi utilizado em decisão no inquérito de supositícias “fake news”, que ensejou buscas e apreensões em endereços de pessoas que apóiam o presidente Jair Bolsonaro, mas cujas conjecturais “fake news” até hoje não foram apresentadas.

O próprio “Luciano Ayan” deu entrevista a Pedro Zambarda, do “Diário do Centro do Mundo”, acusando quem ele considera que seja membro de “facções”, elencando pessoas discordantes e que nem sempre se conhecem.

Também parece ter conhecimento de investigações sigilosas, expondo-as em público, como neste caso:

Enquanto o Brasil parava para falar monocordicamente em supostas “fake news” que até hoje não foram apresentadas, Afonso “Luciano Ayan” se transformava em um dos homens mais poderosos do país, sob auspícios de muitos jornalistas, deputados, autoridades e muitas pessoas que querem instaurar a censura no país, sob a desculpa de estarem combatendo “discurso de ódio” e “fake news”.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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