Depois do descrédito da mídia em 2016, agora o Facebook marcará como #FakeNews sites de "notícias falsas". É melhor a dúvida ou a censura?

Guten Morgen, Brasilien! Enquanto o Brasil vira do avesso com seu conflito entre Congresso e STF, a América ainda tenta se curar de sua ressaca com a eleição de Donald Trump com mais vodka. A onda da vez são as tais #FakeNews, as marcações que o Facebook colocará em alguns sites por divulgarem “notícias falsas” que poderiam ter afetado o resultado das eleições.

Tudo se deu porque o quadro de Hillary Clinton foi pego de surpresa, junto com quase toda a mídia mundial (basicamente um telefone sem fio do que dizem CNN, New York Times e Economist), a respeito do resultado das eleições americanas.

Nossa vaidade (mas também nosso realismo) não cansa de repetir: nós acertamos. Será mesmo que foram as #FakeNews que definiram o resultado do pleito que sagrou Donald Trump como presidente americano e futuro provável homem mais poderoso do mundo? Não será algo mais grave: a mídia tradicional, a grande mídia arcaica, perdeu completamente a credibilidade da população, inclusive suas “pesquisas” de opinião que querem, na verdade, manipula a opinião pública, num processo de datafolhização do mundo?

Sem credibilidade, os grandes e velhos veículos querem se livrar da concorrência que a internet permite: os pequenos sites e mesmo blogs que, com pesquisas de estro próprio, acertam muito mais, explicam muito mais, não usam o vocabulário anódino da censura do politicamente correto e ganham muito mais credibilidade da população. Assim, se estes sites produzem um conteúdo que a mídia não considera “verdadeiro”, entra em conluio com grandes empresas como o Facebook para impedir que sua narrativa dos fatos seja cotejada, colocada em perspectiva, comparada com outras e, afinal, desacreditada. Assim, qualquer informação que não esteja numa CNN ou New York Times ou numa Rede Globo ou Folha de S. Paulo será marcada como #FakeNews.

Problema número 1: e o cabedal de notícias falsas veiculadas pela grande mídia e pelos sites e blogs que fizeram torcida organizada por Hillary Clinton, juraram de pés juntos que o Brexit era uma idéia de “extremistas” que nunca ganharia o plebiscito e que o acordo de paz com os terroristas das FARC era uma coisa maravilhosa a ser celebrada? Serão todos marcados como #FakeNews?

Se for assim, temos uma sugestão: este Senso Incomum acertou tudo o que projetou. Nós podemos resolver o problema marcando quem errou enquanto acertamos como #FakeNews. Que tal? Podemos começar com todos os que erraram sobre 2016 enquanto acertamos todos os detalhes. Quem vai sobrar além de nós?

Basta lembrar de Folha, Independent, NY Post e tantos outros caindo em um boato ridículo sobre a CNN ter veiculado meia hora de sexo explícito hardcore ao invés de sua programação. Quem mais analisou a situação além de nós?

Problema número 2: se “notícias falsas” existem (existem mesmo nesse número? são capazes de definir resultado de eleições? vêm todas da “extrema-direita”?), é um problema menor do que todas as notícias do mundo serem filtradas por burocratas e pessoas que nem conhecemos para que acreditemos no que é verdade ou não. Como já avisamos aqui (!), é o Ministério da Verdade e da Felicidade Virtual. Afinal, quem é melhor para dizer a você o que é verdade: você mesmo e suas sinapses, ou quem Mark Zuckerberg e quem mais errou na mídia mandar você acreditar?

Será que ninguém percebe que a liberdade de expressão está mais ameaçada do que nunca? E que, afinal, os “especialistas” deveriam se preocupar mais em fugir de seus esquematismos de pensamento e estudar melhor, ao invés de marcar o que não gostam como #FakeNews? Isso não valeria, afinal, muito mais para eles próprios? E ninguém percebe que toda a onda de censura veio logo depois de eles próprios mostrarem que não conseguem mandar no povo, fazendo-o com que vote em quem eles querem?

É o último ataque na infowar, a guerra de narrativas que define a política na sociedade da comunicação de massa. Agora transformada em netwar, uma guerra em rede, será novamente controlada por grandes corporações de mídia determinando no que devemos acreditar.

Isso explica muito sobre o modo de pensamento da esquerda, por isso esse episódio é ainda mais especial em ser apresentado a quem segue tal linha de pensamento: para resolver um problema, criam um monstrengo, um Leviatã moderno, algo com poder infinitamente maior do que o poder que quer combater, sem perceber o monstro que acaba de criar e alimentar. A esquerda tenta ser Viktor Frankenstein, vencendo a realidade e criando um pequeno monstro pessoal, mas na verdade cria o monstro devorador de mundos.

Isso tudo, e mais física quântica, Santo Agostinho, Braincast, Chapecoense, mitologia e a morte de Fidel Castro neste episódio do Guten Morgen, o podcast do Senso Incomum. A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto, no estúdio Panela Produtora. Não se esqueçam de comprar o CD “É Natal” e tantos outros na loja da Panela.

Guten Morgen, Brasilien!

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  • gpinho

    Flávio, os LIVROS!!!!!

  • João Paulo

    Excelente gostei muito de conhecer o podcast acompanhá-lo-ei.

  • Flávio, obrigado por “sujar os ouvidos” ouvindo o braincast e nos poupando disso! 😀

  • Obrigado pela tentativa, José! O Patreon exige cartão de crédito internacional, infelizmente. Estamos tentando viabilizar pagamento em real pelo PagSeguro, mas, graças à burocracia do Brasil, a coisa é incrivelmente mais complexa do que um site gringo… Espero que em breve já possa te dar boas novas! Muito obrigado!!

  • Guilherme Santos

    Cadê o guten morgen 25?

  • Obrigado pela correção, João!

  • Morgen, posta os livros, ômi!

  • Enéas Carneiro

    Que bom, já ia escutar o episódio antigo novamente.

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