Existe um motivo único para que José Mayer, goleiro Bruno e Dilma Rousseff saiam impunes: a esquerda culpando abstrações e generalismos.

José Mayer admitiu um caso de assédio, em que uma cinegrafista afirma que o galã da Rede Globo teria dito frases como “Fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, perguntando “Você nunca vai dar para mim?”, e ainda tocou sua genitália, diante de outras mulheres que apenas riram da situação.

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José Mayer veio a público após post da cinegrafista relatando sua situação no Facebook, que desencadeou uma campanha de hashtag contra o assédio. Em sua defesa, o ator global admitiu o erro, dizendo que é “fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas  invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas”. Em sua, a culpa não é sua, e sim da sua geração, do ano em que nasceu, do mundo que ainda não havia mudado e do “machismo”. José Mayer é praticamente o passivo da relação.

O goleiro Bruno transou com a atriz pornô Eliza Samudio, a engravidou e, após exigências da moça sobre um reconhecimento de paternidade, contratou um assassino de aluguel para matá-la. Esquartejada, suas mãos foram dadas a cães Rottweiller. De acordo com um primo de Bruno, o filho de Eliza Samudio e do goleiro, Bruninho, na época com apenas 4 meses, viu a mãe ser enterrada.

O goleiro Bruno saiu da cadeia no modelo de coitadismo penal brasileiro, em que se crê que a cadeia não serve primordialmente para punir um criminoso, e sim para “reeducá-lo” para a sociedade. Assim que o goleiro Bruno saiu da cadeia, foi disputado por diversos times e rapidamente já estava empregado. Fãs fazem fila para conseguir um autógrafo do ídolo.

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Dilma Rousseff foi julgada em processo técnico, jurídico e político por ter maquiado contas para se reeleger, escondendo a grave situação de crise financeira na qual hoje se encontra o país. Também tinha proximidade com figuras hoje presas, ou investigadas até a medula por roubos gigantescos. Também fez acordos bizarros, como a indefensável compra da refinaria de Pasadena. O TCU fez votação histórica por unanimidade, rejeitando suas contas de campanha. Sua chapa inteira, incluindo o destino de Michel Temer, seu vice, ainda será julgada pelo TSE, por uso de caixa 2, conforme ainda relatado em delação premiada por Marcelo Odebrecht (Dilma nega que tenha sido alertada, obtemperado que tinha ido despachar com o ministro Barroso).

Dilma Rousseff alegou que não fez caixa 2 e nem pedaladas fiscais, e também que todos praticaram caixa 2 e pedaladas fiscais, e que sua meta de gastos não foi declarada, mas quando se atingisse tal meta, iria-se dobrar a meta, portanto as contas públicas do país estavam em ordem e a culpa definitivamente é da crise de 2008, a famosa “marolinha”.

José Mayer, goleiro Bruno e Dilma Rousseff são todos frutos da mesma cultura: não da “cultura machista” ou outros moinhos de vento modernos, mas da ideologia de esquerda.

Uma das principais diferenças entre direita e esquerda não é a economia, o tamanho do Estado ou costumes conservadores ou progressistas: boa parte disso é conseqüência de uma diferença de pensamento mais profunda, que subjaz escondida no debate político moderno: uma diferença de visão sobre o mal.

Para a direita, caudatária da cultura judaico-cristã, do pecado original e da idéia de uma alma dividida entre bem e mal, todo crime é fruto de uma decisão individual, de uma moral desligada da graça que não resiste à tentação de atalhos mais fáceis e violentos. O Direito Penal nasce como base da sociedade, que só pode suportar um Estado se este for pequeno e sempre controlado pela população civil. Seus modelos penais podem ser analisados em personagens como Hamlet ou Raskólnikov.

Para a esquerda, subserviente à ideologia da sociedade moldando o homem, todo crime é culpa antes de um coletivo, seja um constructo genérico (a sociedade), uma estatística econômica (a desigualdade), uma época ou, como é mais freqüente nestes dias, um costume ou suposta ideologia (o machismo). O Direito Penal é corretor não do encarcerado, mas um instrumento de reforma ou revolução, em que o criminoso deve ser reintegrado à sociedade com nova educação, pois sua ação não é livre, mas apenas reativa a um tecido social que determina seus atos. Seus modelos penais são os criminosos que culpam o sistema, como os capitães da areia de Jorge Amado, ou assassinos com “causas sociais”, como Lampião.

Mesmo no caso de crimes brutais, em que a maldade individual transpareça, a esquerda tende a se cegar para a “obscurantista” idéia de bem e mal e apenas acentua caracteres sociais.

Quando a jovem Liana Friedenbach foi seqüestrada, estuprada e assassinada a faca fria poelo frio assassino Champinha, esquerdistas como Túlio Vianna trataram o horrendo homicídio como uma perseguição da mídia contra pobres da periferia:

“Liana e Felipe (…) foram vítimas da desigualdade brutal que tanto os distanciavam de Champinha, seu suposto algoz e atual personificação do demônio segundo a mídia-urubu que a cada dia infesta nossos noticiários”.

Marilene Felinto, da Caros Amigos, comentou o mesmo caso tripudiando da menina “loirinha”:

“O caso de Liana Friedenbach reúne todos os elementos da hipocrisia da elite paulista – esta de nomes estrangeirados, pronta para impor-se, para humilhar e esmagar sob seus pés os espantados ‘silvas’, ‘sousas’, ‘costas’ e outros nomezinhos portugueses e ‘afro-escravos’.”

Nada mais natural, portanto, que José Mayer, o “Champinha” do caso atual (guardadas as devidas proporções gritantemente distintas), também apele à terceirização da culpa: é apenas um “suposto algoz”, e quem deve ser reformado é o “machismo”. Sobretudo daqueles que nunca apalparam a genitália de nenhuma mulher, e que justamente por usarem uma moral para refrear seu apetite sexual puro, são chamados de “machistas”. Afinal, é a sociedade (ou uma generalização, como “os homens”) que são culpados. Nunca foi um homem que escolheu o mal no lugar do bem: são todos os homens, incluindo os que escolheram o bem, que devem ser sacrificados no altar josémayeriano.

É algo que um direitista nunca faria. Mas, graças à esquerda, tal comportamento pode ser justificado. Até mesmo ser considerado “feminista”.

O goleiro Bruno, então, é show de bola (pun intended) para a esquerda: pobre e mulato, pode ser facilmente acusado de vítima de preconceito e racismo. Assassino por conta de disputa sobre paternidade, poderia até mesmo virar garoto-propaganda de uma campanha a favor do aborto. E se conseguiu a liberdade, foi exatamente pelo pensamento de esquerda: a cadeia não serve pra punir, deve reeducar, ele já está pronto para ser reintegrado à sociedade.

Como crimes são coisas sociais, é preciso reformar não o goleiro Bruno, mas a sociedade: saca-se de novo a palavra “machismo” para equiparar padres que não ordenam sacerdotes mulheres e a falta de mulheres em cursos de Física experimental com o goleiro que mandou esquartejar a atriz pornô que engravidou.

Nada melhor do que sua reabilitação à sociedade como prova do sucesso esquerdista. Infelizmente, é exatamente quando um caso concreto surge à tona, consubstanciando todo o belo discurso progressista e “pelos oprimidos” da ideologia de esquerda, que todo o palavrório se revela um canto de sereia, e se vê que a culpa na terceira pessoa do plural, ou em coletivos, ou abstrações, ou palavas malemolentes, só causa uma injustiça real.

Por fim, há Dilma Rousseff. Se Dilma Rousseff é inocente e vítima de um “golpe” porque está sendo punida, após julgamento, por crimes que cometeu (mas são culpa do sistema, todos os outros cometeram, foi a crise-marolinha de 2008, eu estava ocupada tirando a moréia da caverna etc), é porque Dilma e seus acólitos são os que permitem que casos como o de José Mayer e do goleiro Bruno existam.

Basta pensar em qualquer um dos casos por um segundo para perceber: fossem pessoas de direita, com a tal “moral conservadora” tão criticada, e nenhuma teria como cometer seus crimes, muito menos justificá-los e sair por cima.

Se a esquerda quer tanto lembrar que a vítima nunca é culpada em caso de estupro, deveria lembrar de aplicar a mesma regra a todos os outros crimes – e saber que foi seu próprio pensamento contraditório que inventou tal desculpa, e não a noção de bem e mal firmemente delimitados e separados do pensamento conservador.

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  • TheDigosin .

    Sim, a moça vai e entra no bonde do comando vermelho, usa um caminhão de drogas com marginais sem freio moral algum, faz orgia com os mesmos e apaga durante o ato. Sim, ela não possui responsabilidade nenhuma pelo que aconteceu, mulheres não precisam ter senso de segurança algum. Sobre os estupradores, é oque se espera de marginais, desnecessário dizer que deveria encarar o pelotão de fuzilamento.

  • Marcos Paulo Rossetti Candelor

    Boa noite, galera do Senso.

    Meu nome é Marcos, sou professor de História e Sociologia no Ensino Médio/Pré-vestibular em Ribeirão Preto. Sou graduado em História pela USP -é, eu sei o que você pensou, Flávio. Há algum tempo acompanho com afinco as análises e elucidações do site. Hoje, vejo o Senso Incomun como o mais lúcido e interessante meio de divulgação opinativo sob o prisma conservador. Tanto é que me tornei um patrocinador pelo Apoia-se (não é muito, afinal ser professor…) há uns bons três meses, mais ou menos. Vocês fizeram parte de um momento de virada em minha vida. Sim, eu fiz parte do clichê FFLCH. Não fui tão radicalizado, mas já participei de atos lúdicos do PSOL contra o machismo e a homofobia. É, eu sei, eu sei. Fiz, inclusive, minha pós em marxismo. Só depois de algum tempo fora do brejo do Butantã que fui apresentado a autores como Ortega y Gasset, Mario Ferreira dos Santos, Olavo de Carvalho e Edmund Burke, dos quais eu nunca havia ouvido falar -quelle surprise- dentro da USP. Um mundo novo de perspectivas e possibilidades abriu-se quando me permiti lê-los de cabeça aberta, sem o presunçoso preconceito fflchiano. E vocês fizeram parte disso! As ótimas análises do Filipe, a ironia ardente do Flávio (adorei o livro também), a perspicácia do Gordon e do maestro Martins etc. Enfim, escrevo-lhes para parabenizá-los e aventar a possibilidade de poder escrever algo para o Senso. Pragmaticamente, há uma forte identificação com as ideias e valores aqui apresentados.

    Grato pela atenção,
    Marcos P. Candeloro

  • Poxa, é mesmo?Mostre aí quem, porque leio livros conservadores todo santo dia e não vi até agora nenhum dizendo: “Matem, exterminem, escravizem, queimem, torturem”. Mas que comunista e islâmico que mata, extermina, escraviza, queima e tortura diz que a direita mata, extermina, escraviza, queima e tortura, disso não tenho dúvida.

    • Gahas

      kkkkkk A direita é TOP! Aliás, PDG! kkkkkk
      Fica a pergunta. Como a esquerda surgiu no paraíso mantido pela direita?

      Ah, os conservadores e os valores morais cristãos! UAU!!!
      Fazem parte desse paraíso que a esquerda “destruiu”, correto? kkkkkk

      Seguindo a regra de algumas sapiências acima, se deu certo é de direita, se deu errado a culpa é da esquerda. kkkkkkk

  • Pingback: José Mayer, goleiro Bruno, Dilma: todos culpam “a sociedade”. É porque são de esquerda | §|Olhar Católico|§()

  • Opa! Pode falar em termos genéricos, coletivos e abstratos (como sempre) para inculpar quem não tem culpa, mas aqui se atacou sim os estupradores, ninguém atacou a estuprada:
    http://sensoincomum.org/2016/05/31/estupro-coletivo-por-que-sim-ha-uma-explicacao/

  • Ainnem Agon

    Dilma não assume que fez caixa 2 mas assume que fez o número 2…. País bom.

  • Godofredo, há várias nuances dentro da esquerda. A gramscista, que praticamente só havia pego no Brasil (e agora virou moda na América, desde a década passada), prevê justamente o “intelectual orgânico”, ou seja, toda a sociedade acaba pensando justamente o que a esquerda quer. Basta pensar em feminismo, em tudo o que misturaram ao racismo, em machismo, homofobia e no que as pessoas pensam sobre Donald Trump sem saber quem é ele. Nada melhor para ser gramscista do que nunca ter lido Gramsci, mas ficar vendo Malhação o dia inteiro (note-se que não dá para virar leninista dessa forma). Isso explica o goleiro Bruno. Já José Mayer, a despeito do que vai no texto, é sim esquerdista, e como Dilma, também saiu do brizolismo.

  • Julio Cesar

    Puts.
    To viciado nesse site já.

  • Fábio Peres

    Só um detalhe: vítimas não são culpadas em caso de crimes, mas mentir para a Justiça também é conduta criminosa.

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