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Relações Públicas

Felipe Neto diz que pagará pela educação da menina. Por que não do bebê?

Ação faz parte da repaginação do youtuber como defensor de criancinhas. A um só tempo, entretanto, Felipe Neto negou a humanidade do bebê de 6 meses morto por solução salina

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Felipe Neto imita foca

Felipe Neto afirmou que quer o contato da família da menina que praticou um aborto em Recife para pagar integralmente pela sua educação “até o fim da faculdade”. De acordo com o youtuber, é uma arma que ele pode dar a ela “num mundo de injustiças e desigualdades”.

Felipe Neto tem se pintado como um “filantropo”, técnica de homens ricos como Bill Gates e George Soros. É assim que a sua equipe o descreve na Wikipedia.

Uma boa assessoria de comunicação e relações públicas costuma ser eficiente para repaginar o passado de uma pessoa, como a do youtuber com vídeos com ações idiotas para crianças, como colocar 100 chicletes na boca ao mesmo tempo, e que também fazia vídeos com comentários sexuais, sobre tamanho do pênis, que homens não sabiam fazer sexo oral, que uma mulher deve transar por mero prazer etc. Também ensinou a todos como ver vídeos com conteúdo adulto, e hoje derruba todos os posts que mostram seus vídeos antigos, afirmando sofrer “fake news” quando falam que favoreceu “erotização infantil”.

Isso, claro, sem falar no seu livro com o jogo “Casa, Mata ou Trepa”, sem indicação de ser um conteúdo impróprio, no qual sugere a, digamos, “discussão” do que fazer com a youtuber Vih Tube, que era menor de idade.

A atitude é bonita e merece aplausos, independentemente das intenções de Felipe Neto.

Mas, falando em intenções, não é meio estranho que Felipe Neto queira cuidar da educação da menina estuprada, mas seja favorável ao aborto por solução salina do bebê, fruto dos reiterados estupros que uma menina de 10 anos sofria, mas completamente inocente destes crimes?

A idéia é que Felipe Neto (agora) se preocupa com crianças com contato com sexo, o que é sempre uma violência. Como é milionário, pode fazer o que nós, “que só reclamamos”, não podemos: praticamente adotá-la financeiramente, para ter uma vida digna.

Claro, nosso trabalho lendo livros, estudando filosofia, literatura e história, de fato não rende os mesmos dividendos de Felipe Neto imitando foca, se gabando de estar na área VIP de camarote de Las Vegas de R$ 20 mil ou dizendo que Nossa Senhora deve ser surda e chamando católicos de “filhos da puta”.

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Mas, se Felipe Neto está tão preocupado com crianças mesmo, por que defendeu tanto que o bebê recém descoberto precisava morrer em uma solução salina, que causa dor “excruciante” e queima o bebê por dentro, procedimento que só pode ser ministrado para eutanásia de animais após anestesia completa?

Tendo a gravidez sido descoberta recentemente, não seria mais, digamos, sensato defender uma cesárea em algumas semanas, quando o bebê poderia nascer sem precisar ser assassinado sofrendo tamanha dor com 6 meses de gestação? Não valeria a pena ajudar os custos de quem quisesse adotá-lo? O bebê não é tanto vítima quanto a menina de 10 anos? Por que a opção preferencial por matá-lo?

Pelo contrário, Felipe Neto negou qualquer humanidade ao bebê. E advogou que quem prefere o bebê vivo “não é mais um ser humano, apenas uma ferramenta da maldade teocrática em busca de poder”. Não sabemos que “poder teocrático” estamos favorecendo ao preferir retirar o bebê vivo, e não morto.

Aliás, Felipe Neto negou até mesmo que vidas não-nascidas mereçam ser salvas. Até comparou “uma caixa com 100 embriões” (ou seja, uma “caixa” com vidas, mas que não estão em um útero para serem gestadas) a uma criança.

Poderíamos também perguntar: se houver em um incêndio, de um lado, uma grávida de 6 meses, e do outro lado o Felipe Neto, quem você salva? Uma vida ou duas?

Felipe Neto tem feito sua carreira deslanchar ainda mais com essa repaginada em sua persona pública, mostrando-se agora sério, sem palavrões, sem falar “buc***” em um canal freqüentado por crianças, sem cabelos coloridos, conversando com Câmara dos Deputados para instaurar a censura na internet ministros do ███. E agora parece se pintar como o defensor dos fracos. Mas é, na mais branda das hipóteses, contraditório defender crianças e negar humanidade a bebês de 6 meses de gestação. E ainda compará-los a uma “caixa de embriões”.

Curiosamente, Felipe Neto está há um ano sem comer carne de origem animal, preocupado também com os bichinhos.

https://twitter.com/felipeneto/status/1295587689123786752

Temos certeza de que ele acharia um absurdo ministrar uma solução salina para um cãozinho adoentado. ❤️🌱


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Flavio Morgenstern

Flavio Morgenstern é escritor, analista político, palestrante e tradutor. Seu trabalho tem foco nas relações entre linguagem e poder e em construções de narrativas. É autor do livro "Por trás da máscara: do passe livre aos black blocs" (ed. Record).

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