Na faculdade não se aprende ciência, não se faz leitura crítica, não se descobre a verdade. O que se faz é repetir o que diz o professor. Ouça em nosso podcast.

Guten Morgen, Brasilien! Neste podcast nós estamos certos – se você discorda da gente, você está errado. Após mais algumas semanas de ostentação de diplomas e discussões de Facebook e Twitter baseadas em discussões acadêmicas método científico (não há sic‘s no mundo para tal), resolvemos neste episódio de nosso podcast dar uma dica aos universitários que logo estarão no Show do Milhão: Não deixe a faculdade atrapalhar seus estudos.

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Há uma equação que não fecha aí. Faculdade no Brasil está sempre nos últimos lugares nos rankings de averiguação de nota. Não há simplesmente um único grande acadêmico numa faculade brasileira na área de Humanas com destaque global por suas grandes contribuições à Filosofia, à História, às Relações Internacionais, ou mesmo em áreas de “método científico” rigorosamente discutível, como Sociologia, Crítica Literária ou Psicologia, ramos que cuidam muito mais do imaginário coletivo do que de algum teste de realidade do que o acadêmico quer propagandear. Falando nisso, alguém aí citou jornalismo?

Por que esta glorificação do diploma, justamente nas áreas em que não há teste para se falar a verdade? É óbvio que um engenheiro, médico, advogado ou físico precisa da avaliação dos seus pares (só eles entenderão do que ele está falando) para seu trabalho, mas como um cientista político, sociólogo, historiador ou demais “especialistas” de Globo News, que pretendem dar aulas de comportamento, valores e partidos para o grande público, quer dizer que está certo por conta de um diploma? Aliás, alguém aí pensou em um jornalista numa faculdade brasileira?

Como bem disse Ben Shapiro, a faculdade se jacta uma instituição com “pensamento crítico”, mas é justamente onde não apenas não se estuda o outro lado: finge-se que ele nem sequer existe. E justamente estes se acham “cientistas”, acreditando que acharam a verdade porque seus professores a entregaram para ele mastigadinha.

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Assim se forma o cânone de autores permitidos na faculdade, e o universitário deslumbrado com o primeiro livro difícil que leu na vida, acha que acabou de descobrir a verdade única revelada e que todos aqueles que não acreditam piamente em Foucault, Hobsbawm e Marcuse são ignorantes que precisavam aprender o mesmo que seu professor. Que, obviamente, se é professor, não pode nunca estar errado.

Nunca o dizer de Frank Zappa esteve mais correto: se quer trepar, vá para a faculdade. Se quer aprender, vá para a biblioteca. E não foi também o Nobel de Literatura Hermann Hesse quem disse que na escola só aprendeu duas coisas: latim e mentiras [Latein und Lugen]? Com a diferença de que os universitários brasileiros não aprendem latim.

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E mais: método científico, autores não-canônicos, o funcionamento do TripAdvisor, Egito antigo, experimentos com aceleradores de partícula, socialismo, desenhos animados homossexuais, retórica medieval, Gulag, Kenny G, Sócrates, a velha discussão sobre o nazismo e podcasters querendo se jogar na privada e dar descarga neste episódio de nosso podcast.

A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto no estúdio Panela Produtora, com os agradecimentos ao nosso webmaster Gustavo Finger, da Agência PierGuten Morgen, Brasilien!

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