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Chamar gesto “OK” de nazista é trollada do 4chan

Jornalistas que adoram acusar Deus e o mundo de “fake news” caem como patos em boato criado para rir de quem acha "nazismo" em tudo o que é NORMAL

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Após Filipe Martins, assessor da presidência com judeus na família, ser acusado de “nazista” por ajeitar o vinco do paletó como é feito por consultores de estilo (veja aos 3:06), todos os jornalistas do Brasil (que são, na verdade, uma única cabeça com muitos tentáculos, sem nenhuma idéia diferente) repetiram a cantilena de que o gesto de pinça com a mão aberta (o famoso gesto “OK”) seria um “símbolo de ódio de supremacistas brancos”. 

A historieta, que não convenceria e não convence ninguém que não seja lobotomizado por propaganda ideológica, tem uma origem que chega a ser risível para quem tem cultura. O próprio site Mashable, ou Know Your Meme, contam a história.

Para sacanear a ideologia do progressismo e da “teoria crítica” da Escola de Frankfurt, que tenta, justamente, encontrar “racismo” e “nazismo” e “preconceitos genocidas” até em regar uma planta, uma turma no 4chan (muito usado na América, quase desconhecido no Brasil) resolveu fazer uma trollagem.

Ou seja, um boato para fazer jornalistas caírem como patos. 

O boato era o de que o sinal de “OK” feito com as mãos seria um dog whistle, um apito de cachorro (só entendido pela militância, como apitos de cachorro não são ouvidos por seres humanos), com uma mensagem cifrada: supremacia branca. Foi a chamada “Operação O-KKK” (para quem não sabe, apenas brasileiros riem com “kkk”; na América, isto faz com que muitos brasileiros sejam considerados… supremacistas brancos).

Jornalistas, não despiciendo o spoiler, caíram como patos. E passaram meses “denunciando” pessoas que fossem flagradas fazendo o tal sinal de “OK” com os dedos como se fossem nazistas.

Não é pecado não conhecer um meme. É gravíssimo até mesmo para a liberdade política de um país que jornalistas sejam burros a ponto de não saberem o que deveriam pesquisar antes de “informar”, até no Jornal Nacional. Não são eles que acusam Deus e o mundo de fake news?

Afinal, jornalistas e políticos de esquerda não têm cultura nenhuma. Tente imaginar William Bonner lendo sobre a importância de Michel Vâlsan para a hégira francesa ou Randolfe Rodrigues explicando a influência de Julius Langbehn na gênese do nazismo. Conseguiu? Pois é. Quando o assunto for adulto, chame-nos. Ideólogos chics só servem para te tapear.

Operação O-KKK

O símbolo de OK foi escolhido a dedo (epa!) porque qualquer pessoa normal sabe que é um dos símbolos mais repetidos pela humanidade. As pessoas o fazem até digitando, enquanto esperam as palavras virem para nos xingar e dizer que tudo depende do contexto. A palavra “OK” (se é que é uma palavra) é considerada a mais universal do mundo, sendo entendida em todas as línguas civilizadas. Nem “hi” tem o mesmo status.

Ou seja: William Bonner, Renan Brites Peixoto, , Guga Chacra, Guilherme Amado, TODOS ELES fazem o sinal de OK. Tá OK? Ou você consegue imaginar Randolfe Rodrigues e Rita Lisauskas tomando cafezinho sem levantar os dedinhos, fazendo o mesmíssimo gesto? 

Mailk Obama, irmão de Barack Obama. Segundo Felipe Neto, Randolfe Rodrigues, William Bonner e a Globo News, um supremacista branco.

Um dos usuários do 4chan assim descreve a Operação O-KKK: “Os esquerdistas se afundaram tanto em sua loucura que precisamos forçá-los a cavar ainda mais. Até que o resto da sociedade nem chegue perto dessa merda”. Não poderíamos concordar mais: você consegue explicar pra sua tia do Zap, ou qualquer pessoa com uns 50 anos e que não saiba o que é um “troll”, que Filipe Martins é um nazista por… ajeitar o paletó? Pois foi este mesmo o objetivo da Operação O-KKK: mostrar o que acontece com sua inteligência quando você lê Rita Lisauskas.

Os próprios usuários do canal do 4chan fizeram o mesmo que recomenda Ryan Holiday, em “Acredite-me, estou mentindo: Confissões de um manipulador de mídia”: mandar mensagens para organizações de direitos civis (o equivalente a agência Aos Fatos ou ONGs de PSOListas no Brasil) “alertando” sobre o “perigo”. Todas trataram de espalhar a fake news, porque tudo contra a direita é tratado como verdade imediata.

A explicação que davam aos jornalistas era a mais ridícula possível (para a piada funcionar): seria um W com os dedos abertos e um P com o polegar e o indicador fechados, formando “white power”. Essa descrição monga está sendo “explicada” a sério por gente da jaez intelectual de Guga Chacra ou desses jornalistinhas da Globo News de quem ninguém lembra o nome. Saiu até mesmo no Jornal Nacional, com um “gênio” afirmando que é “claramente” um gesto de supremacia branca.

Este tweet ficou famoso na América ao ser compartilhado por Tim Pool com os dizeres “O jornalismo morreu”. Pool iniciou a carreira como esquerdista e, ao testemunhar repetidas vezes esquerdistas espalhando este tipo de desinformação, acabou indo para a direita. O Guga Chacra nunca vai te contar essa história, porque quer que você seja burro.

Até Oren Segal, diretor da Anti-Defamation League’s Center on Extremism (Centro sobre Extremismo da Liga Anti-Difamação), a maior agência trollada para acusar todo mundo de nazista, é cristalino: na maior parte das vezes, é mesmo um OK. Depende do contexto. E qual o contexto para chamar Filipe Martins de “supremacista branco”? Odiar judeus e Israel? Ah, ops. Este é o exato contexto de quem acusa Filipe Martins de “nazista”, enquanto Filipe Martins ajuda o povo hebreu mais do que qualquer assessor da presidência antes dele.

Já Mark Pitcavage, pesquisador sênior na mesma Anti-Defamation League’s Center on Extremism, explicou em um post de blog que as pessoas precisam se manter céticas quando um novo gesto é chamado de “supremacismo branco” ou símbolo de ódio.

Operação O-KKK: Fazendo jornalistas de trouxas. No Brasil, além de trouxas, viraram censores autoritários. A “explicação” zoada é levada a sério até no Jornal Nacional, que fez campanha de desinformação ao espalhar a fake neews

O caso que é sempre citado, como se fosse uma regra, e não justamente a exceção, foi o do supremacista branco (fenômeno tipicamente europeu e americano) Brenton Harrison, que abriu fogo contra duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, e fez mesmo o gesto de OK no tribunal (mostrando que não entende muito o que tá rolando no mundo). Ou seja: jornalistas encontraram uma “prova” de que não haviam sido trollados, e sim de que é mesmo um gesto supremacista! (provavelmente o tal desequilibrado ficou sabendo disso consumindo a própria mídia)

Reparou como todo atentado terrorista muçulmano, que acontecia mais ou menos uma duas vezes por mês no centro do Ocidente até Trump entrar e acabar com o Estado Islâmico, é descrito pela mídia com os dizeres “o islamismo é uma religião da paz”, enquanto os raríssimos casos de atentados de supremacistas raciais vêm com o alerta “Está crescendo o extremismo de direita, todo direitista pode ser um, tome cuidado e denuncie seu vizinho!!!!”? Pois então: é como a voz insuportável da Leilane Neubarth te faz ter medo da “ascensão do supremacismo branco no Brasil”, enquanto trata o Estado Islâmico matando centenas de ocidentais no coração do Ocidente como um mero acidente de percurso.

A direita brasileira se preocupa até com com gosto musical antes de se preocupar com o que raios é “raça”

No Brasil, a direita, tratada como “vira-lata” pela esquerda e pelo centrão (somos mesmo), praticamente nunca teve a questão “racial” como mote. Pelo contrário: até o que é chamado de “fascismo” brasileiro, o integralismo, usava palavras indígenas (como “anauê”) como símbolos. Simplesmente porque não faz sentido falar de raça em nosso país. Aliás, não faz sentido falar de “raça” como um todo. E ninguém melhor do que Filipe Martins para explicar isso.

Enquanto a direita americana conheceu René Guénon e Julius Evola ontem, nós já tínhamos um Olavo de Carvalho explicando o risco de Guénon para a islamização do Ocidente, e como o conceito de “raça” havia sido destruído por Eric Voegelin no seu livro Rasse und Staat, de 1933, que mostra que a própria idéia de “raça” é filha da modernidade. E Olavo fazia isto na década de 90! 

A direita americana é que prefere um neotradicionalista que ultrapassa as raias do racismo eslavófilo como Aleksandr Dugin, a última vítima a debater com Olavo – e perder miseravelmente. Está do lado oposto da recém-criada intelectualidade conservadora do Brasil.

E sabe quem tem um curso sensacional sobre tudo isso? Exatamente! O Filipe Martins! Lá no Instituto Borborema – pode ver a ementa aqui! Agora só imagine um Felipe Neto ou Rosana Hermann tentando entender os últimos parágrafos. Sentiu a diferença?

Isto acontece porque todos os jornalistas, políticos e intelectuais deste país (e não só dele) que não pensem seguindo a tradição filosófica (aquela coisa de silogismos, lógica, confrontação de hipóteses e tal) só conseguem pensar por metonímias

Estas pessoas, que estão abaixo da nossa civilização, só fazem analogias, o que nunca permitirá um raciocínio mais elevado do que as opiniões correntes. Do tipo “Filipe fez OK – um supremacista fez OK – logo, Filipe é nazista”, sem entender que isto é propaganda para os sentidos mais baixos, e não argumento filosófico. Porque é só uma metonímia com características acidentais (o famoso ad Hitlerum do “sabe quem também bebia água?”).

Judeus sendo levados para as câmaras de gás pelo supremacista branco Filipe Martins.

Exatamente por isso o boato (hoax) do 4chan foi tão divertido: para fazer todos estes patetas, que se acham inteligentes, se sentirem o máximo, quando todo o “nazismo” que combatem é a normalidade da vida – inclusive da vida delas (“ei, veja bem, pegaram uma foto minha fazendo sinal de OK, mas tem todo um contexto, eu não sou acusado de neonazista pelos meus amiguinhos!”).

Alguém em 2021 conseguir colocar no Jornal Nacional e no Jornal da Globo duas reportagens de 5 minutos cada falando sobre o gesto de ajeitar a lapela de alguém com judeus na família e com curso negando o conceito de “raça” e que lutou com judeus para reconhecer Jerusalém como capital de Israel só mostra a intelectualidade doentia em que estamos.

Estas pessoas não são nem patas que caem em fake news. Não são nem jornalistas ruins. Não são nem sofistas.

Elas só agem pelos instintos mais baixos do ser humano. Aquilo que temos, afinal, de menos humano.


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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