Hey, stupid!

Pare de se enganar com Tabata Amaral

Liberais monotemáticos caíram na graça de Tabata Amaral, só por defender a Reforma da Previdência. Aqui vão algumas verdades inconvenientes

Muitos liberais, no monotematismo típico à estirpe, deram a gostar da deputada federal Tabata Amaral, simplesmente porque a deputada votou a favor da Reforma da Previdência. Tabata é do PDT, partido que foi fundado por Leonel Brizola, inspirado no fascismo de Getúlio Vargas. Outro quadro de extremo gabarito do partido é a ex-presidente impeachada Dilma Rousseff. Suas bandeiras são: a democracia, o nacionalismo e o socialismo (sic).

Liberais, como sói, continuam a enxergar o mundo pela única ótica interpretativa que conseguiram dominar: a diferença entre Estado e mercado no fornecimento de bens. As vantagens do mercado já são conhecidas de quem experimenta o livre mercado há, pelo menos, três séculos, falando apenas do capitalismo da modernidade. Mas, no mundo globalizado (e globalistado), enxergar todos os conflitos e complexidades da política apenas por tal lente não é enxergar mais: é ignorar demais o que ocorre no planeta.

Tabata Amaral votar a favor da Reforma da Previdência não advém de ser uma rara esquerdista que é boa em matemática, nem de um bom mocismo por ser uma “esquerdista inteligente” (sic), menos ainda de alguma noção do ridículo. É apenas necessidade, na típica linguagem de subsistência que é a marca da esquerda.

Porém, Tabata Amaral faz parte de algo maior e mais complexo: a novíssima esquerda do século XXI, uma esquerda do Twitter, esquerda Big Tech do Vale do Silício, esquerda que entende que um ban no Facebook, hoje em dia, vale muito mais do que a mais soviética das mofadas e ultrapassadas censuras estatais do passado.

É a esquerda perfeita para tapear liberais platiformes no Brasil, que nada entendem de globalismo, de disputas de poder, de fenômenos como Trump ou Glenn Greenwald. É a esquerda que faz liberais morrerem aplaudindo a “livre concorrência” entre monopólios como Google e Twitter no Zuckerbergstão.

É a esquerda de Mark Lilla e Mary Flanagan, a esquerda Edward Snowden e Robert Mueller, a esquerda podre de rica de George Soros e das famílias de banqueiros marinasilva-afetivos, uma esquerda que fala em investimentos e tapeia com toda a facilidade liberais que acham que se a economia vai bem, pode defender aborto e transformar crianças em pequenos travestis sexualizados. A esquerda “ecofeminista” que não fala em revolução, e sim em mercado global e imigração.

No Brasil, sua atuação é conhecida por grandes nomes que são muito mais ligados ao “mercado privado”, apesar de alguns nomes entre deputados da jovem guarda e influência extrema em um certo tribunal importante. Tabata Amaral é apenas um novo peão nesse tabuleiro, que pode virar uma nova rainha jogando contra liberais que só entendem as regras do jogo de damas, achando que banqueiros e empreiteiros como os donos do Santander ou da Odebrecht são ferrenhos capitalistas.

Anos atrás foi criado um “movimento”, logo após a decisão do STF de vetar financiamento empresarial para campanhas. A idéia era seguir com essa possibilidade, mas revesti-la de uma estrutura jurídica que garantisse o esquema sem nossos analistas políticos geniais sacarem.

No “clubinho do patinete” (a turminha dos elevadores da Faria Lima) foi criado o movimento “RenovaBR”. O site dos caras explica tudo: quem são e o que querem. Em textos com frases como “Faz tempo que a gente (sic) quer renovar a nossa política, mas chegam as eleições e parece que a política não quer ser renovada pela gente. São sempre os mesmos nomes”, apresentam sua proposta de serem espécies de Marinas Silvas que se vestem bem, falam em “metas” (não dilmisticamente) e “liderança” – e, afinal, ganham eleições, ainda que lentamente. O estilo galeroso é idêntico aos dos memes com o Partido NOVO. Gente capaz de vender a Torre Eiffel para o Rodrigo Constantino. Repetidas vezes. “Como Renovar?”

O primeiro balão de ensaio do RenovaBR foi o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. O projeto falhou porque havia rumores de que ele batia na esposa e de que entregou José Dirceu pra salvar Lula.
Passaram então para Luciano Huck, que morreu na praia.

Foi quando viram que o caminho ia ser tortuoso e que precisariam de mais tempo. Fizeram um filtro com três meninas. A vencedora atende pelo nome de Tabata Amaral. A menina de ouro do RenovaBR.

Por tras do RenovaBR há muita gente que investe pesado em “educação”. Mandam gente pra Harvard, lavam CVs e têm todo um trabalho de maquiagem em biografias por meio de um intrincado emaranhado de ONGs.

São estes conglomerados de “educação” que estão (ou melhor, estavam) na mira da nova gestão do MEC: um rio de dinheiro que escorre dos cofres públicos para o ensino “privado” do Brasil (educação, como segurança e justiça, reforce-se, são áreas integralmente impermeáveis à disputa Estado x mercado).

Quando o ex-ministro Ricardo Vélez, que tanto queria combater “comunistas” na Educação, montou uma equipe para criar a “Lava Jato da Educação”, eram contratos como os que geraram a “formação política” de Tabata Amaral que estariam sob investigação. Em menos de um dia, o PSDB de Alckmin e Doria iniciou um forte lobby para evitar a “tragédia” (para eles).

O “liberalismo” tucano, que tanto agrada liberaizinhos de internet, é basicamente achar lindo criar Uniesquinas (privadas!) já que a USP vai mal. E tome dinheiro do Fies para o “empreendedorismo”. Vélez, ao invés de enfrentar o lobby, avisou que “alguns quadros técnicos do PSDB” entrariam para “ajudar”. O desastre estava pronto, a Lava Jato da Educação nunca saiu, os quadros chamados “ideológicos” foram expulsos do MEC sob aplausos da mídia e quem apareceu para peitar Vélez quando o ex-ministro não tinha o que apresentar de planos perante o Congresso? Claro, Tabata Amaral, então alçada a heroína por calar um ministro supostamente “olavete”, que só pôde passar vergonha em público sem nada a oferecer.

Os homens do dinheiro e da nova ideologia estão na proa do RenovaBR: uma união entre neohipsters e grana quente que arregimenta gente de nível intelectual médio para baixo, tirando-os da nulidade existencial enquanto os mestres ficam apenas “pulling the strings”. Nunca você verá Tabata Amaral falar um A contra algo de interesse, inclusive econômico, dos quadros “de mercado” do RenovaBR.

Os pupilos do RenovaBR, treinados e com falas pré-escritas, oscilam com candidatos que são moldados em discurso de centro para a esquerda e TODOS têm o papinho da educação por trás. Mas no dia-a-dia eles estão la, em chapas de aluguel e com alianças “estratégicas” com os donos das legendas para fazer o mais puro, simples e irrefutável LOBBY. O que falamos sobre o PDT?

Tabata Amaral, em suma, está por trás de um esquema profundo e poderoso de LOBISMO pesado. Pergunte ao Vélez, intelectual poderoso, mas que ainda estava pensando nos esquerdistas do PT quando virou ministro.

O RenovaBR trata-se de um esquema que ainda pode até falar em corrupção, já que o dinheiro vem das companhias investidas licitamente e chega nos “fundos” licitamente. Podem chegar via dividendos ou mesmo resultado de especulação lícita e pode também chegar como doação para fundos educacionais com ajuda do governo. O dinheiro tem esse carimbo de “educação”. Que é a forma mais fácil de ganhar elogios sem fazer porcaria nenhuma no Brasil.

Quem faz a propaganda do candidato (incluindo a mídia) não fala nunca do partido nem dos ideais político-partidários, mas fala só da biografia do ingressante, de como o candidato sofreu e venceu na vida e como ele se tornou vencedor etc (alguns choros são necessários neste momento, por favor, chore). Foca-se na pessoa e faz-se um baita culto à personalidade. Por trás, tudo o que a pessoa fala é cuidado e tratado por uma equipe que recebe grana pesada desses fundos para tratar deste marketing.

São rios de financiamento empresarial na pessoa, e quando ela vira candidata de direito (com registro de candidatura no TSE), o marketing já foi todo feito na pré-campanha antes mesmo até de filiação partidária. Ou alguém nota a qual partido pertencem os novos “liberais” e figuras carimbadas da oposição hoje, numa época em que a máquina partidária típica foi desfeita, e ninguém mais, a não ser isentões-com-intenções, leva algo como PT ou PSDB a sério?

Tabata Amaral, em sua, faz parte de um um baita passa-moleque no financiamento empresarial de campanhas. O RenovaBR pode (e vai) enganar liberais e gente com nojinho de conservadores e de povo. E tome-se aula com colunistas da Folha como Ana Carla Abrão sobre “eficiência do governo” (quem tinha esse discurso em 2018?), com gente que analisa investimentos e conclui que a Reforma da Previdência pode até, ora ora, ser boa para a economia, o que também inclui, óbvio, suas próprias empresas. Afinal, até o Catraca Livre a defendeu.

Liberais, aquela turma de boa estirpe, alguns até de olho em se tornarem marqueteiros do Doria, podem cair nesse discurso “de esquerda inteligente” de Tabata Amaral, tão somente por ter sido a única voz dissidente na esquerda na única notícia relevante do ano: a Reforma da Previdência. Quem entende de dinâmicas de poder (político, financeiro, de mando, de ideologia etc) mais complexos, como exige o mundo de hoje, nunca vai repetir tais bobeiras.

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