Digite para buscar

A queda

Em outubro, delegados da PF reclamaram em ofício da ingerência de Moro

Delegados criticavam Moro por deixar engavetados processos contra políticos corruptos

Avatar
Compartilhar
Moro, PF, Delegados, ingerência, Bolsonaro

Herói, fino, técnico e prudente, Sergio Moro não conseguiu manter a imagem de discrição na última sexta-feira, 24, quando armou um espetáculo midiático para fazer acusações graves ao governo Bolsonaro.

A perplexidade abateu-se sobre a nação.

Durante a coletiva o ex-ministro afirmou que nem na época do PT a autonomia da Polícia Federal (PF) foi violada.

Até seus seguidores mais aguerridos desconfiaram da veracidade da declaração.

Então, antigas notícias sobre interferências na PF por parte de Lula, Dilma e Temer voltaram ao debate público.

Lula trocou o comando da PF e Abin para ter informações de grandes operações e Dilma tem o caso do Bessias, como já noticiado aqui no Senso Incomum.

Reportagem da Folha, em 2007, trata a interferência política de Lula na PF como algo banal

Mesmo com tamanha ingerência da quadrilha petista, a PF fez seu trabalho de modo heroico.

Na operação Lava-Jato, a mídia noticiava diariamente sobre algum político sob suspeita, preso ou fazendo alguma delação.

Quando Moro se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública, as grandes operações da PF contra a corrupção política quase que desapareceram.

Um motivo óbvio é o fato de que no atual governo, ao menos no Executivo, não há notícias de corrupção, como era comum na era petista. O máximo que inimigos do governo conseguiram fazer até então foi uma CPMI das Fakes News, com relatores que aprenderam a mexer no Whatsapp graças a seus netos.

Outro motivo, como observado pelo jornalista Guilherme Fiuza, Moro, quando assumiu o super ministério, deixou passar lambanças de vários políticos que poderiam ser presos em sua gestão.

Em outubro de 2019, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) enviou ao diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo, uma carta apontando uma série de insatisfações da instituição:

1. Assuntos importantes estão parados e a PF está relegada a segundo plano;

2. Não há critérios para assunção de postos internos na PF e graves problemas de gestão de pessoal;

3. O Ministério da Justiça exclui a PF da coordenação de investigações e interfere no entendimento jurídico da autoridade policial nos inquéritos;

4. O Ministério da Justiça labora de forma que atividades investigativas podem ser anuladas futuramente em casos envolvendo detentores de poder político.

O documento deixa claro que quem estava interferindo na PF era… O próprio ministro Sérgio Moro. Vale notar que na época desta carta, Bolsonaro já tinha a intenção de trocar o chefe da PF – intenção que foi tratada como mais um motivo mesquinho do presidente pela imprensa.

Desde então, as grandes operações da PF concentraram-se na repressão ao comércio de drogas, na apreensão no contrabando cigarro paraguaio, na pesca ilegal etc.

São operações muito importantes, mas seria fundamental ir atrás dos verdadeiros cabeças destes crimes – alguns deles, conhecidos políticos -, que por algum motivo misterioso, seguem com suas atividades ilícitas.


Guten Morgen Go – Primeira Guerra Mundial já está no ar!! Conheça o conflito que moldou o mundo problemático em que vivemos em go.sensoincomum.org!

Faça seu currículo com a CVpraVC e obtenha bônus exclusivos!

Conheça a Livraria Senso Incomum e fique inteligente como nós.

Vista-se com estilo e perca amigos com a loja do Senso Incomum na Vista Direita

Assuntos:
Avatar
Oliver

Oliver é dropista, podcaster e palestrante. Twitter: @Oliver_talk

  • 1