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Apocalipse de geleca

Felipe Neto desiste de salvar o Brasil porque viu foto com praia lotada

Você aí preocupado em colocar comida na mesa não sabe o esforço sobre-humano que Felipe faz na sua mansão para livrar o mundo da opressão da liberdade

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nelipefeto

Felipe Neto, nosso Jesus Cristo de pantufas e cabelo verde está cansado. Ao ver uma foto em que pessoas aparecem lotando uma praia, mesmo com as recomendações da OMS para que todos fiquem em casa, o ícone teen da arte de enrolar cabelo com lápis e cuspir geleca pelo nariz – quase um Kant moderno – disse, em seu Twitter, ter “largado de mão”. A reação é perfeitamente natural em um adolescente de pouco mais de trinta anos. Quem não se assusta, não é mesmo?

O expoente da ciência de orelhada – cada época tem o Copérnico que merece – está decepcionado com a desobediência do povo em não seguir o tutorial de prisão doméstica imposto pelas autoridades e por ele mesmo. Reverberando sumidades do mundo científico, como Átila Tamarindo, o homem de um milhão de mortes, Felipe acha um disparate, após longos meses de confinamento, que gente comum sinta necessidade de sair de casa.

A auto-imagem de herói amado e ouvido pelas multidões entra em verdadeiro abalo sísmico nessas horas. “Como é que essa gente não me escuta”, pensa Felipe, indignado, ainda na sua king size, antes do desjejum feito ali mesmo, no quarto de 110m² com vista para o mar. Enfiando as unhas no seu lençol de 1000 fios com aplicações de gripi de renda francesa, nosso herói imaginário sente o refluxo da bile chegando ao esôfago. Como um soldado que vê mutilado seu melhor amigo, Felipe titubeia e quase perde o ar. 

Tratado pela mídia jeca como um verdadeiro sábio, Felipe inflou tanto o ego que não percebe mais o mundo sem a sua mão benevolente agindo sobre todas as coisas. Enquanto é alimentado por gente verdadeiramente inescrupulosa e ardilosa, sua personalidade frágil vai se enchendo de presunção messiânica.

E um monstrengo devidamente alimentado em sua vaidade tende a se expor mais e assim a deixar que vejam sua verdadeira essência. E Felipe, que carece de alma e espírito, tem o âmago de um ressentido, de um pobre coitado. Com o ser fundamentado no assanhamento de parecer mais legal e feliz que os outros, tipos como o sr. Felipe se sentem violentados pela indiferença alheia. É assim que nasce alguém que se filia ao PSOL, por exemplo. 

Como todo filósofo pós-estruturalista, de viés cripto-marxista, com notas de cardamomo e masmorra, Felipe crê possuir um dom, mesmo que seja só se enervar jogando minecraft enquanto delineia a sobrancelha com pasta de amendoim para uma horda de paspalhos hipnotizados que o veneram. Sua carga milionária de seguidores explica melhor que qualquer tese séria a falência profunda da educação básica no Brasil.

O perigoso é que esses moleques andam influenciando gente graúda, embora tão infantil quanto eles próprios, como o ministro Barroso da nossa suprema corte. Ambos se acham dotados de uma percepção aguda sobre a realidade quando, na verdade, tudo o que conseguem observar é a extensão do próprio ego. E quando a realidade se choca com o ego, o resultado é a busca desesperada por calar a realidade. 

Felipe é a cara do mundo de hoje. É um verdadeiro homem das alturas. Ao recuperar-se do solavanco com a foto, um tanto mais resignado, Felipe vai ao toalete, mira-se no espelho e, sabiamente, diz a si mesmo: “Meu Deus, eu preciso clarear meus dentes”. 

clareiafelipe


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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