O apresentador Rodrigo Hilbert terá de depor por exibir o abatimento de uma ovelha. E se fosse um aborto? Ou o amor de Lula por cabritas?

O apresentador de programas de culinária Rodrigo Hilbert será intimado a prestar depoimento na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, para se explicar por ter cometido o hediondo crime de… abater uma ovelha em seu programa, que, segundo o Estadão, “mostrava a realidade dos produtores rurais em Santa Catarina”.

A situação transita perigosamente entre a comicidade e a morbidez totalitária, ainda mais em se tratando de um programa que mostra, justamente, a realidade dos produtores rurais. Afinal, quanto ainda podemos punir as pessoas por se apegarem à realidade, ao invés de viver em um safe space protegido por uma bolha de vácuo?

O caso de Rodrigo Hilbert parece alguma piada a ser comentada rapidamente na internet, mas reflete uma tendência muito maior e perigosa no Brasil e no mundo: a proibição do que possa ser “ofensivo”. Como se estar ofendido fosse sinônimo de estar certo. Ou, ainda pior, de estar sofrendo uma injustiça – basta pensar no que qualquer político diz ao ser pego com a boca na botija para entender o tamanho do problema.

A idéia de levar às autoridades (gerando jurisprudência e, posteriormente, costumes e leis) qualquer “ofensa” esconde ainda um perigo ainda maior, e nem por isso mais lento: a contemporânea proibição de falar a verdade. Rodrigo Hilbert, ao mostrar justamente a realidade da vida e do trabalho de produtores rurais, que alimentam o país inteiro e põem mistura no prato de cada pobre que pode comer um bife no país. Como alguém precisa depor por mostrar como se abate uma ovelha?

O apresentador foi denunciado por uma ONG de defesa de “direitos dos animais”. Uma petição na internet pediu o cancelamento do programa, sob esta justificativa (e esta é uma citação verdadeira):

“Porque ele assassinou ao vivo uma ovelha filhote, assassinou sorrindo, mostrando como é psicopata, monstruoso. Relatos de crianças que assistiram e não param de chorar, e perderam o apetite, e adultos também.”

Alguém precisa estar realmente doente para chamar um abate de “assassinato”, ou achar que tornar um animal em alimento é psicopatia. Estas pessoas não teriam a comida que receberam amorosamente da vovó e a capacidade de fazer sinapses tão longes de um silogismo se seus antepassados não tivessem comido ovelhas abatidas e muita proteína animal em um mundo selvagem e hostil. E alimentar famílias certamente é um motivo para sorrir. Votar em quem faz suruba financeira com dinheiro alheio via Friboi e JBS é que não é.

E adultos chorando por que Rodrigo Hilbert mostrou como se mata uma ovelha antes de se ter costelinha no supermercado? Já sugerimos aqui neste Senso Incomum na época da transmissão: que tal filmar um aborto? Podemos apostar de 10 contra 1 que os hipersensíveis que mandarão o apresentador para a delegacia por fazer o que é preciso ser feito para alimentar este país certamente são favoráveis ao aborto. Vamos filmar um aborto para ver se as criancinhas e adultos sorriem? Ou isso não seria “psicopatia”?

Pessoas apregoam o aborto livremente, e ninguém é obrigado a depor em delegacias por psicopatia. Para não falar em Maria do Rosário. Bastaria um único vídeo mostrando um aborto, ainda que indiretamente, e a discussão acabaria no país. Ou mesmo os vídeos da Planned Parenthood, a instituição à qual Hillary Clinton prometia mais verbas do pagador de impostos americanos em seus debates, cujos funcionários negociavam abertamente partes de fetos abortados.

Mas se a ONG de “direitos dos animais” quer fazer Rodrigo Hilbert ir à delegacia por transformar uma ovelha em alimento, desfrutado por 99% dos brasileiros, poderia exigir que um outro cidadão tenha de enfrentar a força da lei pelos maus tratos aos animais. Trata-se de Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista à Playboy em 1979 defendeu alguns hábitos sexuais que não citou em suas campanhas by Duda Mendonça:

Playboy – Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?
Lula –
Com 16 anos.
Playboy – Foi com mulher ou com homem?
Lula
(surpreso) Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…

Hoje, só a surpresa em dizer que não é gay é que causaria asco à militância. Provavelmente sua defesa apaixonada, romântica e de bom selvagem pelo “mundo mais livre” da bestialidade fosse chamada de “transespecismo” ou algum outro nome acadêmico chic do gênero. E os críticos seriam pechados como transespeciofóbicos. Com hashtag e tudo.

Basta cotejá-la a uma notícia também curiosa: um restaurante vegano espanhol proibiu uma mãe de amamentar o filho com uma mamadeira por ser um produto de origem animal. Novamente, é o tipo de notícia na qual os Social Justice Warriors (SJW) não podem pensar por muito tempo ou tentar extrair um princípio, ou terão de escolher entre feministas e vegans, e sua noção de justiça é apenas a de que ambos estão sempre certos.

Além de exigir dispêndio com a lei por simplesmente filmar a realidade, proibir cada vez menos lentamente que se fale a verdade e criar busílis com algo inócuo (e mesmo necessário) em um país com problema de fome e 60 mil homicídios por ano (boa parte deles graças às políticas de Lula), a hipersensibilidade seletiva de nossos Social Justice Warriors só mostra o quanto estão afastados justamente da realidade que Rodrigo Hilbert mostrou in true colours. E do que preocupa de fato o brasileiro de carne e osso, assassinado por psicopatas e com horror ao genocídio infantil do aborto.

De fato, parece que o único jeito de lidar com ovelhas sem “ofender” nenhuma ONG na qual ninguém votou para definir o que deve ser proibido e o que deve ser livre é se as comermos vivas. Com amor e camisinha.

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  • André Fochesato

    Isto já está ocorrendo há muito tempo, não só no âmbito psicológico, mas os grandes complexos industriais, as grandes corporações, alimentícias e farmacêuticas, colocam substâncias químicas em seus produtos que bagunçam com o sistema hormonal das pessoas, masculinizando mulheres e feminilizando homens, os chamados Disruptores endócrinos, que também estão muito presentes em agrotóxicos (lembrando que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo).

    Não é à toa que as meninas estão mentruando cada vez mais cedo, assim como tendo vontades sexuais antes do tempo. E os meninos, além de terem seus orgãos sexuais subdesenvolvidos, voz fina, estão cada vez mais afeminados.

  • Guilherme

    Alguém foi obrigado a assistir o programa? amarraram alguém com as pálpebras abertas em frente a TV? Foi tipo a Laranja Mecânica? Eu não entendi essa parte.

  • Pingback: O caso Charlie Gard e a doença de uma civilização – Instaurare omnia in Christo()

  • Helio T

    Certas notícias não merecem nem comentários… A verdade é que o mundo piorou demais com tanta frescura, tanto mimimi politicamente correto e participação autoritária das minorias em todos os assuntos, relevantes ou não. Tô fora!

  • Ilbirs

    Vídeo muito bom do Eduardo Bolsonaro que fala basicamente o que já foi dito aqui mas direciona especialmente ao público garotinho juvenil criado a leite com pera e ovomaltino:

  • Alonso Marinone

    Alguem já abateu ou viu abater uma lebre ???

  • PETRALHA = LIXO HUMANO!

    Deve ter dado um bug enorme na cabecinha da Fernanda Lima – seus miguxos esquerdistas querendo mandar o marido dela pra cadeia. Coitadinha!

  • Ilbirs

    Considerando o esquerdismo tanto do atacado quanto dos que o atacam, pode ser que o Lambgate tenha alguma função de “apito de cachorro” para a militância em geral, que passaria a mudar de foco de gays, negros e mulheres para o meio ambiente e os animais em geral. O raciocínio feito pelo Fábio do Click Time pode dar uma luz a esse respeito:

    Meio ambiente e animais são por assim dizer os inocentes úteis perfeitos, pois não são passíveis de em algum momento se desiludirem com a ideologia com a qual são embalados e passarem a combatê-la, até porque animais não raciocinam e meio ambiente é uma coletividade de fauna, flora e minerais que vai para muito além da dimensão humana imediata. Como no esquerdismo as bandeiras defendidas são só bandeiras mesmo e podem ser trocadas ao bel-prazer e ao contexto apresentado, a mudança para as causas ambientais também apresentaria a vantagem de gerar menos cizânia interna (pense aí naquelas brigas entre feministas em geral e feministas negras, PCO X PSTU e outras). Como é uma causa menos específica, a desistência e desilusão de um militante é mais facilmente compensável com a cooptação de outros.
    Assim sendo, precisamos ver o que o Rodrigo Hilbert fará com esses dementes que com ele chiaram ao mostrar o abate de um cordeiro. A coisa lógica e normal seria processar esses caras por crimes contra a honra, mas se houver engenharia esquerdista dentro da coisa, pode ser que tenhamos aqui mais um teste para ver se uma determinada causa emplaca ou não.

    • Le Zuero

      Verdade. Mas com relação ao ator em questão ele se posicionará no lugar que lhe der mais destaque mesmo que no futuro ele se ferre, justamente por ser um idiota útil.

  • Luiz Eduardo Tomaz

    Quando ouço o Lula falando merda também perco o apetite, e não paro de chorar, mas nem por isso ele vai até a delegacia se explicar… Lamentável, que com tantas gente passando fome, com tanto desemprego, toda essa violência tem gente que tem tempo livre para questionar uma das leis mais antigas da terra, a da sobrevivência.

  • Carlos Caramujo

    A vida pune. Fogo amigo.

  • Carlos Caramujo

    Redskins é de football.

  • Thiago Borelli

    Só cala a boca,pelo amor de Deus KKKKKKKK

  • Pelo que sei, usar termos/títulos longos e prolixos era costume dos burocratas soviéticos para fingir erudição. Isso explica o uso reiterado desse cacoete em nossas universidades cheias de esquerdistas.

    Lembro-me que meu professor orientador no TCC do curso de graduação que fiz em um CEFET me criticou porque meu trabalho tinha apenas 41 páginas, enquanto um dia na biblioteca da instituição vi alunos elogiando meu TCC (sem saber que era eu o autor) porque eu tinha me graduado com um trabalho tão sucinto! Foi um nítido contraste de visões da vida real (alunos) contra o bacharelismo pedante (professor).

  • Giovana Fiuza

    Eu não gosto desse tipo de programa, tenho nervoso com coisas assim com animais, então não assisto. Pronto. Mas não, desligar a tv é muito difícil para esse povo, que prefere proibir de vez tudo que os “ofende”

  • Francisco K. Komaba

    Kkkk..
    Leonardo Miguel….o senhor é mutio engraçado .

  • Lester de Menezes Pimentel

    Pois tenho me perguntado como aquele filme é tão real?
    Será o filme uma obra de ficção ou uma revelação de como será o futuro?

  • leonardolnm

    Perfeito!

    “Ele não sabe usar as 3 conchas” ahahah

  • Valdécio AB

    kkkkk, ainda pode rir né ?

  • Luiz Otávio Rujner Guimarães

    Triste constatação. Nosso Brasil, atravessando uma crise severa, em meio a tantos problemas sociais sérios, tem pessoas alheias a tudo isso, mas que estão preocupadas com o “absurdo” da exibição do abate de um animal em um canal fechado. Enquanto isso, logo ali, nas favelas, seus irmãos humanos são abatidos pelo descaso, pela fome e inanição. Seria cômico senão fosse trágico.

  • Jonny Hawkye

    Não se mostra isso mesmo porque todos sabem como funciona um abatedouro e ninguém que ver. Eles querem que seu churrasco seja algo que apareceu no açougue por magia e não por um bicho abatido. No mais esse esquerdista agora aprendeu na pele que “aqueles que ele defende” não estão nem aí pra ele. Ele não passa da “elite branca dos olhos azuis” que mata “cordeirinhos indefesos” ao vivo!

  • leonardolnm

    Análise sóbria e precisa. Parabenizo pelo excelente texto.

    Infelizmente, vivemos nesse mundo do absurdo. Conseguiram transformar até mesmo a ética do “politicamente correto” em algo abominável, nocivo, repugnante.

    Pras gerações que vão até 80’s, 90’s, é um choque grande ver a sociedade funcionando assim, mas, ao meu ver, os que veem por aí já chegam com essa programação embutida e potencializada pelas redes de massa.

    Quem vê ou pelo menos se esforça para ver a realidade das coisas é espécie em extinção.

  • Odilon Rocha

    Devo ter nascido no planeta errado.
    É tragicômico! Esclarecendo que o trágico aqui é a mente imbecilóide dessa gente.

  • Aliomar Teixeira

    Fórmula Olavo de Carvalho para respoder essa petição: “Vão tomar nos seus cus !”

  • Alemoon

    Acho que tem gente desocupada demais nesse mundo. Eles não tem o que fazer, então arrumam um problema pra alguém. Imbecis, idiotas, decadentes e alienados. Daqui a pouco vão reclamar da gente colher uma laranja no pomar porque quebra o galhinho da plantinha. Ahhhh que raiva.

  • Blanca Rosa

    Não sabendo como o bichinho foi morto ninguém fica traumatizado comendo um churrasquinho, né? Se a dor do animal te deixa sem apetite, deixa de comer carne, Chato é ser hipócrita, FICAR TRAUMATIZADO, e depois ir garantir o seu churrasquinho de friboi! O que os olhos não veem SIM ACONTECE,DEIXEMOS DE SER HIPÓCRITAS!!!!

  • Rafael Akinaton Dantas

    Existe uma teoria que se esse pessoal do Politicamente Correto consegui-se finalmente convencer o pessoal a parar de comer carne o próximo alvo seria os vegetais. Ou seja Ana Maria braga teria que se explicar na delegacia porque cortou um tomate de forma cruel ou porque arrancou um pé de brócolis ao vivo de uma horta. Nunca acreditei naquele papo de NOW mas algo está acontecendo muito errado no mundo, isso está mesmo e com certeza alguém e alguns estão por trás disso.

    • Alonso Marinone

      Cara como v. é besta !!!

  • Sobre “ofensas”, o Eli Vieira cravou em cheio: “discurso de ódio” é como o conceito de “blasfêmia” está sobrevivendo em sociedades secularizadas.

    Na mosca! Isso deveria ser internalizado por qualquer amante da liberdade.

  • Diego Borges

    Meu primeiro pensamento foi: quero mais é que se lasque! É casado com a esquerdista caviar da Fernanda Lima (que ficou feia depois que revelou suas verdadeiras cores) e deve ser um desses progressistinhas também. Mas, pensando bem, não podemos endossar a escória SJW seja a vítima qual for.

  • “…é o tipo de notícia na qual os Social Justice Warriors (SJW) não podem pensar por muito tempo ou tentar extrair um princípio, ou terão de escolher entre feministas e vegans, e sua noção de justiça é apenas a de que ambos estão sempre certos.”
    Para esses casos há uma “escala de preferência” entre os grupos e as feminazis costumam ocupar o último lugar. A “escala” varia de acordo com cada país, mas no Brasil é: movimento racista negro > movimento gayzista > feminazis.

    • Ilbirs

      Vamos sofisticar essa coisa, pois faltou somar as resultantes: se um africanista (usando este termo para diferenciar claramente de quem tem ascendência subsaariana e não faz de sua cor uma militância) for homossexual, ele sobe um degrau em comparação ao africanista heterossexual e irá fazer militância dizendo que gays negros sofrem mais que heterossexuais negros e por isso estes últimos têm de ficar quietinhos e só ouvindo mesmo que o africanista e militante gay esteja falando coisas que outros africanistas homossexuais diriam ser sandices. Se for uma afrofeminista lésbica, esta tem mais “lugar de fala” que o homem africanista homossexual, pois a afrofeminista lésbica soma três resultantes em si contra as duas do outro caso.

  • WillMDias

    Então passamos agora, a comer “churrasco” de carne crua.
    Deve ser uma delícia.

    Vou experimentar.

    O melhor é fingir e imaginar, que os cortes de carnes, são feitos de forma milagrosa.
    Talvez plantados.

  • Fábio Peres

    Ânsia de vômito em 3, 2, 1…

  • Camila

    Uau!! Que texto, todos tinham que ler para ver se a gente consegue sair um pouco de tanta loucura!!

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