O jurista "Tomás Turbando" foi citado por Cardozo no impeachment. O óbvio não falado: nem a defesa de Dilma consegue se levar a sério.

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José Eduardo Cardozo, o ex-ministro da Justiça e ex-Advogado Geral da União que, devido a este cargo, foi estranhamente alçado à categoria de Advogado Geral de Dilma Rousseff (acusada, justamente, de crimes contra a União), recebendo emolumentos até agora, causou alvoroço citando o eminente jurista “Tomás Turbando Bustamante” como defensor da tese da defesa da presidente afastada.

Cardozo já fez nota declarando que a brincadeira “sem graça” (risos) foi feita por algum assessor, e acabou passando pela revisão final.

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Poucos se importaram com a explicação de Cardozo, pois o jurista Tomás Turbando já entrou para os anais da história brasileira. Ainda que sua carreira tenha sido marcada por muitas idas e vindas, Tomás Turbando é um jurista de mão cheia, mas enfrentará resistência ao ser citado na defesa de Dilma, por preferir fazer defesa com as próprias mãos. Manteve-se a tendência petista de agir em bando – desta feita, no 5 contra 1.

Mas ainda que tenha sido apenas “uma brincadeira”, a obviedade permanece: por que alguém da equipe de Cardozo iria fazer tal brincadeira?

O óbvio ululante não pode ser mais disfarçado: nem a equipe de Cardozo leva mais a sério a defesa de Dilma Rousseff. Nenhum argumento técnico além de “Dilma não teve responsabilidade”, nenhuma crença própria na inocência da presidente (mesmo que, da boca para fora, todo petista diga que “não há crime de responsabilidade”, repetindo roboticamente o dog whistle da militância). Nada além de apelos a autoridades, generalizações, tergiversações e abstracionismos.

Toda a defesa que o ex-AGU está montando é baseada em prolatar e enrolar o processo até que se torne inviável aplicar a lei, pelo tempo sempre urgente da política dominada pela opinião pública.

Se nem a equipe de Cardozo leva a sério de fato o trabalho que está fazendo, quem levaria? Ou alguém pode imaginar a acusação brincando com os documentos mais sérios da história recente do país?

É loucura, mas com método, o que faz o PT, com seu assassinato de reputações e manchetes de hora em hora sobre as palavras, a aparência, o cabelo ou o tom de voz dos adversários dos petistas, como a acusante Janaína Paschoal. Quantos jornais noticiaram a gafe, o faux pas do advogado de Dilma Rousseff como um dos momentos mais ridículos da história da democracia brasileira?

A despeito da arrogância pública na defesa da presidente, Cardozo e os petistas jogaram mesmo a toalha: não há mais o que fazer além do flatus vocis, as palavras esvaziadas, apenas para ocupar espaço e tempo de fala.

Verdadeiras flatulências verbais. O deputado Jacinto Lamas foi um profeta do modelo petista, afinal.

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