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Ilusão neurótica

Chaucer e clássicos da literatura podem ser substituídos por aulas sobre raça, feminismo e gênero

Universidade de Leicester propõe substituir clássicos da literatura inglesa, como Beowulf e os Contos de Canterbury, por aulas sobre cor de pele, sexualidade e feminismo

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“E também exigia o bom Platão

Que o Real fosse irmão da Narração”

Chaucer, Contos da Cantuária

Nas novas propostas da Universidade de Leicester, Geoffrey Chaucer não tem vez. Mas é por um bom motivo. Ao invés de gastar o circuito cada vez mais simplório das cabecinhas da mocidade, a cúpula iluminada da universidade acha que é mais legal dar aulas sobre quem é preto e quem não é e sobre quem é homem ou mulher.

Segundo o The Telegraph, textos fundamentais, como os Contos da Cantuária e o épico Beowulf, não atendem mais ao plano de um currículo descolonizado, dedicado à diversidade.

“Novos módulos descritos como ‘extremamente inovadores’ cobririam: ‘Uma história literária cronológica, uma seleção de módulos sobre raça, etnia, sexualidade e diversidade, um currículo descolonizado e novos módulos de empregabilidade’.”

Se houvesse distinção de qualidade entre a literatura negra, branca, de quem tem vitiligo ou pinta bolinhas verdes nas coxas, ou de gente que põe o arroz por cima do feijão, que segura o espirro ou que lava as mãos cantando “Parabéns a Você”, talvez esses cursos fizessem sentido.

Se ser homem ou mulher (só existem esses gêneros), submeter as pregas a provas de aderência e elasticidade, mudar de sexo aos sete anos ou sair copulando com toda fauna humana fosse primordial para ser um craque na escrita, aí o curso teria certamente a minha aprovação.

Não me parece o caso.

A síntese do progressismo moderno é substituir tudo aquilo que tem algum valor cultural por uma cadeia de bondades artificiais, retirando do indivíduo toda a sua singularidade.

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Essa destruição só pode se dar no Ocidente porque toda essa cultura que está hoje sendo “cancelada” é que deu dignidade aos semi-mongolóides que acham que suas vidinhas são muito opressivas, enquanto usufruem de todas as maravilhas do mundo moderno, inclusive, vejam só, prestígio.

Nunca foi tão fácil esquadrinhar a preparação para o maior genocídio cultural e, em breve, físico que se tem notícia na história. Nem os macacos bonobos onanistas desceram tanto na sua escala social quanto essa meia-dúzia de pretensos iluminados, seguidos por hordas de bárbaros.

Naturalmente, isso é também mais uma apropriação de um dos maiores ganhos ontológicos do Ocidente: a culpa cristã. Mas se a culpa cristã é um ganho ontológico, a culpa dos progressistas é sempre uma perda, porque deforma o senso de justiça, como diria Hugo de São Vítor.

A religião cristã reconhece a falha humana e dá à consciência o poder de vasculhar suas más condutas, que, se exercido de forma correta, as amenizam com o tempo. Após confessar a cada domingo suas faltas, o cristão vai recolhendo o ímpeto de cometê-las.

Já a culpa esquerdista/progressista é sempre fatal, demasiado séria, e por isso é jogada para debaixo do tapete. O esquerdista sublima sua culpa com slogans superficiais que se tornam mais radicais com o tempo.

A tentativa de destruir a estrutura, ainda que imperfeita, que permitiu ao Ocidente chegar onde chegou, criando imensas redes de convergência e busca pela ordem, é classicamente uma atitude bárbara.

Mas o bárbaro é você que não sabe que a raça do indivíduo ou a forma como lubrifica o roscofe é essencial para a formação de uma escola literária que ampliará a percepção da humanidade acerca de si mesma

Chaucer, pouco se lixando para a mamparra que se apoderou das universidades, ja tem o seu legado impresso na memória da humanidade.

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“Devia acaso enlouquecer no estudo, no claustro, ou recurvado sobre o ancinho? Penar, conforme as regras de Agostinho?” Para o mundo moderno, melhor saber diferenciar quem é azul de quem estaciona a mandioca no oritimbó.

É o próprio Chaucer quem dá ao progressisto fanático um alento:

“Mas antes que a viagem seja finda

Alguma distração será bem-vinda,

Pois ficarão doidos, quase enfermos,

De andarem sérios o caminho inteiro.”

Faça um favor a si mesmo. Leia Chaucer!


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Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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