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Tentando justificar sua ideologia, jornalistas tentam comparar as porcarias no Santander a grandes artistas. Algo pode ser mais burro?

A trama é a reprise gravada em VHS de videocassete 2 cabeças de alguma novela ruim no Vale A Pena Ver De Novo: alguém tenta fazer algo “chocante” que só causa bocejos (idéia tosca, técnica ruim, execução péssima, resultado que só agrada maconheiro) e logo sai jornalista de tudo quanto é saída de esgoto para aquilo que passaram a considerar a função mais primordial do jornalismo: explicar ao povo como eles estão atrasados e são preconceituosamente obscurantistas, e certo mesmo tá algum mané revoluça de apartamento que super sabe dos seus problemas existenciais com contracheques, filhos indo pra escolas pra ficarem ainda mais retardados e você tomando tiro em troca de celular de R$ 500 parcelado em 24 vezes.

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Para o público leitor de notícias, a raça de talento e vontade mais desperdiçados da humanidade (que até hoje não tem tempo para terminar Em Busca do Tempo Perdido, mas sabe de cada filigrana sobre alguém desimportante na Câmara dos Deputados debatidos e rebatidos em todas as redes sociais), o caso da exposição Queermuseu do Santander, com imagens de zoofilia, pedofilia e demais imagens “artísticas” baseadas na lacração, ninguém decepcionou: bastava saber do que tinha acontecido para, imediatamente, caçar todos os jornalistas de sempre que eles estariam em monobloco, monoliticamente, monotematicamente e mononeuroniomente repetindo em uníssono o acorde monótono da lacra-revolução. Fosse Rita Lisauskas ou Marcelo Tas, fosse Mônica Waldvogel ou Marcelo Rubens Paiva, todos nós esperávamos que eles fossem óbvios e eles, obviamente, foram o óbvio mais ululante.

É o famoso wishful thinking, uma das expressões que mais fazem falta na língua portuguesa (junto a accountability motherfucking): se você deseja que algo seja real, você fala como se aquilo já fosse real, para se tornar real. Uma espécie de pensamento positivo auto-ajuda aliado à aula de chacras com Eliane Brum e semântica formal com Emir Sader.

wishful thinking no caso pode ser resumido ao desejo revolucionário (todo progressista é um revolucionário tamanho Danoninho) de jornalistas serem os condutores de uma sociedade livre de “preconceitos”. Assim, o jornalista é um rei-filósofo platônico, um Lenin que não pega mal, um maestro que não sabe harmonizar o som de uma tuba com o de um oboé, mas que guiará a sociedade com seu ímpeto cidadão para um futuro glorioso e todos irão achá-lo muito legal.

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O melhor companheiro para o wishful thinking é um pouco de conhecimento. Quando o homem se sabe ignorante, não tenta dar tanto pitaco no funcionamento do mundo. Quando tem um pouquinho (quando é jovem, por exemplo), vai esmagar toda a realidade para caber em sua ótica.

Cupido recebido por Anacreonte

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Se o jornalista ouviu falar em nomes como Hieronymus Bosch, Caravaggio, Pietà ou Cupido Recebido por Anacreonte (ah, my bad, essa não se aprende nas aulas de educação artística do ensino médio), já sai querendo dar carteiradas e aulas de “arte”, tema que ocupa mais ou menos 0,00005% do seu tempo (nas férias, quando perambula pelo Louvre com cara de quem está entendendo menos do que o japonês de camisa havaiana tirando foto de tudo). “Ah, mas no Renascimento também tinha arte com pedofilia e na Idade Média com zoofilia!”

Assim, achando-se a última tubaína da favela por se lembrar daquela aula de Marcel Duchamp em que a sala inteira ficou rindo do mictório e pensando oh my God what the fuck am I doing here e desenhando pirocas voadoras no caderno (com muito mais técnica do que Marcel Duchamp, naturalmente), o inteligentão começa a falar de “arte conceitual” (99% da produção “artística” atual) e que “a obra causa reflexão” (você já “refletiu” diante da Capela Sistina?) e que nossos conceitos estão errados.

Bem, para um retrógrado reacionário preso na Idade Média, embebido em Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, basta pensar no que os “obscurantistas da Idade das Trevas” perceberam sobre como a mente forma um conceito.

Primeiro, há os dados apreendidos da realidade. Pela capacidade de extrair idéias de coisas, forma-se a imago, uma imagem mental do objeto. A partir de vários objetos distintos, mas com semelhanças, forma-se o verbum mentis: a expressão, manifestação ou locução intencional que a mente propõe a si mesma do objeto. Pense agora num gato e entenderá.

Ora, o sensível dado in bruto é o phantasma, Do phantasma extraem-se as notas esquemáticas. A notio, a noção já esquematizada, é a species (o complexo de notas). É por isso que a palavra “noção” é geralmente usada dentro de uma hierarquia: “Você não tem noção do que eu vi!” ou “Ele é um sem noção!”.

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É quando entra em cena a cognitio: a cognição pode ser sensitiva ou intelectual. A sensitiva é comum a animais e homens, enquanto a intelectual é coisa até de homens que são uns animais. É, basicamente, o que conseguimos através dos órgãos dos sentidos. Já a intelectual, ou simplesmente intellectio, extrai dos objetos o que é eidético, organizando-na mente conforme notas sistemáticas dela própria.

É após muita intelecção, com vários objetos, sistematizados e hierarquizados, que conseguimos extrair um conceptus, um conceito. Pense que você precisou ver vários gatos, de várias cores, tamanhos, formatos, raças etc, para poder ver um gato com só três patas ou mesmo roxo com bolinhas amarelas na sua frente para poder dizer: “isto é um gato!” – você já tem o conceito de um bem formado.

Pietà, de MichelângeloNo caso da arte, toda a “arte conceitual”, na prática, não tem conceito nenhum. Você pode passar a vida visitando o Queermuseu do Santander, o mictório do Duchamp, as músicas dos Tribalistas e os livros de Chico Buarque (quem lê aqueles lixos?) que você nunca vai formar um conceito do que é que a humanidade chamou de “arte”: não há dados sensíveis a serem inteligidos e formar a arte de Caravaggio, Hieronymus Bosch, a Pietà pela cognição de quem vai “discutir” e “refletir” sobre a “arte” vista nessas exposições.

“Ah, mas a criança viada é tirada de um Tumblr” – exato, meu amigo. Eu vejo Tumblr pra ver porcaria: se quisesse ver coisa que presta eu estaria lendo Benedetto Croce falando sobre Estética. Se você quer dar carteirada de sabichão, pelo menos admita que você só entende de Tumblr mesmo. Deixe a arte para os adultos.

“Ah, mas Bosch pintou zoofilia” – até a própria técnica dele escancara (notio, lembra?) uma diferença brutal: sua arte não é apologia (bem o contrário), mas antes mesmo da imaginação moral da arte (ninguém só quer a arte moral), trata-se de saber se aquilo que se vê é arte ou mero capricho. Na arte conceitual sem conceitos, só se vê gente enrabando uma cabra sem nenhuma razão além de chamar atenção. Se isso é bocejativo, chato e pereba para adultos, colocado para crianças só significa a velha revolução (velhíssima, jovens progressistas!) que tenta propagandear aquilo como algo lindo, digno de se estar em um museu.

Tivessem os intelectuais, jornalistas, celebridades e retardados no Facebook noção, e soubessem trabalhar com conceitos em vez de palavras com significante chocante, mas usadas sem nenhum significado, saberiam hierarquizar fatos, e extrair conseqüências até mesmo dessa hierarquia e não seriam meros peões reagindo imediatamente a palavras ocas (falou em atacar a família e lá estará a turba enfurecida ensandecida defendendo, antes mesmo de saber o que é).

Totentanz - Dança dos mortos

E muito menos tentariam dizer que a Pietà deveria ser proibida porque se organizou um boicote ao Santander por propagandear a “criança viada”. Ou que Bosch e o Queermuseu tem o mesmo valor para crianças. Ou que… bom, qualquer coisa que Rita Lisauskas tenha escrito.

Se você não sabe diferenciar uns rabisquinhos toscos só pra dizer “uhhh, olha, é uma criança viada, como eu acordei bandido contra a família” de Caravaggio, meu amigo… não tente dar carteirada. Porque umas cadernadas pra estudar é do que você mais precisa. E nem tente dizer que quem sabe muito mais do que você é um “obscurantista medieval”. Porque eles sabiam muito mais de arte, de realidade, de filosofia – e de ser chocante – do que você e suas pichações pra adolescente.

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  • Um visitante

    Preparem-se,

    Daqui a pouco, os professores vão colocar essa “arte” na prova e quem não apreciar, não passa no Enem.

    Como sempre, os malditos “educadores” vão dizer que é normal e quem não concordar fica sem diploma.

  • disqus_RGQEDerN8w

    Agora, só esses conceitos chegarem ao público menos instruído como a esquerda é hábil em fazer.

  • cecil

    Não estou acompanhando esse treco, poderia listar os chiliquentos?

  • Julio, até pensei, mas além de ter passado por algumas semanas impossíveis, a grande verdade é que ninguém levou esse RiR a sério como das outras vezes…

  • Ilbirs

    Em caso de mais uma horinha livre, que vejam o maestro Dante Mantovani falando sobre a exposição sob um prisma também de quem conhece a estrutura da arte:

    https://youtu.be/hIi-adkp_TU

  • Newton (ArkAngel)

    Paranóia ou Mistificação

    Por Monteiro Lobato

    Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres.

    Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxiteles na Grecia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Lenbach na Alemanha, é Zorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno desses sóis imorredouros.

    A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza, e interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência; são frutos de fim de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.

    Embora eles se deem como novos, precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranoia e com a mistificação.

    De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios essa arte é sincera, produto lógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura.

    Todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo, nem da latitude.

    As medidas de proporção e equilíbrio, na forma ou na cor, decorrem do que chamamos sentir. Quando as sensações do mundo externo transformam-se em impressões cerebrais, nós “sentimos”; para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em “pane” por virtude de alguma grave lesão.

    Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá “sentir” senão um gato, e é falsa a “interpretação” que do bichano fizer um totó, um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes.

    Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia.

    Essa artista possui um talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida para má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se de qualquer daqueles quadrinhos como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva, em que alto grau possui um sem número de qualidades inatas e adquiridas das mais fecundas para construir uma sólida individualidade artística.

    Entretanto, seduzida pelas teorias do que ela chama arte moderna, penetrou nos domínios dum impressionismo discutibilíssimo, e põe todo o seu talento a serviço duma nova espécie de caricatura.

    Sejamos sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e “tutti quanti” não passam de outros ramos da arte caricatural. É a extensão da caricatura a regiões onde não havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura da forma – caricatura que não visa, como a primitiva, ressaltar uma ideia cômica, mas sim desnortear, aparvalhar o espectador.

    A fisionomia de quem sai de uma dessas exposições é das mais sugestivas.

    Nenhuma impressão de prazer, ou de beleza denunciam as caras; em todas, porém, se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de raciocinar, e muito desconfiado de que o mistificaram habilmente.

    Outros, certos críticos sobretudo, aproveitam a vasa para épater les bourgeois. Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta.

    No fundo, riem-se uns dos outros – o artista do crítico, o crítico do pintor e o público de ambos.

    “Arte moderna”, eis o escudo, a suprema justificação.

    Na poesia também surgem, às vezes, furúnculos dessa ordem, provenientes da cegueira nata de certos poetas elegantes, apesar de gordos, e a justificativa é sempre a mesma: arte moderna.

    Como se não fossem moderníssimos esse Rodin que acaba de falecer, deixando após si uma esteira luminosa de mármores divinos; esse André Zorn, maravilhoso “virtuose” do desenho e da pintura, esse Brangwyn, gênio rembrandtesco da babilônia industrial que é Londres, esse Paul Chabas, mimoso poeta das manhãs, das águas mansas e dos corpos femininos em botão.

    Como se não fosse moderna, moderníssima, toda a legião atual de incomparáveis artistas do pincel, da pena, da água-forte, da “dry-point” que fazem da nossa época uma das mais fecundas em obras primas de quantas deixaram marcos de luz na história da humanidade.

    Na exposição Malfatti figura, ainda, como justificativa da sua escola, o trabalho de um “mestre” americano, o cubista Bolynson. É um carvão representando (sabe-se disso porque uma nota explicativa o diz) uma figura em movimento. Está ali entre os trabalhos da sra. Malfatti em atitude de quem diz: eu sou o ideal, sou a obra prima, julgue o público do resto tomando-me a mim como ponto de referência.

    Tenhamos a coragem de não ser pedantes; aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento. O sr. Bolynson tomou-o entre os dedos das mãos, ou dos pés, fechou os olhos, e fê-lo passear pela tela às tontas, da direita para a esquerda, de alto a baixo. E se não fez assim, se perdeu uma hora da sua vida puxando riscos de um lado para outro, revelou-se tolo e perdeu o tempo, visto como o resultado seria absolutamente o mesmo.

    Já em Paris se fez uma curiosa experiência: ataram uma brocha na cauda de um burro e puseram-no de traseiro voltado para uma tela. Com os movimentos da cauda do animal a brocha ia borrando a tela.

    A coisa fantasmagórica resultante foi exposta como um supremo arrojo da escola cubista, e proclamada pelos mistificadores como verdadeira obra prima que só um ou outro raríssimo espírito de eleição poderia compreender.

    Resultado: o público afluiu, embasbacou, os iniciados rejubilaram e já havia pretendentes à tela quando o truque foi desmascarado.

    A pintura da sra. Malfatti não é cubista, de modo que estas palavras não se lhe endereçam em linha reta; mas como agregou à sua exposição uma cubice, leva-nos a crer que tende para ela como para um ideal supremo.

    Que nos perdoe a talentosa artista, mas deixamos cá um dilema: ou é um gênio o sr. Bolynson e ficam riscados desta classificação, como insignes cavalgaduras, a corte inteira dos mestres imortais, de Leonardo a Stevens, de Velazquez a Sorolla, de Rembrandt a Whistler, ou… vice versa. Porque é de todo impossível dar o nome de obra de arte a duas coisas diametralmente opostas como, por exemplo, a Manhã de Setembro de Chabas, e o carvão cubista do sr. Bolynson.

    Não fosse a profunda simpatia que nos inspira o formoso talento da sra. Malfatti, e não viríamos aqui com esta série de considerações desagradáveis.

    Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética.

    Há de irritar-lhe os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas.

    Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o entontece de louvores, e sim, o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás.

    Os homens têm o vezo de não tomar a sério as mulheres. Essa é a razão de lhes darem sempre amabilidades sempre quando elas pedem opinião.

    Tal cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. Quantos talentos de primeira água se não transviaram arrastados por maus caminhos, pelo elogio incondicional e mentiroso? Se víssemos na sra. Malfatti apenas uma “moça prendada que pinta”, como há centenas por aí, sem denunciar centelha de talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe déssemos meia-dúzia desses adjetivos “bombons”, que a crítica açucarada tem sempre à mão em se tratando de moças.

    Julgamo-la, porém, merecedora da alta homenagem que é tomar a sério o seu talento dando a respeito da sua arte uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião geral do público sensato, dos críticos, dos amadores, dos seus colegas e… dos seus apologistas.

    Dos seus apologistas, sim, dona Malfatti, porque também eles pensam deste modo… por trás.

  • Rose Amanthéa

    Flávio, o q dá margem pros esquerdistas é o discurso moralista. A arte, seja ela ruim, grotesca, conceitual ou não, bizarra, agressiva ou escatológica, não deve ser censurada. (Eu sei também q não foi censura). Mas o problema é o público a quem se destinava e o fato d o Estado, além de financiar via Rouanet, decidir e levar seu filho p ver essa exposição. Se o artista expuser a obra, cobrar ingresso e os pais esquerdistas quiserem levar seus filhos adolescentes p ver essa joça, o problema é deles. A discussão não é sobre a arte.

  • Eliane Moura

    A imprensa que era 99% esquerdista, agora é 100% protetora de molestadores de crianças, pq até jornalistas de direita defenderam esse lixo.
    Um deles, comparou o quadro de zoofilia ao caso de Leda e o cisne. Ora, o cisne era Zeus, e se ela quis transar com ele, problema dela.
    Mas quando um humano transa com um animal, É estupro, pq o animal não tem capacidade de decidir se é certo ou não transar com humanos.
    Mas a parte boa é que o Santander teve prejuízo, e agora as empresas vão pensar duas vezes antes de promover esse lixo de marxismo cultural.

  • Sabrina Fendenburg

    Ninguém critica o nu. Como são ignorantes!! Quem define se é arte ou não, não é o que rabisca, é quem aprecia, e pelo que sei, ninguém apreciou.

  • Ilbirs

    Só para avisar que um novo Queermuseu pode pipocar aí, localizado em Campo Grande (MS), sob o nome Cadafalso/2017. Vejam com os próprios olhos esta exposição com classificação indicativa de 12 anos:

    Quem já viu notícias a este respeito sabe que foi apreendido um quadro chamado “Pedofilia”, de Alessandra Cunha, sob acusação de apologia à pedofilia. Quem notar como é o tal quadro irá reparar que os que vemos no vídeo acima são mais pesados que este:

    http://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/23679475.jpg?w=640

    A repercussão da apreensão dessa obra já começou e estão querendo usar o expediente de dizer que o choque seria análogo àquele de Picasso quando pintou “Guernica”. Há, porém, uma palavrinha no texto da matéria que denuncia esquerdismo, que é “machismo”. Como sabemos bem, “machismo” é uma daquelas palavras amorfas à qual um esquerdista atribui um significado que lhe seja conveniente naquele momento, diferenciando-se do substantivo abstrato convencional. Como é palavra à qual se pode atribuir qualquer significado, eis que temos a história de que a obra apreendida choca para mostrar as violências do machismo, entre elas, a pedofilia. Notaram a sutileza textual de querer dizer que pedofilia seria algo decorrente de machismo? Se pegarmos a palavra “machismo”, iremos notar que ela se compõe de um radical (“macho”) e o sufixo “ismo”, que significa tanto ato ou prática (“automobilismo“, “ciclismo” e outros) como doença (“botulismo“, por exemplo), com os esquerdistas sempre querendo nos convencer de que seria o segundo, dentro de sua lógica de formação de analfabetos funcionais que reagem a qualquer palavrinha dita como cães de guarda agressivos a um comando. Portanto, se considerarmos “machismo” enquanto ação ou prática oriunda de macho, o texto está querendo dizer que quem é macho teria intrinsecamente atração sexual por crianças, aqui apoiando-se na imagem da pintura, que mostra uma menininha ao lado de um homem com um pênis avantajado.
    Quem ler o texto do Campo Grande News também irá notar que a artista diz que a estética de suas obras não é de fácil assimilação. Assim sendo, por que a classificação indicativa é de 12 anos? Pelo que me lembro, é dos 12 aos 18 anos uma das fases mais influenciáveis de um ser humano. Caso a pessoa associe “pedofilia”, aqui reduzida a uma palavra-ícone, a “machismo”, aqui também da mesma forma, vamos começar a ver absurdos de presumir que homens seriam pedófilos em potencial e ver absurdos que estamos vendo no destestosteronizado Primeiro Mundo, em que chegam a haver proibições de que um homem se sente ao lado de uma criança em um meio de transporte de massa como suposta forma de evitar pedofilia. Isso comodamente faz as pessoas esquecerem da existência de comportamento pedófilo em ambos os sexos. Que prestemos atenção a esta declaração da coordenadora do Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande:

    “Dentro do contexto todo só tem um que chama pedofilia, o grande tema é o combate à violência contra a Mulher. ‘Aconteceu lá no Rio Grande do Sul então vamos achar alguma coisa aqui porque vira moda’. Ninguém percebe a tamanha importância que foi essa exposição aqui. Vários adolescentes vieram aqui e as pessoas não têm noção da discussão, como foi rica pros adolescentes, e esse é o papel.”

    Observe-se o quanto que ela associa crianças sendo vítimas de pedofilia com violência contra mulheres (vamos parar de usar o termo “contra a mulher”, pois é divisionismo marxista em forma de texto), o que na prática remete a… machismo. Portanto, toca jogar nas costas dos homens toda a violência cometida contra mulheres e contra crianças, mesmo que essas não sejam cometidas por homens, ao que o inocente útil esquerdista chamará em seu protocolo digno de atendente de telemarketing de “machismo internalizado” ou outra coisa assemelhada que siga jogando culpa em homens. Continuando a analisar o discurso da tal coordenadora, eis que temos esta outra declaração:

    “A arte não é contemplativa, ela é um objeto de discussão, de reflexão. E o que me deixa mais triste é que as pessoas que julgam, falam e que comentam não vão ao museu, não apreciam a arte. Se ainda fossem pessoas que frequentassem o museu, entenderiam um pouco mais do que está acontecendo, mas não.Têm uma postura antiquada e ainda estão na época da renascença e acham que a paisagem seja a arte, e não que não seja, uma coisa não invalida a outra”

    Observe-se que a referida coordenadora parece estar atenta ao fato de que a retórica de “volta à Idade Média” já não faz efeito entre inocentes úteis e pessoas leigas em táticas de discurso esquerdista. Ela passou a usar o termo “Renascença”. Isso tudo posto, observe-se o quanto que ela foge do fato de que quadros com alto contexto sexual estavam sendo exibidos para, entre outros, pessoas entre 12 e 18 anos. Também fica a acusação de que os outros é que estariam errados por verem o óbvio de ser uma exposição com imagens impróprias sendo exibidas a menores de 18. Ela quer pôr a coisa toda como se fosse iniciática, sendo que quem não tem um determinado conhecimento restrito a um grupo de sábios não estaria autorizado a comentar. Essa impressão é complementada por esta outra declaração:

    “A gente está em um museu de arte contemporânea. Nós temos por exemplo uma sala aqui que é uma sala de arte ingênua [arte naïf, com origem na França] e temos outras salas de arte para discussão, para reflexão, pra gente sair do lugar [mental e reflexivo] onde está. Se você fica sempre no mesmo lugar não tem sentido”

    Observaram aqui o fato de dizer que alguém ter convicções firmes seria desprovido de sentido e que precisaria de “reflexão” e “discussão” para que tal sentido viesse? Que tipo de “discussão” e “reflexão”? Claro que aquela de origem marxista e sucessivamente recauchutada por Gramsci, Alinsky, Laclau e outros que consolidaram a passagem da luta de classes do lado econômico para todo os outros aspectos da sociedade ao constatarem a impossibilidade da economia marxista mas a possibilidade de tornar todo o resto como desejado pelo alemão em questão. Vamos agora às declarações da tal autora da obra apreendida:

    “Fiquei bem assustada. De repente começou uma perseguição contra os artistas, porque eles não querem que sejam explicitadas as ideias, e tem um tom de machismo nessa forma de comportamento das pessoas que estão no poder. E aí por conta do que aconteceu em Porto Alegre, de repente todos querem perseguir os artistas. Mas nunca pensei nisso [censura], que fosse, de repente acontecer, principalmente agora, em 2017, que a gente está procurando a liberdade de falar de todos os assuntos. Tem uma galera com um pensamento errado, principalmente políticos, pelo que vejo.”

    Notaram aqui novamente o uso em retórica esquerdista da palavra “censura”? Observe aqui que novamente ninguém fala do fato de ser uma exposição com conteúdo pesado que foi liberada para quem tiver a partir de 12 anos. A tal autora também reforça a história de que a culpa da pedofilia é do tal “machismo” e que agora estaria acontecendo “perseguição contra os artistas”. Sim, agora o “machismo” passa a ser a causa de “violência contra a mulher”, “pedofilia” e “perseguição a artistas”, com as aspas aqui sendo postas para que se deixe claro que estamos falando de uso esquerdista de termos, sempre lembrando que “violência contra a mulher” é termo intrinsecamente esquerdista quando reduz as mulheres a um singular e a partir desse singular quer-se dizer que metade dessa sociedade estaria contra a outra metade dessa mesma sociedade, aqui considerando-se a divisão de sexos. Observe-se também a história de dizer que o conservadorismo seria algo mal e que deve ser combatido custe o que custar, o que é reforçado pelo texto da matéria que não consista de declarações. E novamente temos uma declaração da autora da obra apreendida explicando o porquê do nome “Cadafalso”, mas aqui novamente retoricando esquerdistamente:

    “Cadafalso era um tablado usado antigamente para torturar e para queimar as bruxas, então eu tentei falar da questão da mulher na sociedade, porque com o machismo a gente fica nesse cadafalso, seja na situação de tortura ou de privação de algumas coisas, então é uma tentativa de falar de uma situação pesada que a mulher carrega diariamente.”

    Vamos procurar no dicionário o que significa “cadafalso” e veremos que ela erra solenemente, pois em que pese um dos significados de cadafalso ser o de um lugar para apresentações públicas ou cerimônias solenes, todos os outros são relacionados a forca. Se palavras com letra preta em fundo branco passarem em brancas nuvens, vamos até mesmo pegar uma coisa mais artística e colorida para que ninguém se esqueça:

    https://s.dicio.com.br/cadafalso.png

    Se bruxas eram queimadas, o eram em fogueiras altas com um tronco amarrado no centro delas, como a deste exemplo moderno:

    https://brasilidansk.files.wordpress.com/2013/06/dsc_0227.jpg

    Assim sendo, não era um cadafalso, até porque este seria queimado e nessa vamos ficar suspeitando de mentalidade socioconstruída gerando paulofreirização mental. E, novamente, vemos a pintora usando a palavrinha mágica “machismo”, querendo aí atribuir toda e qualquer situação que uma mulher sinta em algum dos 1.440 minutos de um dia que esteja relacionada a um desconforto percebido mas que pode acabar sendo alguma forma de indução comportamental ou mesmo se a sociedade reage negativamente a alguma vontade pura qualquer. Quem olhar esta figura no link que passei irá notar a misandria embutida na coisa quando associá-la à legenda, que faço questão de copiar e colar:

    https://cdn1.campograndenews.com.br/uploads/tmp/images/5232412/640×480-3217c937ed03ed4c621dc42d78fb77ad.jpg
    Obras procuram explorar a estética do corpo masculino para realizar crítica às violências (Reprodução/atelier)

    A estética do corpo masculino é algo moralmente neutro. Não há qualquer coisa que diga ser intrinsecamente ruim a presença de mais pelos, um pênis e dois testículos, uma caixa torácica mais larga e desprovida de seios combinada a quadris mais estreitos, além de um rosto mais anguloso. É puramente dimorfismo sexual e não somos responsáveis por nossa espécie tê-lo. Ele apenas acontece. Se está sendo usada a estética do corpo masculino para criticar violência, então se está atribuindo ao homem a violência independente de ele ser ou não violento. Como a repórter que escreveu a matéria também parece apoiar a tese de suas fontes, eis que temos este fecho de texto:

    Em 2017, mais de 500 anos após o fim da inquisição, Alessandra tentou falar e denunciar os julgamentos e violências aos quais estão submetidas as mulheres. Ao denunciar a ‘fogueira da inquisição machista’, no entanto, Alessandra se viu, ela mesma, no Cadafalso.

    Além de a própria repórter não saber o que é cadafalso, comprou a versão das fontes e está espalhando não só propaganda esquerdista como também falta de precisão denominativa sobre termos.

  • Marcos Lorite Lopes

    Pior é que com verba do contribuinte através da maldita lei Rouanet, que não observa o conteúdo, mas a promoção de qualquer “coisa”. Temos que acabar com essa lei e o ministério da Cultura. dinheiro jogado fora.

  • Mauricio Sena

    Vocês aí que entendem de filosofia: Platão realmente descreveu a cidade perdida de Atlântida ou pensar isso é viagem na maionese?

  • Isso ta demais mesmo. O pessoal pega qualquer obra de arte feita séculos atrás, onde há nudez, e tentam comparar, como foi o caso do Antagonista, que comparou esses rabiscos carregados de pornografia pedófila, com uma obra feita em pedra (imagem) representando Hércules e Diomedes, onde esses dois adultos, estão LUTANDO, e não praticando sexo.

    Comparam obras feitas em pedra de mármore, que levaram anos para serem esculpidas, onde há nudez, pois era assim as vestimentas da época e comparam com algo totalmente sexualizado.
    http://1.bp.blogspot.com/-6VUVufBp8gU/UhzUugXZL_I/AAAAAAAAATM/ZgqvcPhWs_M/s640/hercules-e-diomedes.jpg

    • Prius

      É quase uma discussão esotérica querer dizer o que é “arte boa” e o que é “arte ruim”.

      Tem gente que cultua carros velhos, sem serventia nenhuma. Cada louco com suas manias

  • Pobretano

    Resumindo: parem de glorificar um monte de merda amarela comparando-a com uma barra de ouro.

  • Lucas Magrini Rigo

    Continue indicando livros nos seus textos, Flávio!

  • Se desconstrucionismo do Queer Museum é tão estético quanto a arte renascentista por que o Banco do Cocô não quis financiar o “Museu da Bicha” com o PRÓPRIO DINHEIRO como faziam os mecenas??

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