Os jornais fazem torções terríveis para não chamar Fidel Castro de ditador. Por que não fazem o mesmo com outros totalitários, como Hitler?

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Humberto Fontova chamou sua biografia de Fidel Castro de “O tirano mais amado do mundo”. Se há uma prova do que Fontova diz, é o tratamento da sua morte pela imprensa.

Por algum motivo bem pouco misterioso, os jornalistas passam em uníssono a dançar o créu número 5 para não chamar o genocida totalitário que transformou a pequena ilha caribenha de Cuba na maior propriedade particular do mundo, fazendo Donald Trump, o “magnata”, parecer um limpador de sapatos perto do patrimônio de Raúl e Fidel Castro.

É “presidente” para cá, como se tivesse sido eleito por alguém. É “líder” para lá, como se liderasse alguma coisa, além de usar toda a população cubana como seus escravos para seu projeto pessoal de poder. E ainda tem o ocasional “comandante”, duas páginas depois de reclamar de alguém no Brasil ainda acreditar em “intervenção militar”, tratando toda a população cubana como uma hierarquia militar que deve se submeter a seu comando porque aí sim nos livraremos dos autoritários capitalistas.

Logo, provavelmente, sairá a palavra “polêmico”, como se um ditador totalitário, por ter seguidores (a hashtag #FidelEterno já é uma das 10+ do Twitter no Brasil nesse momento) deixasse de ser ditador. Adolf Hitler, por sinal, também tem seguidores. O tratamento dado à sua morte foi um tanto diferente.

Adolf Hitler is dead. Adolf Hitler está morto.

Tais jornalistas não parecem se perguntar quantos cubanos (e pessoas de outros países) morreram para a implantação do desastroso totalitarismo socialista cubano – aliás, “socialista” ou “comunista” são palavras que nunca veremos no noticiário, para não pegar mal.

Nunca perguntarão quantos livros o “sistema de educação cubano”, que tem 2% de analfabetismo (contra 3% da América, e que já estava em 3% na época de Fulgêncio Batista), permite que os cubanos leiam, além do Granma, o jornal do Partido Comunista, que é usado como melhor fim como papel higiênico pelos cubanos, na falta do original.

Dilma Rousseff com Fidel CastroNão há um esgar de dúvida a respeito do “sistema de saúde cubano”, que nunca curou nenhuma doença, trata noções de curanderismo como “medicina”, inventa uma pastinha que “evita câncer” segundo eles próprios e cujos médicos, quando vieram ao Brasil pelo Mais Médicos de Dilma Rousseff, não precisaram fazer o Revalida em caráter exclusivo e chegaram a receitar remédios para gripe para doenças mortais.

Tampouco se questiona todo o modelo socialista desenvolvido em Cuba, que precisou viver de esmolas da União Soviética para não matar toda a população de fome, e cujos trabalhadores recebem tão somente US$ 15 por mês (o equivalente a duas horas de trabalho em Miami), com todo o resto ficando com o governo, num dos maiores impostos do mundo para a população viver com menos de dois dólares por dia, a marca da situação de miséria pela ONU. Mas, claro, tendo tudo totalmente “grátis” já que é “dado” pelo governo socialista.

Sabe-se muito bem por que a mídia não chama Fidel Castro de ditador: porque a liberdade que ainda desfrutam no Ocidente é o que mais odeiam, e o que mais gostariam era de trabalhar no Granma.cu, com uma população que não pode acessar internet e informações livremente, para não ter concorrência.

E toda a sua visão de mundo, na política, na econômica ou onde for, é calcada em palavras de forte impacto psicológico, como “desigualdade”, mas escondendo fatos de fortíssimo impacto visual, como a miséria de Cuba e a opulência de Fidel Castro. Para não falar nos paredóns, nas prisões políticas, nos hospitais nojentos…

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  • Aramis DeBarros

    A grande mídia brasileira está entre as coisas mais degradantes com quais temos de lidar em nosso cotidiano.

  • Pedro Sousa

    Muito mais fácil é a extrema-direita comparar castro com Hitler.

  • Carlocarlus

    Sem esquecer que a mídia e universidades brasileiras foram dominadas pelos marxistas depois do regime militar no Brasil. Está no sangue dessa gente.

    • Tiago Matheus Schneider

      E o pior é que as universidades particulares também começaram a sofrer com esse câncer comunista. Só bolsista e cotista no comando dos DCE.

  • jorge santos

    Para ser justo, o âncora Fábio Willian e o repórter Marcio Gomes, do Jornal Hoje, se referiram à besta por seu verdadeiro qualificativo: ditador. Pena que foram somente duas exceções em meio ao mar de lambe-sacos comunistas da mídia, principalmente da Goebbelsnews.

  • jorge santos

    Sem contar os exemplos mais “recentes”: morre o ex-ditador Pinochet, o ex-ditador Salazar, ex-ditador Franco,…Essa mídia comunista não passa de um bando de canalhas de pai, mãe e descendência!

  • Allan Bulova

    Que esse verme esteja no inferno.

  • PHSA

    Interessante uma certa contradição da Globo ao dizer que o embargo impediu Cuba de crescer e em seguida falar dos negócios do país com o Brasil, mostrar a relação do Fidel com nossos presidentes, com Hugo Chavéz, etc. As vezes acho que esse pessoal nem lê o que escreve.

  • Ilbirs

    A morte de Fidel torna-se um detalhe em relação ao regime cubano atual, uma vez que o poder já havia sido passado ao irmão Raúl. E é agora que entro nas partes importantes:

    1) Fidel morreu, mas a estrutura criada durante as muitas décadas da ditadura por ele instaurada continua firme e forte. Isso significa um serviço secreto que inclusive já estava funcionando a plena força quando da madrugada de hoje, além dos inspetores de quarteirão espalhados pelo território inteiro do país, isso sem falar da ingerência sendo feita na Venezuela (Avispas Negras) e a exportação de um conhecimento que dificulta ao comum do povo remover um tirano do poder, vide o que ocorre em nosso vizinho fronteiriço ao norte;

    2) Vamos também prestar atenção aos próximos anos, pois estamos vendo Cuba seguir um caminho assemelhado ao da Coreia do Norte e na prática ter se tornado uma monarquia, ainda que use uma estrutura política de república. Se na Ásia temos o terceiro Kim, em Cuba temos o segundo Castro e é bem certo que já tenha um terceiro preparado para quando Raúl não mais puder governar. Quem olhar para a geração seguinte irá notar que inclusive os filhos de Fidel e Raúl ocupam posições importantes no regime, seja poder direto ou indireto. Como em Cuba a revolução há muito passou da fase de normalização, dá até para deixar mais claro que militâncias de minorias são uma ferramenta de manutenção do poder, como podemos ver pela função de Mariela, filha de Raúl;

    3) Ainda nessa história de uma hidra que perde uma cabeça mas continua sendo uma hidra, o mesmo vale para o Foro de São Paulo, que pode estar combalido com os acontecimentos políticos recentes mas ainda é força importante. A entidade fundada por Lula e Fidel também está naquela base de poder sobreviver sem uma figura visível, aqui também contando a derrocada lulista. Portanto ainda há forte risco de ingerência na América Latina, agora sem rosto tão identificável;

    4) Não há mais o risco de criar um mártir caso a morte de Fidel ocorresse por obra de algum serviço secreto não cubano e essa é uma fraqueza importante da ditadura de Raúl, ele próprio sempre tendo agido de maneira mais discreta que a de seu irmão. Como Fidel pediu para ser cremado, não teremos também um corpo exposto em caixão de cristal ou um túmulo para que haja peregrinação de comunistas. Resta agora saber explorar isso de alguma forma, ainda que se possa considerar Raúl Castro como protegido de China e Rússia.

    Ainda que haja a possibilidade de estarmos vendo em tempo real o comunismo se encaminhando a um caminho de insignificância futura, não podemos considerar isso tão certo se pensarmos na dinâmica revolucionária e sua persistência mesmo após séculos de tempo e transmutações diversas. Antes da morte de Fidel tivemos as de outras tantas figuras proeminentes e mesmo assim continuamos a falar de algo com foice e martelo como símbolo. No caso de Cuba há o agravante de ser uma ilha e, portanto, isolada pelo mar e tendo uma configuração geográfica que por si só favorece o reinado de terror que vemos ocorrer por lá há quase seis décadas.

  • Alexandre Zamariolli

    O nome do website do Granma não poderia ser mais adequado…

  • Emanuel

    Espero, com a morte de Fidel de Castro, Cuba se transforme num país livre… Que a fortuna de Fidel de Castro, avaliada em 550 milhões, seja colocada ao serviço do povo, que tanto sofreu…

  • Carlos Alberto Guedes Pereira

    Nem precisa ir tão longe ao tempo de Hitler, para constatar o duplipensar, atualmente só chamam o presidente Bashar al-Assad de ditador.

    • Rodrigo Ribeiro

      A dificuldade da mídia em chamar Fidel Castro de ditador é a mesma dificuldade que temos em chamar a mídia de criminosos. É a mesma dificuldade que temos em ficar, como asnos, empacados testemunhando quando um pivete assalta alguém na rua e, com total indiferença, nada fizemos. E que dificuldade é essa? Criamos um monstro, e perdemos o controle sobre ele.

      É paradoxal testemunhar, por exemplo, o venezuelano: milhões na rua tentando derrubar um tirano que foi alçado ao poder por eles mesmos! É como esperar que o próprio establishment possa se extinguir pelas leis criadas por ele mesmo! É hilário, pois o establishment em si é criminoso!

      Por isso eu, no fundo, acho graça de patetas que resolvem entortar suas panelas e se fantasiar de pintinhos amarelinhos para exigir que um establishment criminoso revogue a si mesmo! Estão na realidade fomentando o ímpeto criminoso a patamares ainda mais altos, pois qual canalha, lá naquilo apelidado de “Congresso e Senado”, não aproveita-se da comoção da plebe para emplacar ainda mais crimes, sob a forma de leis?

      Esta semana, por exemplo, tivemos a maior prova de que a sorte realmente favorece os maus, ao testemunharmos o terrível oportunismo dos nossos congressistas em aproveitarem-se de uma tragédia (avião da Chapecoense) para julgarem e inocentarem-se dos seus próprios crimes em seu próprio tribunal (o congresso)? E para criar a perfeita distração (o avião parece que não foi o suficiente), ainda convocaram os palhaços mais horrendos que a indústria do entretenimento e distração já pode criar: os ditos “movimentos sociais”, nas figuras das tenebrosas UNE, MST e outros, fazendo o que sabem fazer de melhor: criar distrações para que o boi de piranha seja sacrificado.

      Enquanto nossos nobres representantes compravam sua própria inocência no seu próprio tribunal, seus lacaios de plantão criavam um efeito dispersivo na frente do congresso, ao passo que outros lacaios, todos pilotando confortáveis cadeiras em redações climatizadas de jornalecos à soldo do erário público publicavam unicamente a respeito do ‘show pirotécnico’ que era exibido em frente ao congresso. Algum pio sobre o que realmente os congressistas fizeram naquela noite? Hmmm… absolutamente nada.

      Enfim minhas crianças? Como vocês realmente esperam derrubar tal leviatã? Com panelinhas e fantasias de carnaval? Esperam derrubar um monstro como esse dentro da arena que ele próprio criou?

      É complicado heim?

  • Alexandre Patriarca

    Já vai tarde, ditador assassino!!!
    2016 está sendo um ano de glória!
    (E o ano ainda não terminou!)
    Estamos testemunhando a Divina Providência atuando na História.
    Só não vê quem não quer. Os sinais estão aí, para todos verem, contemplarem (a palavra “theoria” em grego: observar, ver, contemplar…).
    JÁ VAI TARDE DITADOR ASSASSINO!!!

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