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A decadência da Europa, continente irreconhecível face a duas décadas atrás, não é apenas política: é sobretudo cultural. Por Tom Martins

“Tempos bons geram homens fracos, que criam tempos difíceis que, por sua vez,
geram homens fortes, que criam tempos bons.” (Dito popular)

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Zeus era apaixonado pela princesa Europa, filha de Agenor, rei de Tiro, antiga cidade fenícia. Sabendo que ela admirava os touros de seu pai, Zeus tomou a forma de um touro branco e, após os touros serem conduzidos por Hermes até a praia, Zeus aproximou-se dela e deitou-se a seus pés. Europa, admirada com aquele belo e manso touro branco, subiu nas suas costas. Aproveitando a oportunidade, Zeus a raptou, levando-a através do mar até a ilha de Creta.

Revelando a sua identidade, Zeus tentou violá-la, mas Europa resistiu, até que Zeus, transformando-se em uma águia, finalmente conseguiu subjugá-la num bosque de salgueiros.

Europa teve três filhos com Zeus: Minos, que se tornou rei de Creta, Radamanto e Sarpedon. Entre os presentes que ofereceu a Europa, Zeus recriou a forma do touro branco nas estrelas que compõem a Constelação de Touro.

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Constelação Taurus, em representação de Johannes Hevelius (1611-1687)

Em homenagem à mãe de Minos, os gregos deram o nome de “Europa” para o continente que ficava ao norte da ilha de Creta.

Isso ocorreu cinco gerações antes do nascimento de Hércules, milênios antes do continente europeu se estabelecer como centro da cultura ocidental.

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Desde então, dois milênios se passaram, dos primórdios da cultura européia, fundamentada pela moral judaico-cristã, a filosofia grega e o direito romano, chegando ao seu apogeu, até a sua queda, no século XXI.

Hoje a Europa, enfraquecida pelas comodidades materiais proporcionadas pelo capitalismo liberal da segunda metade do século XX e amedrontada perante o discurso ideológico desagregador neomarxista, está novamente deslumbrada com um touro branco e supostamente manso.

Porém, desta vez, quando o touro revelar a sua cruel identidade, a Europa não será estuprada por um deus apaixonado, mas pela horda de bárbaros invasores, pelas políticas abortistas, pelo crescente controle globalista, pela auto-censura politicamente correta, pela ideologia de gênero, pelo consumo de drogas, pelo decréscimo populacional, pelo niilismo, pela desvalorização ou criminalização dos aspectos masculinos da natureza humana e por tudo o mais que vem junto com o pacote do fim de uma civilização.

A Europa não irá ganhar de presente de seu estuprador um Talos, o gigante autômato de bronze, nem um cão treinado pelos deuses, nem um dardo que nunca erra o alvo.

Seu presente será a submissão e a completa aniquilação, ainda neste século. A grande constelação de Taurus, proeminente no céu do Norte no inverno, será transfigurada em lua crescente e estrela.

Uma história que começou com um estupro vai terminar com outro, muito pior. O touro branco de hoje é o discurso politicamente correto, a sedução relativista, a pusilanimidade travestida de pseudo-pacifismo irresponsável e suicida.

Típico europeu moderno: fraco, irresponsável e suicida.

Não há futuro para uma civilização que renegou os próprios fundamentos morais e culturais que propiciaram seu nascimento e hoje segue completamente perdida, como uma tábua no mar, apodrecendo à deriva. A maior tragédia do século foi a Europa ter renegado a tradição cristã, já podemos ver as conseqüências disso.

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Talvez o caso mais emblemático seja o martírio do bebê Charlie Gard que, vítima de uma doença rara, foi proibido pelos tribunais europeus de receber tratamento nos EUA.

Processo idêntico vem sofrendo o jovem e irrelevante Brasil, macaqueador de todos os mais sinistros experimentos sociais europeus, do marxismo ao desarmamento, do aborto à ideologia de gênero. Já não temos mais identidade nem personalidade, nossa cultura não floresceu como a européia, nós nos tornamos uma sociedade de bandidos covardes, acomodados e depravados. O Brasil conhecerá seu fim sem mesmo haver alcançado o apogeu.

A diferença é que os danos à Humanidade da derrocada da Europa são muito mais severos do que aqueles causados pelo fim do Brasil. A Europa tem Dante, Michelangelo, Shakespeare, Cervantes, Bach, Mozart, Beethoven etc. Nós temos Padre José Maurício Nunes Garcia, Carlos Gomes, Villa-Lobos etc. (que faziam música européia), Machado de Assis, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos etc. (que escreviam em português, uma língua européia). Temos também o samba e o choro, que são fusões entre harmonias, melodias e formas européias e ritmos africanos. Devemos à Europa boa parte de nossa rica e parca cultura.

Tudo isso está prestes a ser aniquilado porque o homem europeu está mais preocupado em fazer sexo, usar drogas, abortar e posar de tolerante, embasbacado pelo touro branco do marxismo cultural.

Resta-nos, como contemporâneos dessa odiosa Nova Babilônia, como meta de vida, lutarmos pela preservação da cultura ocidental. Como numa grande Arca de Noé cultural, guardarmos as obras-primas da Humanidade, todo o conhecimento acumulado em séculos, de modo a dificultar um pouco o processo de dominação, tanto islâmica quanto globalista ou eurasiana.

Os sobreviventes devem estudar latim, filosofia, música, história da arte, literatura etc. a ponto de dominar alguma dessas área e transmitir esse conhecimento para as novas gerações. Não espere nada dos governos; catedrais já estão sendo destruídas, pais já estão perdendo a autoridade sobre os próprios filhos, já vemos perseguições e censura, a morte é a lei.

Podemos ser uma ilha de resistência, assim como a Polônia e Ucrânia, mas, para isso, precisamos de um sopro de coragem e um motivo para lutar. Qual motivo poderia ser maior do que a preservação da cultura ocidental, que proporcionou o maior nível de desenvolvimento e liberdade já alcançado pela Humanidade?

Que o martírio de Charlie Gard seja um símbolo contra a opressão da burocracia governamental sobre os indivíduos; que sua iminente morte nos inspire e nos dê coragem para lutar não só contra o assassinato de crianças, nascidas ou não, mas pela sobrevivência de nossa própria civilização.

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