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Uma hora vai

Jornalismo de ficção demite Moro pela enésima vez

É difícil dizer quem está mais perdido nesse momento: fãs de artistas, gente que ouve sermões do seu ventilador, apreciadores da culinária fecal do Catraca Livre ou leitores de O Antagonista

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O mundo ainda estava em sua alvorada. E o primeiro homem, ao deparar-se com um Leopardo Dente-Agulha-de-tricô, apercebendo-se do perigo, deu dois passos para trás. Um breve recuo e um avanço extraordinário. Ali começamos a andar pra trás. A expressão popularizou-se. 

A fake da vez foi que Moro havia pedido demissão (notícia que faz jus à expressão) porque Bolsonaro estaria disposto a mudar a cúpula da Polícia Federal. O Antagonista, site de fofocas especializado em desestabilizar o mercado e dar emprego a incels que brincam de adultos, anuncia a queda de Moro desde o fatídico dia em que Ugudandu recuou ao ver o Leopardo Dente-Agulha-de-tricô (panthera pardus agulhus tricoe)*.

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Sérgio Moro é uma das figuras mais populares do atual governo. O responsável pelo desbaratamento da maior quadrilha de criminosos do planeta é considerado um dos nossos heróis. E é por isso que a turma sofisticada tenta desestabilizar sua relação com Bolsonaro. No jogo das narrativas, Moro é um obstáculo para a isentolândia bala de menta. Ele e Paulo Guedes, as vítimas preferidas dos analistas de cardigan e calça chino de alfaiataria.

Assim que a notícia foi dada os mercados caíram. 


Enquanto investidores lucram, Felipe Moura, El Juveninho, um Tonho da Lua do jornalismo profissional, segue sua cruzada contra a vida corriqueira. O antigo conselheiro amoroso acredita que suas reportagens mequetrefes tem alguma relevância. Conforme comentado aqui, o terror das morenas “fichas sujas” acredita que o diretor-geral da PF está sendo fritado porque descobriu o tal gabinete do ódio.

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O Juveninho Pérola Negra deu pra dizer que faz parte do jornalismo independente. Pela primeira vez, acerta. É um jornalismo independente da notícia, da verdade e dos fatos. 

O gabinete do ódio, causa das poluções noturnas de Alê Frota e FMB, é pura ficção, mais uma. Mas a sincronia de tuítes da oposição, essa sim, é uma mera coincidência. 

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Num futuro que já se afigura, quem acredita em O Antagonista e seus tentáculos será comparado aos que crêem que golfinhos são aliens evoluídos, aos que ouvem sermões do seu ventilador e aos que confiam que gritando “isso não é um coelho” 3 vezes pela manhã, vão entender o Finnegans Wake.

 

* Estudos recentes dão conta de uma nova teoria sobre os primeiros passos para trás da humanidade. A descoberta do crânio fossilizado de um homem de Cro-Magnon nos fundos de uma lan-house de Zagreb leva a crer que o recuo primordial foi executado quando um macho da espécie resolveu dar uma escapadinha do ritual da pesca, foi farrear no festival da colheita do figo espinhoso e voltou meio alto de tanta marula que comeu. Ao chegar na caverna, foi surpreendido por sua esposa que correu para atacá-lo com uma panela de argila. A medição científica crê que ele conseguiu dar três passos para trás antes de ser alvejado pelo cabo de osso da panela. 


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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