A pesquisa do Datafolha sobre estupro para confirmar o discurso feminista abusa da linguagem popular para uma causa de progressistas ricos.

O Datafolha, instituto de pesquisa do grupo Folha, deve ser a entidade menos confiável no Brasil. É o índice de pesquisa estatística com um modelo “científico” de estro próprio, que ninguém mais no mundo utiliza.

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Seus resultados, com um método contando “público flutuante”, sejam na Parada Gay ou nas manifestações pelo impeachment, já chegaram a calcular 4 milhões de diferença da PM, gerando sempre uma guerra de números em seu noticiário.

Segundo o Datafolha, eu não estou aquiCuriosamente, os erros do Datafolha não são de todo aleatórios: sempre acreditam em bons números para causas de esquerda, e péssimos números para qualquer causa em dissonância com a linha editorial defendida pela Folha. Foi o Datafolha que acreditou poder “contar” quantas pessoas “iam e vinham” na penúltima manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, provavelmente a maior manifestação de rua da história mundial, calculando que apenas 210 mil pessoas compareceram ao protesto.

Quem quer saber tanto, inclusive quantas pessoas transitaram de um quarteirão para outro, parece acabar sabendo menos do que qualquer um que tenha olhos para ver.

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Como resultado, apenas veículos mais petistas do que Lula saíram “festejando” o número, para encabeçar a narrativa de que o povo não apóia o impeachment: seria apenas um plano pessoal de Cunha e Temer, estes dois cidadãos tão mancomunados e amigos.

Para o Datafolha e a esquerda, pessoas normais, como as que habitam o Brasil ocupando lugar no espaço, não existem.

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O Datafolha não erra aleatoriamente: erra com método. Sempre para a esquerda. Quando o Datafolha afirma que 62% da população já reprovava Dilma em seu terceiro mês de segundo mandato (logo após a descoberta do petrolão e a crise instalada por suas pedaladas) e quando afirma que 68% do povo quer o impeachment e que Dilma tem 10% de aprovação, pode-se ter certeza de que o número está errado: para menos. O número real certamente é bem maior. Basta ver que o instituto também apostou que o impeachment não passaria na Câmara. E como os seus erros nas pesquisas eleitorais sempre inflaram números petistas e sempre erraram os da oposição para baixo.

Manchete pega-trouxa

Mais uma vez, o Datafolha inventa uma manchete sensacionalista – e repetindo o mesmo tema, não mente com números, mas com palavras.

Hashtag #naomerecoserestupradaDe acordo com a última manchete modelo “aponta pesquisa” do grupo, feita sob encomenda para engabelar quem se impressiona com manchetes sem ler, ao invés daqueles que duvidam do que leram, pensam no que está errado e pesquisam a respeito (se a passagem da primeira categoria para a segunda elimina 99% de quem teve contato com a informação, os números até a última categoria são datafolhamente ínfimos em relação ao primeiro montante), em negrito, Um terço dos brasileiros culpa mulheres por estupros sofridos.

By the pricking of my thumbs, Something wicked this way comes. Não há de se levantar os olhos em suspicácia de uma pesquisa cujo tema é justamente um bordão? E logo o jargão repetido roboticamente pela nova modinha da esquerda, depois de seu fracasso público retumbante como gestora do país? Não há mesmo nada a se suspeitar, algo que pareça estranho só de ler a manchete?

Logo após a manchete da Folha, lê-se:

“A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada.”

Logo após a frase, o texto começa: “A frase, capaz de provocar calafrios, é alvo de concordância de um a cada três brasileiros…”. Alguma pesquisa estatística já foi noticiada pela Folha assim, começando citando a pergunta feita? Não há um abuso do que, na retórica clássica, se chama de capitatio benevolentiæ, a arte de atingir o sentimento da platéia, causando enebriamento antes da exposição racional? Por que pesquisa, afinal, foi feita justamente com o clichê da modinha feminista atual?

Datafolha e feminismo escondem ELITISMO

Qualquer análise lingüística a mais rasa da frase que gera a manchete revela um manancial de confusão. A frase foi escolhida a dedo entre frases feitas (tal como “quem tá na chuva é pra se molhar” ou “cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça”), cujo sentido não é extraído rigorosamente das palavras que formam a frase. A pragmática, ramo da lingüística que estuda a língua em uso, conhece muito bem a artimanha: sabe, inclusive, que não há de fato uma lingüiça na frase de exemplo, mas seu sentido é extraído do todo, não de palavras isoladas, que podem ser decompostas.

Hashtag #naomerecoserestupradaNa frase do Datafolha, o que significa “não pode reclamar”? Que a mulher estuprada é “culpada”, como tenta fazer crer o jornal? Dá para notar que, instintivamente, o pesquisador escolheu justamente aquela frase que, no linguajar mais popular, rés-do-chão, povão mesmo, quase toda a população usa, da boca pra fora, com um sentido diferente do dicionarizado. É a diferença entre lato sensu stricto sensu.

O Datafolha, para enaltecer o discurso feminista, tem de usar do mesmo artifício do feminismo: criticar a fala do povão, como se o que diz o seu Severino da construção e a dona Jusecreide da faxina refletisse um profundo tratado moral, uma axiologia arraigada e, mais do que tudo, um desejo de transformar palavras em letra da lei.

Como se quando a dona Jusecreide dissesse para sua filha Josefina “Não vá sair com essa roupa tão curta, depois reclama de estupro!” significasse que a dona Jusecreide acredita que sua filha não pode reclamar em caso de estupro, que a dona Jusecreide lutaria na Justiça pela inocência do estuprador da sua filha, que a dona Jusecreide tem como valor moral que sua filha foi culpada de ser estuprada, talvez até merecendo o mesmo modelo de punição muçulmana para mulheres estupradas (pela religião da paz, a mulher estuprada, se não tiver 5 testemunhas [!] a seu favor, ainda é punida com chicotadas pelo sexo fora do casamento).

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Alguém acredita mesmo nessa hipótese estúpida?

Que tal uma pesquisa entre aqueles que concordam com a frase “Mulher que não faz regime não pode reclamar de ficar encalhada” e pesquisar na periferia, no sertão e nas favelas se há uma profunda “gordofobia” que “provoca arrepios” (sic) no Brasil?

#EuNãoMereçoSerEstuprada

É, de fato, um elitismo o mais vil: abusar da linguagem popularesca, atribuindo-lhe artificialmente significados que inexistem no original, para “confirmar” a tese de feministas universitárias riquinhas no Twitter, que vão fazer hashtags, ganhar seu dia de modelo com fotos sensuais com placas onde se lê #EuNãoMereçoSerEstuprada e se tornarem a fêmea-alfa de seu grupinho de amigas e passar os próximos anos jurando que “está provado” que a sociedade brasileira é “machista” e “todo homem é um estuprador em potencial” e “precisamos de feminismo” porque o Datafolha (o Datafolha!) diz.

Aguarde o comportamento de massa nos próximos dias no Facebook da sua amiga universitária de Humanas mais perto de você.

Quem confirma é o próprio Datafolha: sem explicar (sem nem notar) o óbvio, a Folha afirma que o “índice de concordância com a frase” (releia: o “índice de concordância com a frase”! que tal inaugurar o ICCF?) sobe entre quem mora em cidades diminutas, com menos de 50 mil habitantes (37%), pessoas com apenas o ensino fundamental completo (41%) e com mais de 60 anos (44%). Por que será?

O ICCF é menor entre aqueles com até 34 anos (23%) e com universitário completo (16%). Ou seja: quem tem um pouco mais de estudo gramatical percebe que a frase está mal feita e vai pegar mal.

Mesmo que seu sentido popular, que depende do uso e contexto, seja algo com o qual todo ser racional vá concordar, inclusive o inventor da pesquisa (que, ainda que instintivamente, percebeu exatamente isso para escolher a frase): há justamente mais chance de ser estuprada com roupas curtas, portanto mulheres devem, exatamente por isso, tomarem cuidado, porque há homens ruins porta afora (e mesmo porta adentro).

Feminismo: modinha de menina rica

Sem notar que sua própria pesquisinha foi encomendada e cuidadosamente escandida para se alinhar à roupagem do feminismo, o Datafolha deixa entrever, em seu recorte, que está abusando da linguagem do povo menos instruído para concluir que é um perigo mortal para uma mulher ver um homem por perto, pois um terço deles (inclusive 30% das mulheres, ora pois!) “culpa a vítima pela violência sexual sofrida”, como conclui forçando a amizade a Folha.

Não notar (ou ignorar) o óbvio é o que permite que a Folha emende ainda frases como:

“Trata-se de um déficit civilizatório do Brasil ter tantas pessoas que vinculam a vitimização da mulher a uma conduta moral”, diz Renato Sérgio de Lima, vice-presidente da entidade.

À despeito de a “conduta moral” (qualquer uma no mundo) existir precisamente para se evitar a barbárie e o crime, naquilo que filosoficamente pode ser expresso pelo grego antigo “dãããã”, o sr. Renato Sérgio de Lima, o Datafolha e toda a Folha parecem seres incapazes de juntar lé com cré para perceber que sua pesquisa também diz que 91% dos entrevistados concordam que é possível ensinar homens a não estuprar. 91% dos entrevistados. Então, cadê a “vitimização da mulher a uma conduta moral”, se os mesmos que respondem isso também crêem numa frase igualmente mal-construída como “É possível ensinar meninos a não estuprar”, o que, a rigor, é a base do Direito, do cristianismo, de qualquer prerrogativa moral em vigor no mundo pós-tribal, à exceção do islamismo?

Hashtag #naomerecoserestupradaA propósito, 46% dos homens também têm medo de ser estuprados. Nenhum comentário sensacionalista da Folha a respeito. Quanto a 53% dos entrevistados concordarem que “a lei brasileira protege estupradores”, idem: é uma mostra de que o mesmo povo que cai no ICCF também acha que é preciso punir mais estupradores. E tome projeto de Jair Bolsonaro contra o coitadismo do PSOL na caçoleta.

Será que os gênios da análise social, do pobrismo e do discurso progressista e propaganda feminista do Datafolha têm coragem de fazer o mesmo tipo de recorte para as eleições?

Nessas horas, tudo o que podemos lembrar de leituras de manchetes da Folha sobre pobres e ricos se inverte: o chocante são manchetes como “Candidato que não é petista tem mais votos entre a elite branca”, sem notar que a elite é elite justamente pelo mesmo curso superior que faz com que alguns não caiam na barbeiragem de uma frase que diz algo universal, mas que separa os ricos do ensino superior e hashtag no Twitter e leitorxs de blogs feministas dos pobres que repetem um dito popular sem atentar para seus detalhes e as conseqüências aparentes.

Há uma pesquisa que o Datafolha deveria fazer: qual o percentual da população brasileira que acredita no Datafolha? Esquerda ou direita, ricos ou pobres, instruídos ou peões, correríamos o risco de conseguir a primeira pesquisa com resultado unânime no Brasil.

Hashtag #naomerecoserestupradaBasta lembrar de como “institutos de pesquisa” foram citados na Lava-Jato para produzir pesquisas pró-PT, e a Folha, com seu vezo de copiar quase ipsis litteris os textos do Estadão, omitiu justamente esta passagem. Terá sido o Datafolha? Something is rotten in the state of Denmark.

Para não cair na logorréia da militância massificada, veja também Estupro, cultura e culpa – Vamos desmontar as farsas, compilado gigantesco de tal narrativa montada pelo Datalha por Felipe Moura Brasil. Não foi a primeira vez que o Datafolha tenta emplacar essa: certamente não será a última que irá engabelar justamente quem jura que não confia na mídia.

Ou também pode abraçar os petistas que caíram na Lava Jato e irem presos. Será que estupradores são enaltecidos justamente entre criminosos como tenta fazer crer o Datafolha?

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  • “ela deixa claro que a população acredita que quando uma mulher veste roupas curtas ou sensuais a chance de estupro é maior.”
    – E não é um fato? Assim como andar contando dinheiro na rua aumenta a chance de assalto?

    “A população reconhece que uma boa educação é suficiente para evitar muitos casos de violência sexual (seja contra mulher ou homem).”
    – Não, não reconhece. Aliás, isso seria contraditório com a frase anterior. Diz que ajuda. A não ser que “evitar muitos casos” é que seja suficiente como medida de segurança. Aliás, reparou que quando a população discorda de você, você a critica; quando aparenta concordar, você a louva? E, no primeiro caso, quer corrigi-la com a panacéia da “educação”?

    “Nesse sentido, projetos que visem apenas punir criminosos não são o suficiente, é necessário uma boa educação (e aí entra discussões de gênero nas escolas) para evitar tais crimes.”
    – Educação é valor. A ideologia de gênero (que existe, e eu sei bem a diferença entre gênero e sexualidade – vide as idéias loucas de uma feminista retardada como Judith Butler em seu Gender Trouble) nada tem a ver com isso. É propaganda usando casos graves para enfiar uma ideologia maluca goela abaixo de crianças e adolescentes. Novamente: nada tem a ver com estupro.

    Sobre feminismo, também te recomendo ler as críticas a esse pensamento assassino, inclusive de ex-feministas escorraçadas do “movimento”. E olha que várias continuam tentando salvar a palavra “feminismo” (esse vício de quem não entende de linguagem…), como Christina Sommers e Camille Paglia. Leia, por exemplo, O outro lado do feminismo, que vivo recomendando por aqui. Para não falar em autores hoje fáceis de serem lidos no Brasil, como Roger Scruton e Theodore Dalrymple.

    Abraço!

  • Vander Lei

    Mulher pelada protestando “não mereço ser estuprada”?

    Se o Sr. Spock ainda fosse vivo, diria: “ISSO NÃO TEM LÓGICA!”

  • Marcio, não é de hoje que estudo linguagem. Toda a sua crítica é calcada na idéia de um leitor racional, que parou, refletiu, buscou suas leituras de Plotino a Robert Nozick da memória e concluiu se uma vítima pode “reclamar” ou não. Gostaria que o mundo fosse como descrito por você, mas infelizmente não é: se assim o fosse, marqueteiros eleitorais apresentariam tratados de fenomenologia e ciência política, e não musiquinhas e chavões.

    Não creia que o povão sabe, como você coloca, “estabelecer até mesmo diferença entre a palavra culpa e responsabilidade”. Sugiro dar um passeio pela periferia e conversar com o seu Zé no bar da esquina sobre o que você tenta explicar. A expressão (note: não é só uma palavra, é uma expressão) “não pode reclamar” não é usada em sentido estrito por tais pessoas (mesmo porque, como exposto no artigo, as outras respostas dadas iriam contra tal interpretação forçada, contradição que o Datafolha e você provisionalmente “ignoram”).

    Quando uma mãe diz pro filho: “Não ande com dinheiro na mão na rua, depois é assaltado e não pode reclamar”, ela não está dando nenhuma sentença jurídica ou mesmo moral: está usando uma expressão consagrada da língua popular para dar um aviso. Num país em que 80% dos universitários (aqueles 7,3 milhões de estudantes, que dirá o restante do povo) são analfabetos funcionais, creio que você está exigindo demais da população para entender sua correta delimitação jurídica.

    Isso nada tem de “naturalização da violência”, pelo contrário: as pessoas tomam como um aviso, como um pedido de moral, e o Datafolha tenta forçar a interpretação oposta. Pura manipulação lingüística. Naturalização é coitadismo. O povo odeia bandido.

    Quanto a “extremismo”, não tenho pretensão de ser “moderado” em relação à verdade e a estuprador. Sobre Jair Bolsonaro e essa totalitária ideologia de gênero, que deve ser rechaçada até a última vírgula, recomendo: http://sensoincomum.org/2016/09/23/uniforme-unissex-ideologia-genero/

    Um abraço.

  • Guilherme, dois pontos: terroristas islâmicos estão fazendo com cristãos “o mesmo” que as Cruzadas fizeram com eles? Não lembro de nenhuma Cruzada que tenha imposto o cristianismo sobre países islâmicos e degolado à faca fria quem não se convertesse, estuprado suas mulheres, escravizado suas crianças, atirado os gays de prédios etc.

    Sua visão histórica é determinista. Acredita que criminosos “econômicos”, como ladrões, são culpados, mas são vítimas da sociedade. É aquilo que o pai de Chris Kyle lhe diz no começo do filme Sniper Americano (não me lembro de ter lido essa cena no livro): “Há pessoas que não acreditam que exista o mal, são ovelhas e vítimas dos lobos. Quem for pastor deve usar seu dom para proteger as ovelhas”. Quanto mais estudei na vida, mais percebi a sabedoria do cristianismo: há o mal dentro de cada um, e não há a “desculpa social” para o ladrão que não há para o estuprador. Pobreza foi o estado natural da humanidade (vide: http://ordemlivre.org/posts/uma-unica-licao-de-economia), foi justamente proibir a pilhagem que gerou a sociedade rica que você vê hoje.

    Cuidado com a visão determinista (e mesmo “dialética-materialista”) da história. Ela nunca funcionou como o recorte reducionista que fazem. Essa “causa histórica” é sempre uma desculpa para nos tomar alguma coisa e inventarem uma ideologia mentirosa para nos cegar para o mal ao nosso redor – sobretudo o mal de quem impõe tais ideologia.

    • Guilherme Taffarel Bergamin

      Ok, Flávio… Vamos usar palavras melhores…

      “Eles estão fazendo com o ‘ocidente’ (porque foda-se a religião) o que eles acreditam terem sofrido no passado”, e sabes muito bem que geralmente, a vingança é mais sangrenta do que a primeira inticada, porque quem sofre, aumenta a história.

      Digamos que eles acreditam estar realizando algo semelhante a inquisição, eliminando todos os impuros (não apenas com fogueiras. São um pouco mais criativos, eu concordo). Pelo menos tem uma coisa que eles fazem que é mais congruente com relação a religião que é proibir idolatria… Eu nunca intendi porque raios existem estátuas em igrejas… Achava que pela lei de Deus, idolatria era crime…

      Sobre ladrões serem vítimas da sociedade. Eu nunca disse isso. Ladrão é ladrão. Vai do caráter da pessoa. Tanto é que nascer em uma favela não torna ninguém ladrão.

      O que eu quis dizer é que o descaso dos governos causado pela ganância por poder causa a pobreza, o que por sua vez, leva a violência.

      • Noto apenas que a Inquisição não foi feita contra “impuros” (mesmo porque sempre foi possível ser judeu, muçulmano ou ateu na Idade Média), e sim contra heresias. Qual era a principal a ser punida? A dos cátaros, que em grego significa justamente “puros”. O que eles pregavam era algo bem parecido com o nazismo, de dentro da Igreja. Era isso que a Inquisição combatia: idéias de aplicação social próximas do nazismo.

        Sobre idolatria, desde infância, quando não era católico, sabia que ter ícones é completamente diferente de adorar imagens. Mas reduzir o terror salafista degolando pessoas à iconoclastia soa um pouco exagerado.

        Pobreza, como disse, nunca gerou criminalidade: o estado natural do homem é a pobreza: http://ordemlivre.org/posts/uma-unica-licao-de-economia

        • Guilherme Taffarel Bergamin

          Verdade… eles têm sido um tanto quanto extravagantes com relação a idolatria… Até achei interessante que não brotou nenhum querendo derrubar o Cristo Redentor durante as olimpíadas.

          Sobre os ícones não serem idolatria, isso está claro para a igreja, mas não para os fiéis. Canso de ouvir histórias de gente botando estatueta de santo de cabeça pra baixo, debaixo d’água e rezando diretamente para o “santo” de gesso que tem em casa ou romarias entre outros eventos de caminhada com uma estátua de alguma das dezenas de Marias na ponta ou com pessoas se atropelando pra segurar uma corda por algum motivo.

          Essa da corda é o que mais buga meu cérebro com relação a idolatria, porque de real originalmente era só pra ajudar a puxar o negócio. Parece que trocaram uma junta de bois por essa corda se não me engano e malgum ponto da história e agora uma montoeira de gente se junta pra segurar a corda. Estão mais atrapalhando do que ajudando. Parece que a razão some dessas pessoas e acham que vão alcançar alguma coisa espiritual ao tocar na corda. Pra mim, parece um caso claro de idolatria.

          Ok, por impuro eu quis dizer herege… Alguém que faz algo diferente do que o deus da religião em questão mandou fazer (ou o que quem faz parte da cúpula da religião quis interpretar). De qualquer forma, métodos semelhantes (morte a quem pensa diferente).

          A pobreza pode não gerar a criminalidade diretamente (como disse antes, o cara pode nascer em uma favela e não ser ladrão), mas propicia o empurrão necessário nos fracos de vontade para que eles resolvam seus problemas pelo caminho mais fácil.

  • João Marcos

    Por que o DATAFALHA não perguntou: “Qual a punição adequada a estupradores?”
    Fim.

  • (pela religião da paz, a mulher estuprada, se não tiver 5 testemunhas [!] a seu favor, ainda é punida com chicotadas pelo sexo fora do casamento).

    Não tenho certeza, mas não eram quatro testemunhas homens?

    De qualquer forma: Que fique claro, isso é uma faca de dois gumes.
    Uma mulher de destaque pode, sem tanta dificuldade em locais mais secularizados e ginocêntricos como o Irã ou mesmo a Arábia Saudita, obter tal montante de testemunhas a fim de acusar um homem pobre injustamente, ao mesmo tempo que uma mulher pobre/comum pode ser violentada por mais de vinte e ainda ir presa.

  • Emerson Andrade

    Como é brother? a DataFolha é Petista? então se não me engano. qual foi a fonte de estatística que deu pro Aecio 54% contra 46% Dilma nas vésperas das eleições? Quem contratou o kim kataguiri para ser seu colunista? esse senso incomum ta mais pra semsensodoridiculo.

    • A mesma que desinflacionou várias das manifestações anti-Dilma?
      E daí que eles contratam o Kim? Por algum acaso isso os torna “de direita”, ao mesmo tempo que mantêm o Sakamoto, e ao mesmo tempo que mantêm em seu grupo o UOL, que adora pautas progressistas baseadas em mentiras?

      Já ouvi falar em visão binária, mas isso já é ridículo. Qual a próxima, dizer que a Marta sempre foi de direita?

  • Dirceu Melo

    Cara, muita forçação de barra tentando desqualificar uma pesquisa que aponta uma realidade que não tem como ser vivenciada pelo autor, pela simples questão de não ser mulher. Falta empatia a nós, homens, para aceitar que o problema existe, é sério, é crônico, e que precisa sim da nossa intervenção cotidiana, nos pequenos gestos. O que eu li, ao meu ver, é o choro chato de um cara tentando manter os seus privilégios ao ver o mundo sendo chacoalhado por uma luta muito válida. Talvez o autor precise se tocar que estamos em 2016, não no século passado.

    • Falta a você senso de ridículo ao apelar para um ad hominem tão rasteiro, seguido de tantas lágrimas de crocodilo.
      Em momento algum você sequer toca no assunto tratado, apenas desvia para ataques baratos ao argumentador. “A meu ver”, você é só mais um idiota típico de DCE de faculdade foderal.

      Aliás, deixa eu te perguntar: tu já estupraste quantxs esse mês? “Nós homens” ainda estamos esperando seu relatório mensal de estupro, já é a segunda vez que você atrasa, hein?

      Nível de argumento 6 na Pirâmide de Graham. Fraco, típico de esquerdista pós-moderno calcado na “vivência” e que de verdade não tem vivência nenhuma.

      No mais, fique com a resposta de suas amigues:
      http://imgur.com/a/ubPHm

      • Dirceu Melo

        Choro aí eu tô vendo é do autor do texto e do monte de gente que questiona os dados da pesquisa, sem realmente entender do que tá falando. Faz um favor: chora mais, tá pouco.

        • Chora dizendo que não está chorando, fala muito e não diz nada. Tão típico de pósmo…
          Meus olhos estão secos. Já os seus seriam mais úteis lá na Guarapiranga, ou no meio do sertão do Piauí, à sua escolha.

    • Helber Lessa

      Se vc e pessoas que concordam com vc não recorressem a tantos chavões ( e sempre os msms)para se expressar em td que falam, seriam levados mais a sério.

      Eu não sei qual é o privilégio que esse texto ajuda a manter, mas sei que para entender um problema eu preciso de inteligência e não de emoções e “experiência”, além de que várias mulheres com “experiência” concordaram com o post.

      Acredito que uma pesquisa com frases mais sérias e objetivas como “vc acha que se um homem estuprar uma mulher com roupas curtas ele não deve ser preso pois não fez nada de errado?” ou algo do tipo apresentaria um resultado diferente, mas propositalmente é sempre a msm: uma pergunta que pode dar margem a interpretar se o questionamento é se há relação causal entre estupro e roupas (o que não existe, mas não é “machismo” e sim ignorância estatística)

      Acredito que parte desses 30% crê que a roupa dê legitimação moral aos estupradores, mas não tds.

    • Luan Garcia

      Então quem é homem não vivencia a realidade do abuso? Prazer, sou homem e já sofri abuso. E não me venha falar em empatia depois de fazer um comentário desses.

      • Ilbirs

        Vamos sempre lembrar que o mais recente chavão solto por esquerdistas, o da “empatia”, deve ser entendido como “empatia para com psicopatas”. Esses chavões vão sendo encadeados com outros anteriormente soltos, como se fôssemos montar uma casinha ou um carrinho com Lego. No caso do cara a quem respondeu, ele falou de “vivência de realidade”, “aceitar que o problema existe”, “privilégio” e “estamos em (insira o ano em que se está)”.
        O problema é que ninguém mora em uma casinha ou dirige um carrinho de Lego. Aliás, uma casinha ou um carrinho de Lego pode ser algo real, mas depende da fantasia de quem o construiu para ser algo além de uma casinha ou carrinho de Lego. A questão é que esses caras tentam nos convencer de que seus bloquinhos encaixados são a realidade, mesmo que olhemos para fora e vejamos o que é a realidade que esses bloquinhos encaixados tentam representar e saibamos que ela é muito mais complexa e detalhada que o discurso que eles querem nos fazer convencer que seja a realidade.

  • Rodrigo Batista

    NÃO SE PODE NUNCA CULPAR A VÍTIMA PELO CRIME!!!!

    Bom, a não ser que a vítima seja branca e de classe média. Aí com certeza a culpa é toda dela… certamente tava ali de bobeira e deu mole com o celular e você sabe, camarão que dorme a onda leva…

    A CULPA DE UM CRIME É SEMPRE DO CRIMINOSO!!!

    A não ser que o agressor seja muçulmano. Nesse caso, a culpa, todos sabemos, é das cruzadas, do imperialismo ocidental e da intolerância islamofóbica da civilização judaico-cristã…

    Esse caso é apenas mais um caso da “infowar” que você tanto chama atenção Flávio. São slogans repetidos ad nauseam até que virem verdade em algumas mentes avulsas… Claro q elas não precisam fazer sentido e se forem completamente contraditórios, também não tem problema nenhum, porque essa gente acha que lógica é apenas uma afetação pequeno-burguesa…

  • Ricardo Bordin

    Se eu disser que uma pessoa que fica duas horas caminhando pelas ruas da Vila Zumbi (periferia de Curitiba), entre 3 e 5 da matina, com um rolex de ouro no pulso, NÃO PODE RECLAMAR SE FOR ASSALTADA, 100% das pessoas vai concordar comigo! Qual a diferença feminista?

    Os progressistas respeitam muito a sabedoria popular – a não ser quando 80% do povo quer a redução da maioridade penal, ou o mesmo percentual é contra o desarmamento. Daí é melhor deixar o intelectual maconheiro decidir por nós!

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/09/21/ataques-terroristas-suicidas-prescindem-de-planejamento-para-o-desespero-das-forcas-policiais/

  • Diego Web

    É muita canalhice desse Data Folha.

  • Helber Lessa

    Outro dado que creio que não confio quanto a isso é a história de que só 10 ou 30% das vítimas denunciam.Certamente há sub-notificação, mas não acredito que seja possível calcular a porcentagem de casos não-denunciados.

  • Helber Lessa

    Sempre achei que essa discussão só é tão grande pela dificuldade e principalmente falta de vontade em diferenciar (por motivos desonestos) uma análise de se há relação causal entre o comportamento feminino e o estupro de uma culpa moral por parte da vítima, como seu artigo demonstra perfeitamente serem duas abordagens diferentes.

    Do primeiro ponto de discussão, dizer que uma mulher, se fizer X, tem mais chances de ser estuprada, não é imoral e nem culpá-la moralmente,da msm forma que os hipócritas do “Vamos juntas?” não estão, objetivamente (mas pelos padrões deles, sim), colocando a culpa sobre as mulheres por apontar uma suposta forma de proteção, que no meu entender são ambas falsas pois a maioria dos estupros não ocorrem na rua e nem por desconhecidos que não aguentam controlar a libido.

    Não consigo achar a fonte agora, mas lembro de ter visto que o número de homens que denunciam estupros no Brasil por ano é maior que o de mulheres mortas…Se for isso msm, já é algo a ser levado em conta, principalmente nessa questão do medo, pq certamente as mulheres tem bem mais medo de serem mortas do que nós de sermos estuprados.
    Isso evidenciaria que medo de X pode ser mt mais histeria ou lenda urbana que demonstração de percepção do crime diretamente proporcional ao número de vezes/vítimas que o crime ocorre/faz.

  • Felipe Ken Ueda Kronéis

    Encomendado pela FBSP e ainda cita a famigerada pesquisa do IPEA

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