Nossa turma

Cuidado: porongos de cueca com nutella no canto da boca e do queixo querem limitar sua liberdade na internet

Desvendando a ontogênese dos especialistas em descabelar o palhaço que se passam por analistas políticos

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A isentolândia Dipnlik é sempre ruidosa, sempre pronta a vingar o mais leve empurrão com o mais forte dos gritos. Por trás dos bons modos escondem-se personalidades frágeis. O modus operandi é o mesmo: ao menor sinal de crítica, saem logo gritando que perfis falsos pagos estão os atacando. A tal milícia bolsonarista.

Não se engane: é tudo fingimento, jogo de cena. 

O que essa galerinha sem amigos que passa 20 horas no Twitter e no xvídeos quer é ter poder e não ser importunada quando coloca tanta besteira em apenas 280 caracteres. Há até um deles, o ursinho puff da guerra política, que arvora-se ser o arquivador oficial de prints da milícia bolsolavista, sob aplausos de três ou quatro virjões feito ele (ou ele mesmo) que vivem uma animada vida entre baconzitos, CTRL-C + CTRL-V e punhetas.

Atribuem a si mesmos uma importância que não têm. Daí o ressentimento contra tudo o que pareça mais legal que ter azia pela manhã e tendinite aguda depois de 18 horas printando, digitando e se masturbando. Se você toma cerveja com amigos, tem uma paquera no tinder, cuida dos filhos e da esposa, vai à igreja e, nos minutos de tédio que lhe resta, zomba de algum deles no twitter, você é um criminoso de alta periculosidade, miliciano, deflagrador das guerras púnicas ou o próprio Adolf Hitley*.

Precisa urgentemente ser calado pelo bem-estar da nação. Comediantes e cartunistas medrosos e inseguros, roqueiros maluquetes, atores pornôs xonés que nunca tiraram a piroca do rêgo, paranóicas armadas de berimbau, estrábicos viciados em tofu, sósias da máscara de óculos, nariz e bigode que passeiam pela Grécia, senhoras que acham que tuitar sob efeito de psicotrópicos configura humor político, ou que assaltam a geladeira às três da madruga pra filar dois potes de doce de leite, todos eles te detestam. Querem teu couro e te ver esfolado vivo numa CPMI porque você cometeu o crime hediondo de fazer um meme com umas tetas caídas ou com migalhas de cream cracker polvilhadas pela barba. 

Daí inventam que as redes estão cheias de gabinetes do ódio, seitas de fanáticos e milícias pagas para desestruturar as vozes contrárias ao governo. Aquela gente esclarecida que acha que Lula, apesar dos trilhõezinhos que afanou, governava com mais humanidade que Bolsonaro (cadê o meme pra isso?).

Por trás do afã beato em proteger as pessoas contra as notícias falsas, da bondade desinteressada em nos poupar das temidas fake news, está a sanha autoritária de quem se imagina mais esclarecido que o indivíduo comum. 

Intelectuais de fliperama, políticos corruptos, jornalistas iletrados, formam o tripé macro-idiota de ungidos leões-de-chácara da inteligência alheia. Impregnados de um bom mocismo de araque, fantasiam um mundo ideal à sua imagem e semelhança – nenhum Deus ousou tanto! 

O desprezo que sentem pela liberdade dos outros é inversamente proporcional ao apego desequilibrado que sentem da própria. A coisa é tão doentia que agora eles querem monitorar as mensagens de whatsapp. 

A Crusoé passou vexame ao publicar uma matéria medonha sobre prints de conversas que só configuram crime na cabeça de gente muito doentinha. E na cabeça desses esquálidos mestres na arte da dissimulação, o brasileiro é um bípede sem alma que infla ou murcha por meio da absorção de notícias do dia e que eles, os escolhidos, devem manter o ar na medida certa. 

Essa gente tem de ser chutada da vida pública. 

São monitores de acampamento querendo determinar o que deve ou não acontecer na floresta. Não vão muito longe.

* Hitley é a grafia oficial do núcleo de ironias do Senso Incomum. 

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