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Socialismo

Todos são iguais perante a lei, mas o PSOL é mais igual do que os outros

O PSOL defende um mundo abstrato perfeito, de igualdade, sem armas, sem polícia. Mas seus políticos vivem bem longe do mundo paradisíaco no qual exigem que nós vivamos.

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Bandeiras do PSOL

O assassinato com nítido caráter de execução da vereadora carioca Marielle Franco revela pela enésima vez a principal característica do PSOL, o seu estranho partido que tenta conjugar socialismo e liberdade no seu nome: o PSOL prega uma coisa para a população, mas vive cirurgicamente fora da regra imposta.

É assim ao pregar o desarmamento da população civil, mas ter o deputado que mais gasta com segurança particular paga com o dinheiro do pagador de impostos carioca. É assim pregando “igualdade”, mas com salários tomados inclusive dos pobres cariocas para formar um capital invejável, e depois apregoar que “deputado ganha pouco” (sic), ou que só o seu eleitorado paga seu salário.

E é assim agora com a investigação da morte de Marielle Franco. O PSOL defende a desmilitarização da polícia. Ou melhor, defende mesmo a extinção da Polícia Militar, até usando o velório da vereadora Marielle para entoar um cântico como “Não acabou / Tem que acabar / Eu quero o fim da Polícia Militar!”. O que não impediu que jornalistas exigissem a presença da mesma Polícia Militar para escoltar psolistas no velório de Marielle.

É a mesma litania dita por Capitão Nascimento no fim de Tropa de Elite 2, um filme que tentou resgatar o brilho do PSOL, após toda a população preferir o Capitão Nascimento linha-dura ao discurso cornomansista de Fraga (personagem de Marcelo Freixo) no primeiro. A culpa seria “do sistema”, não de escolhas individuais.

Enquanto a população fica sem uma polícia que a defenda de bandidos cada vez mais violentos, bastou que uma vereadora do partido fosse assassinada para que o PSOL solte uma nota dizendo que exigem apuração “imediata e rigorosa” do assassinato da política.

Ou seja: num país com quase 70 mil homicídios por ano (só entre os confirmados pela polícia), a vereadora do PSOL tem o direito de “furar a fila” na interminável lista de homicídios do país. Até o titular do recém-criado Ministério da Segurança Pública, Raul Jungmann, acompanhará o caso pessoalmente. Quem teve entes queridos que morreram nos últimos meses, azar. Ninguém mandou morrer e fazer número para atrapalhar a vereadora do PSOL.

https://twitter.com/ginewsmedia/status/974687214989922304

Calculando, 164 pessoas são assassinadas por dia no Brasil. Nunca o PSOL fez qualquer menção a tantos homicídios. Assim que descobriu que perder uma pessoa dói também em quem não tomou tiro, o discurso mudou.

Se Marcelo Freixo antes dizia que não se deve punir ninguém que tenha cometido crimes (o que parece incluir assassinatos), inclusive anistiar (“perdoar” crimes) e dar dinheiro do Estado (ou seja, do pagador de impostos) para os criminosos, agora quer uma apuração “imediata e rigorosa” e diz que isso (o assassinato) “não vai ficar assim, não”. Acaso o PSOL vai agora defender… punir quem mata? Vai dizer que ele precisa ir para… a cadeia? Que são “monstros”? Que cadeia deve tirar o indivíduo da sociedade com rigor? Cadê Vigiar e Punir nessas horas?

Ou seja: o que vale para a população, não vale para os bonitões do PSOL. Eles devem contar com beneplácitos vedados ao restante da população. A população deve andar desarmada e, caso cruze com um nóia ou um traficante armado até os dentes no seu caminho, bem, azar de novo, morra, o PSOL nunca vai dar um pio para você. Mas Marcelo Freixo e os deputados do PSOL… Ah, esses devem usar do dinheiro do carioca para ter segurança particular.

https://twitter.com/ajulysantos/status/974843957526974467

São 27 PMs mortos no Rio em 2018. Um policial morre no estado a cada 54 horas. Em menos de um único mês, 12 policiais foram mortos no Rio de Janeiro sem uma nota de pesar do PSOL além de, como fez a própria Marielle Franco, chamar os Batalhões de “Batalhão da Morte”, por exemplo.

Por que o PSOL tem uma facilidade incrível em descrever in abstracto uma sociedade socialista perfeita, mas as regras da sociedade só valem para a ralé, e não para eles próprios? Por que eles querem todo o conforto de um capitalismo conservador com armas e capital, preconizando para a população um regime de subserviência ao Estado à força, de igualdade na miséria, deixando todo o povo desarmado e em risco de morte?

Por que é tão fácil para o partido de Marielle Franco tiranizar o povo em ditames que exijam uma revolução completa e um Estado poderosíssimo para controlar cada passo, mas os próprios políticos do PSOL vivem bem longe do que querem impor sobre os peões do seu xadrez?

Por que só a morte de Marielle Franco conta para o partido, e não as outras mortes apontando mais de meio milhão por década? Por que o assassinato de Marielle precisa de tanta investigação e punição, sendo que para todas as outras centenas de milhares de assassinatos o PSOL trata como imperioso defender o assassino e tirá-lo da cadeia a qualquer custo?

A frase de George Orwell em A Revolução dos Bichos não poderia ser mais verdadeira para o PSOL: para o partido do socialismo e “liberdade”, todos são iguais perante a lei, mas o PSOL é mais igual do que os outros.

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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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