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Revolução antisséptica

Estadão está intrigado com ausência de corona na Coréia do Norte

Por que a realidade intriga tanto os jornalistas? E por que jornalistas adoram ditadores que escondem a realidade?

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kimjon

A redação de O Estadão disse que a ausência de casos de coronavírus na Coréia do Norte intriga o mundo. Intriga o mundo ou a eles mesmos? Eu conto ou vocês contam? Vejam Só! Essa é realmente a era dos avessos. E o avesso principal é demonstrado nas atividades cuja inteligência, acuidade, sabedoria e conhecimento deveriam se fazer mais presentes. 

Na política, no jornalismo e na arte só o que vemos são mascadores de capim pré-alfabetizados que se julgam aptos a agir, analisar e expressar toda a estrutura da realidade.

Mas não o fazem com a humildade de um autêntico caipira que, antes de tentar mudar o mundo, precisa compreendê-lo. Isso é coisa de filósofo antiquado e careta. A nova elite falante não precisa captar mais a dimensão de sua condição e circunstância para daí lançar sua visão de mundo; deformaram tanto sua auto-imagem que suas habilidades se converteram num instrumento a serviço da pose e do fingimento. E é assim que pretendem transformar o mundo.

Qual o real interesse de uma matéria como essa do Estadão? Vender a idéia de que as ditaduras mais genocidas estão preocupadas com seu povo. Chama a atenção, no texto, o seguinte trecho:

“Adotamos medidas preventivas e científicas como inspeções e quarentenas para todas as pessoas que chegavam ao país, desinfetamos os produtos, fechamos as fronteiras e bloqueamos todas as rotas marítimas e aéreas’, afirmou Pak Myong-su, diretor do Departamento de Epidemias da Coreia do Norte.”

Notem a semelhança com as medidas tomadas em nome da saúde por governadores e prefeitos brasileiros, verdadeiras caricaturas de tiranos. O mais interessante nisso tudo é que a classe dita revolucionária, feito pulgas amestradas, acatou todas as ordens e está protegida dentro de suas casas com varanda gourmet com happy hour virtual enquanto a população que mais sofre fica exposta ao vírus, aos criminosos e a sanha autoritária de políticos medíocres que obrigam a polícia a bater em gente que se espreguiça numa praça vazia.

Os defensores dos fracos e oprimidos são mais fracos e oprimidos ainda. Acovardados, batendo freneticamente suas panelas Polishop, assistem nas suas TV’s de 60 polegadas a um presidente chucro, mas muito corajoso. Não são o crime e a corrupção que os revoltam, mas a sinceridade e a autenticidade.

Uma coisa ficou constatada nesta pandemia: a revolução que vai salvar o mundo da opressão depende dos relatórios da OMS. Os revolucionários estão em casa, estocando álcool gel e lavando bastante as mãos. Pegar em armas só se estiverem devidamente higienizadas e com selo da Anvisa.

Kim-Jong-11


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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