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Na faculdade não se aprende ciência, não se faz leitura crítica, não se descobre a verdade. O que se faz é repetir o que diz o professor. Ouça em nosso podcast.

Guten Morgen, Brasilien! Neste podcast nós estamos certos – se você discorda da gente, você está errado. Após mais algumas semanas de ostentação de diplomas e discussões de Facebook e Twitter baseadas em discussões acadêmicas método científico (não há sic‘s no mundo para tal), resolvemos neste episódio de nosso podcast dar uma dica aos universitários que logo estarão no Show do Milhão: Não deixe a faculdade atrapalhar seus estudos.

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Há uma equação que não fecha aí. Faculdade no Brasil está sempre nos últimos lugares nos rankings de averiguação de nota. Não há simplesmente um único grande acadêmico numa faculade brasileira na área de Humanas com destaque global por suas grandes contribuições à Filosofia, à História, às Relações Internacionais, ou mesmo em áreas de “método científico” rigorosamente discutível, como Sociologia, Crítica Literária ou Psicologia, ramos que cuidam muito mais do imaginário coletivo do que de algum teste de realidade do que o acadêmico quer propagandear. Falando nisso, alguém aí citou jornalismo?

Por que esta glorificação do diploma, justamente nas áreas em que não há teste para se falar a verdade? É óbvio que um engenheiro, médico, advogado ou físico precisa da avaliação dos seus pares (só eles entenderão do que ele está falando) para seu trabalho, mas como um cientista político, sociólogo, historiador ou demais “especialistas” de Globo News, que pretendem dar aulas de comportamento, valores e partidos para o grande público, quer dizer que está certo por conta de um diploma? Aliás, alguém aí pensou em um jornalista numa faculdade brasileira?

Como bem disse Ben Shapiro, a faculdade se jacta uma instituição com “pensamento crítico”, mas é justamente onde não apenas não se estuda o outro lado: finge-se que ele nem sequer existe. E justamente estes se acham “cientistas”, acreditando que acharam a verdade porque seus professores a entregaram para ele mastigadinha.

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Assim se forma o cânone de autores permitidos na faculdade, e o universitário deslumbrado com o primeiro livro difícil que leu na vida, acha que acabou de descobrir a verdade única revelada e que todos aqueles que não acreditam piamente em Foucault, Hobsbawm e Marcuse são ignorantes que precisavam aprender o mesmo que seu professor. Que, obviamente, se é professor, não pode nunca estar errado.

Nunca o dizer de Frank Zappa esteve mais correto: se quer trepar, vá para a faculdade. Se quer aprender, vá para a biblioteca. E não foi também o Nobel de Literatura Hermann Hesse quem disse que na escola só aprendeu duas coisas: latim e mentiras [Latein und Lugen]? Com a diferença de que os universitários brasileiros não aprendem latim.

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E mais: método científico, autores não-canônicos, o funcionamento do TripAdvisor, Egito antigo, experimentos com aceleradores de partícula, socialismo, desenhos animados homossexuais, retórica medieval, Gulag, Kenny G, Sócrates, a velha discussão sobre o nazismo e podcasters querendo se jogar na privada e dar descarga neste episódio de nosso podcast.

A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto no estúdio Panela Produtora, com os agradecimentos ao nosso webmaster Gustavo Finger, da Agência PierGuten Morgen, Brasilien!

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  • Lucas Rangel

    Eu ouvia muito o AntiCast, antes de toda essa onda política, hoje não chego nem perto. Parabéns pelo trabalho.

  • Marcel Bettanzo Brum

    Onde que clica para ouvir o podcasteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee?

  • Don Pedron

    Aí, patrão, a abstinência está latente, solta um pod ou um drop pra turma aí, carai…

  • Felipe Araujo

    Cade o proximo episodio, Morgen? To na fissura aqui ja, hahahahahahahaha

  • Igor, infelizmente este é um movimento mundial. Mas como precisamos de gente que agüenta a feiúra e o mau cheiro pra salvar as Humanas no Brasil e no mundo…

  • Alexsandro, é um dos primeiros links da Amazon logo aí em cima: http://amzn.to/2xyn1n3

  • Paulo Bruno De Sousa Linhares

    Que banda é essa na intro?….

  • Hahahah, caro Alex, muito obrigado por seu comentário! Chega a ser engraçado, apesar do cenário trágico que descreve. Fiz 2 anos de Psicologia, mas por desventuras do destino, acabei voltando pra Letras. Curiosamente, andei com saudade da Psico exatamente nesses dias.

    Não conheço muito Rogers. Diria que os americanos, sobretudo os que foram influenciados pela filosofia pragmatista, costumam ser muito humildes (reduzir seu campo de atuação apenas àquilo que podem averiguar, provar etc), ao mesmo tempo em que acabam ficando muito arrogantes com sua “ciência” para tratá-la como pura verdade.

    Não sei em qual dos dois se encaixa Rogers. Não o estudei quase nada(conheço muito mais as três grandes de Viena), e sei que sua psicoterapia é bem focada em resultado. Foi um dos grandes responsáveis pelo golpe final contra Freud na América (pragmática como é, nunca viu seus ilusionismos com bons olhos), além de Eysenck. Gosto de uma terapia mais “controlada”, sem muita viagem, mas de fato não conheço a metodologia de Rogers a fundo para saber como é.

    Apesar de ter me torando bem crítico a Heidegger, ainda gosto de sua Daseinanalyse, muito pouco estudada (o livro “Os seminários de Zollikon” é muito bom), além, claro, da logoterapia de Viktor Frankl.

    Muito obrigado pelo comentário!

    • Arte

      Eu que agradeço por me responder!! Estudei bastante Rogers e a constatação de que ele não é citado entre os defensores das ideias de liberdade me inquieta, pois ele foi a fundo no conceito de liberdade humana. Ele rompeu tanto com o dogma da autoridade, que o aprendizado da sua técnica difere muito das outras. Há necessidade de um treinamento específico para realizá-la, onde o projeto de terapêuta precisa estar muito atento às suas atitudes básicas. Os elementos práticos das técnicas são fáceis de entender, porém aplicá-las é outro capítulo… Ele foi o primeiro a estudar a fundo o conceito de Empatia e utilizá-lo como elemento fundamental no setting terapêutico. Isso foi pela década de 40 ou 50. Apenas hoje a Empatia está sendo estudada e reconhecida como em elemento fundamental nas relações humanas, nas demais vertentes. Reforçando a questão do pragmatismo, ele desenvolveu toda essa abordagem a partir da experimentação direta e não de exercícios de conceituações… Percebeu que tinha algo no jeito dele abordar os seus clientes ( não seguia a cartilha psicanalitica) que os ajudava de maneira mais efetiva. Passou a gravar as sessões em vídeo e estudá-las sistematicamente. A partir de então, criou uma teoria de como isso funcionava. Se tiveres tempo e paciência, dá uma lida nas obras dele, tenho certeza que irá te surpreender e enriquecer o teu, já enorme, acervo de conhecimento, enriquecendo, por tabela, o nosso também!! Abraço!!

  • Gabriel Coelho

    Opa Flávio, haverá algum podcast sobre a tensão política entre a Coreia do Norte, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos?
    Abraço

  • Luciano Dos Santos

    Fala ai @flaviomorgen:disqus eu sou o Luciano e vc n é
    cara eu ouço o podcast enquanto trabalho varrendo ruas, são 3 episódios por dia e sempre repito alguns para pegar as indicações de livros, seu trabalho tem me ajudado muito a ver que sou um ignorante que nem sabe raciocinar e escrever direito agora vou procurar tratar minha idiotice, principalmente a de ter como intelectuais Leandro Karnal, Mario Sergio cortela e o Cloves de barros
    seria o trivium um bom livro para começar?

    • Caro Luciano, poxa, que honra, fico muito feliz!

      Caso goste de trabalhar com linguagem e queira aprender o básico de como os grandes filósofos e escritores de todos os séculos tinham uma inteligência que hoje nunca conseguimos atingir, vai na fé, o Trivium é um excelente livro! Depois, siga na linha que mais preferir (filosofia, literatura…) e vá seguindo uma certa cronologia de temas (não só começar pelos antigos, mas analisar um tema e, aí, definir uma cronologia). Foi o que mais me ajudou!

  • Pedro Henrique Cipoli

    Pergunta séria: esse pessoal (não apenas do AntiCast) leem livros “da direita”? Sempre tive essa dúvida. Autores como Roger Scruton, Theodore Dalrymple ou Olavo de Carvalho? Para mim é um mistério se eles leram e não concordaram (e não dizem o motivo) ou se eles nem sequer leram. Algo como “não li, não vou ler e já discordo por princípio”.
    Questiono porque eu faço questão de ler livros “da esquerda”, como o “Por Que Gritamos Golpe? – Para Entender o Impeachment e A Crise Política No Brasil” e posso argumentar o motivo de 100% dele estar errado. Em especial os artigos da Marilena Chauí, Ciro Gomes e Guilherme Boulos. Será que a esquerda faz o mesmo?

    • Godofredo Guilherme de Leibniz

      Não apenas não leem: imaginam que não existem. O fato de o sujeito dar risada da afirmação “Stalin matou mais que Hitler”, algo óbvio e arquiprovado depois das pesquisas do prof. R.J. Rummel, mostra até que ponto vai a ignorância dessas pessoas sobre tudo o que esteja fora da redoma marxista/frankfurtiana/pós-modernista que eles chamam de realidade. E esses são os esquerdistas “intelectuais”. Nem falo nada dos que só consomem meme e hashtag pró-PT.

  • Pingback: O carreirismo tupiniquim - Giro de Opinião()

  • philip haag

    de quem é essa cover de Another Brick in the Wall, flavio?

    (os sortilégios tecnológicos funcionam mal com músicas ao vivo…)

    • philip, é do Korn. Não queria usar a original, mas até gostei dessa versão, apesar de não gostar do Korn.

      • Gabriel Oliveira

  • Ilbirs

    Se alguém tiver livre um tempo mais ou menos parecido com o da duração do podcast desta postagem, que ouça o Loryel Rocha falando do assim denominado bacharelismo que tanto prejudica o brasileiro e que acabou se tornando depois o pessoal que usa pós-graduação para ficar dando carteirada:

  • Le Zuero

    Só eles acreditam nisso e os intelectuais que apenas leem memes no facebook.

  • Layse R

    quais sao os autores conservadores que tu citas? trivel, Eric F, Rene Gerra…? me ajuda PLS

    • Eric Voegelin, René Girard. No primeiro caso, acho que fala do estudo do Trivium, o método medieval de ensino. De toda forma, boa parte está citada aí em cima, nos livros indicados na Amazon. 🙂

      • Layse R

        puts,o adblocker tava ligado. Espero que tenha na biblioteca da faculdade.

  • Leandro Laia

    Sua família sabe que vc anda escutando Anticast de novo, Flávio? hahahahaha

    • Eu só me torturo escondido no carro, igual emo se furando no banheiro.

      • matheuscello

        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Marcelo Cardoso

    Morg, mais uma vez parabens pelo podcast. Desmascarar esses acéfalos que se dizem professores é importantissimo para criar um verdadeiro senso critico, que na minha opinião é: ter conhecimento do assunto, saber expô-lo e oferecer o contraponto. Continue firme!
    Voce e o prof Olavo têm feito minha estante ficar pequena com tantos livros indicados.

    Deus abençoe voces e vida longa ao Senso Incomum!

  • Roberto

    Qual é o livro que o Flavio recomenda neste podcast? É ” O Trivium”?
    Bem que o site poderia ter uma relação de livros sugeridos ou recomendados.

    • Roberto, sim! Mas já temos isso, inclusive citamos o Trivium. É só rolar pra baixo, fica entre os comentários e o áudio. Aliás, todo texto tem recomendação de livro, e comprando por estes links da Amazon, você ainda ajuda o site. 😉

      • Roberto

        Que vacilo meu, Valeu Flavio!

  • Marcus Rezende

    Alguém cria a “católicofobia” por favor! Vei, eu falo que sou católico e o povo me olha feio!

  • Ilbirs

    Mais uma prova de que a faculdade está atrapalhando os estudos é mostrada por Paula Marisa:

    O texto mostrando tal absurdo é este e estão agora vemos organizações de matémáticos americanas dizendo que a matéria que em tese eles lidam (mas que acho na prática ser outra com foice e martelo) estaria excluindo pessoas que não sejam brancas, ocidentais, cristãs e do sexo masculino.
    O problema para eles é que tal afirmação só se sustenta mesmo se o povo nãofor pesquisar e tomar essa afirmação deles como verdade absoluta. Caso tomem como verdade absoluta, terão de ignorar que Srinivasa Ramanujan, indiano autodidata que conseguiu estudar em Cambridge, existiu e que ele está para a matemática como Einstein está para a física:

    https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c1/Srinivasa_Ramanujan_-_OPC_-_1.jpg/200px-Srinivasa_Ramanujan_-_OPC_-_1.jpg

    Terão de ignorar que Danica McKellar (sim, a Winnie Cooper de Anos Incríveis) é uma das autoras do que é conhecido por Teorema de Chayes-McKellar-Winn, além de escritora de livros sobre o assunto que vendem bem nos Estados Unidos:

    http://www.danicamckellar.com/gallery/images/chinesedress.jpg

    Se procurar então por mais mulheres na matemática, e usei só a Danica como um exemplo bem visível, iremos ver uma série delas e, ao que consta, bastante respeitadas. Matemáticos com ancestralidade africana? Também temos exemplos, como poderão ver aqui. Portanto, estamos diante de uma ciência aberta a qualquer um que a conhecer, havendo naturalmente pessoas que a conhecem bem mais do que a média.

  • Dani F.W. Murnau

    Honestamente, me formei em Filosofia em 2010 pela PUC e tive total liberdade para seguir a linha de estudo que eu quisesse. Meu TCC foi sobre David Hume e meu PIBIC era sobre Gottlob Frege.E principalmente, fui orientada a ir além da sala aula.A única colega q soube ter sido orientada a mudar sua linha de estudo era uma feminista, leitora de Simone de Beauvoir e fã do Manisfesto 343. Ficou revoltada, fez PROVAR e se transferiu para uma Federal.

  • Filipi

    Flávio, qual a fonte da informação sobre Pitágoras e Elias? Gostaria muito de sabê-lo. Já tinha lido sobre Pitágoras ser contemporâneo do profeta Daniel e sobre a possibilidade de ambos terem “se esbarrado” (http://www.cristianismo.org.br/fhe-03.htm), mas essa hipótese nunca vi levantada, parece-me que há alguns séculos de distância entre a vida de ambos.

    Obrigado.

    • matheuscello

      Também me interesso!

      • Filipi, infelizmente essa não é revelável, mas digamos que seu link aponta para onde eu a obtive. 😉

  • Felipe Rolim

    Porra Morgen…colocar esses caras pra eu ouvir na hora do almoço, matou meu apetite…que seres repugnantes…tô tentando encontrar motivo pra tudo que eu ouvi deles e sinceramente (sendo bem compreensivo) não consegui achar…bando de Zé ruela…graças a Deus nunca procurei merda nenhuma desses vermes.
    Mas o podcast tá sensacional e transmite exatamente o que eu senti quando comecei a fazer um curso de história, pois já era cristão e tinha começado a me enraizar no conservadorismo (porque claro, eu fui mongoloide e acreditava “somente” na esquerda) e tive contato com 2 semestres do curso e já vi toda a “tendência” pra esse único lado, daí conheci o Olavo,Pe.Paulo Ricardo entre tantos outros e consegui me salvar.
    O teu podcast tá expandindo ainda mais essa busca por profundidade.
    Já te pedi antes e peço novamente, gostaria de começar a ler o Eric Voegelin, mas não sei por qual livro começar…ajuda aí!?
    Abraços e sucesso.

    • Felipe, muito obrigado! Mas ou passamos mal com esses caras, ou esses caras ganharão, enquanto ficamos em nossa bolha de sabedoria flutuando sobre os ignorantes.

      Se você é formado em História, recomendo o História das Idéias Políticas ou Hitler e os Alemães, foi por onde comecei. Mas vou ser honesto: tudo do Voegelin é um pouco difícil, mas não impossível que não seja auto-explicável lendo devagar. Pegue algo falando sobre ele e entenderá sua filosofia, aí é só ler os livros como uma análise gigantesca de dados para restaurar a ordem. Fora que História, como já deve ter notado, é um dos, senão o tema preferido dele. Valeu!

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      • Felipe Rolim

        Valeu Flavio, obrigado pela dica, mas graças a Deus, fugi do curso…rs…era muita doutrinação e pouca qualidade de informação, preferi procurar conhecimento por mim mesmo…na primeira prova já mandaram uma questão com a famosa Simone de Beauvoir, daí desisti…rs…
        Continue essa luta, hoje se consegui fugir desses canalhas são por causa de pessoas como vocês.
        Abraços.

  • biancavani

    Um único podcast do Flavio ensina mais que quatro anos de graduação de qualquer faculdade da FFLCH.
    Uma das origens dessa desgraça que se abateu na Academia – talvez A origem – foi aquilo que Paulo Arantes pôs como título de um de seus livros, Um departamento francês de ultramar. Em seus primórdios, a Faculdade de Filosofia da Usp trouxe uma equipe de professores franceses (que tinham a cabeça totalmente transtornada pelos movimentos de 68, marx e demais bagaças esquerdistas) a partir da qual se envenenou a Usp, propagando-se para os quatro cantos do país.
    Marilena Chaui simboliza exemplarmente o resultado do trabalho desses “pais fundadores”. O espetáculo grotesco dado por ela, aos berros, “Eu odeio a classe média” é o mais conhecido. Há, porém, um caso anterior, em que Merchior expõe o plágio de Marilena Chaui(de trechos inteiros mesmo, aquilo que hoje chamamos puro Ctrl C) de obra de Claude Lefort (um daqueles professores franceses na Usp, do qual Marilena foi aluna e, dizem, um “caso”). Ela se defendeu, alegando ter sido, ooops, “filiação de pensamento”. A intelectualidade esquerdalha em peso foi em defesa da plagiadora, e como anticorpos, atacou Merchior, este, sim, um intelectual honesto e de valor.

  • Ilbirs

    Pensamentos que vieram durante a audição do podcast:

    1) Olha que a comparação do Morgenstern com o Renato Russo pode ter sim seus pontos de contato:

    2) Essa parte das definições móveis para algo que se mantém mais ou menos constante correlaciona-se muito com o que Nando Moura (bem como outros) falaram a respeito de se prestar atenção à substância da coisa em vez de a definição da dita cuja:

    Aqui é interessante e se articula com aqueles “cientistas” do podcast que querem negar que Stalin escravizou um povo. Estão indo mais mesmo com a história de acreditar naquilo que é dito em vez de prestarem atenção ao resultado prático da coisa. Assim, conseguem transformar escravidão em “trabalho voluntário” e sequer notam que a analogia feita por eles na realidade só soa como um psicopata querendo mentir para os outros. Talvez, e aí bem talvez mesmo, sejam do tipo histérico e a risadinha ao falar do maior número de mortes atribuíveis a Stalin em comparação às de Hitler serem reflexo extremo da histeria a que chegaram. Se essas pessoas saírem da esquerda, irão acabar passando um belo tempo sentindo-se péssimas por terem finalmente notado os monstros que se tornaram ao defender certas coisas;

    3) Sobre os sofistas, achei interessante essa parte de “na hora em que essa palavra pega bem eu uso ela a meu favor. Na hora em que pega mal, uso contra mim”. Isso é uma explicação bem prática da inversão revolucionária em ação e, portanto, revolucionários podem ser considerados como sofistas modernos.
    Podemos aqui pegar um exemplo simples: a palavra “negro”. Originalmente o esquerdista a utilizava como a soma das categorias “preto” e “pardo” do IBGE, gerando aí a tal fraude estatística de que aqui seria o país com maior número de pessoas de ancestralidade subsaariana, quando na realidade é a Nigéria com seus mais de 135 milhões de habitantes. Como dito antes, a fraude estatística está em incluir a categoria “pardo”, que quer dizer “mestiço”, sendo portanto uma categoria que também inclui mestiços sem ancestralidade do outro lado do Atlântico Sul (mestiços de branco e índio, branco e oriental e oriental e índio, por exemplo).
    Também houve o caso em que se lembrou que no passado o termo “negro” era usado correntemente para designar escravo, com os índios escravizados sendo chamados de “negros da terra”, aqui com direito a vídeo de Nabby Clifford, ganês aqui radicado há um bom tempo, falando que não tem problema de ser chamado de “preto”:

    Portanto, eis que agora vemos casos como o da Frente Alternativa Preta, que mencionei aqui. Observe que estão usando o mesmo termo “preto” que Nabby Clifford usa sem qualquer problema e meio que não estão abordando tanto assim a tal fraude estatística anteriormente mencionada;

    4) Sobre “petistas muito mais legais do que vocês que concordam comigo”, aqui é algo a também se refletir, pois vejo muita gente conservadora ou liberal clássica querendo agir de uma maneira estereotípica e pensando que esse estereótipo torná-los-ia mais conservadores e/ou liberais clássicos do que outros, quando na realidade só estão reforçando uma barreira a quem porventura notou que nada tem a ver com a esquerda mas que por um acaso podem já ter sido escrachados pelos que preferem seguir o estereótipo em vez de processarem as ideias em questão a seu modo.
    Vejo isso nessa gente jovem usando roupa de velho porque supostamente estaria dentro dos ideais de beleza clássica, gente fumando e achando ruim que se aponte os óbvios males do tabaco, gente histriônica que não consegue debater com quem os aborda pacificamente e que logo parte para uma agressividade digna não de um humano mas de um babuíno, isso para não falar daqueles que chamo de “caricatólicos’, que nem de longe correspondem ao católico comum brasileiro e acabam fazendo mais mesmo cosplay de Opus Dei, com perdão da rima involuntária.

    Claro que a reflexão também vale quando pensamos no que se tornou a esquerda brasileira. Pode ser alguma habilidade que tenho, mas já consegui fazer petista concordar comigo usando as palavras e a entonação certa das palavras. Inclusive estes me falaram de o quão desconfortáveis se sentiam com o João Paulo Cunha antes mesmo de este ter sido denunciado no Mensalão, aqui falando de atitudes desse parlamentar que os próprios consideravam no mínimo suspeitas. Se bem que esses eram esquerdistas que não aprenderam segundo o método Paulo Freire e acabam tendo algum pé fora da negação da estrutura da realidade. Às vezes podem acabar tendo aquelas reações babuinescas que conhecemos, mas tendem a ser mais raras justamente porque há nessas pessoas uma capacidade de inferência pelo contexto.
    Já no caso daqueles que foram socioconstruídos, anda-se em campo minado principalmente por se estar naquela situação em que qualquer coisa que você diz amistosamente pode ter como resposta algo que contenha palavras como “heteronormatividade”, “objetificação”, “lugar de fala”, “empoderamento” e todo um rosário do qual inclusive é difícil se livrar, tão encadeado de uma maneira parecida com a de um operador de telemarketing do qual você está querendo se livrar. Desses aí só tenho mesmo esperança naqueles que por um acaso sejam vítimas de um ataque em bando oriundo das próprias fileiras de que fazem parte, transformando-se aí em antiesquerdistas muito pelo trauma sofrido. Talvez seja mais fácil um socioconstruído desesquerdar por trauma do que um esquerdista educado por método pedagógico que presta fazer esse caminho, pois no último caso não se está tão propenso a atingir o extremo da histeria que vemos atingirem os socioconstruídos;

    5) Sobre a pós-graduação sendo usada como indutora de espiral do silêncio, digo que a coisa vai para além da simples política e seja uma evolução do bacharelismo que já existia anteriormente, mas que perdeu o impacto após muita gente ter chegado ao primeiro nível da educação universitária. Já vi gente muito mentalmente desequilibrada para fazer pós, mas que estava fazendo, usar isso como forma de querer desqualificar quem fez pergunta inocente sobre a rotina e o dia a dia daquela pessoa. Sim, estamos vendo não só esquerdistas (doentes mentais segundo Lyle Rossiter) como também doentes mentais (aqui no sentido mais usual do termo) usando do ensino que vem depois do bacharelado ou da licenciatura como forma de querer bancar o psicótico para cima dos outros. Aliás, seria interessante mostrar como muitos brasileiros do Brasil mais cosmopolita estão se tornando verdadeiros psicóticos em seu agir diário e sem que isso seja refreado. Quando se vai para o Brasil mais distante de molonizações, randolfismos, marinices e pessoleamentos, quem todo dia tem de lidar com quem se psicotiza ao ouvir uma simples palavra ou uma frase qualquer que gera a reação pavloviana acentuada em esquerdistas socioconstruídos acaba se surpreendendo de ver que lida com gente que age de uma forma mais normal e esperada para um indivíduo da espécie Homo sapiens;

    6) Sobre “consenso científico”, temos visto muito dessa espiral de silêncio disfarçada em relação à climatologia. Já vi esquerdista dizendo que o aquecimento global é porque é e está acontecendo e quem achar diferente seria negacionista e, por conseguinte, racista-machista-fascista-homofóbico;

    7) Sobre o método agostiniano-tomista, isso é pra lá de interessante justamente por jogar o argumento na cova dos leões e valorizar quando ele sobrevive. Volto aqui a falar da esquerda socioconstruída, pois esses vêm tomando como verdade absoluta diversas teses e aqui podendo acontecer de ter gente que não nota ser esquerdista mas referenda todas as teses dela como se fossem incontestes, como pudemos ver nesta postagem deste blog;

    8) Sobre a doxa homogênea, é o que vemos dentro da “diversidade” e da “pluralidade” marxistas: pessoas com fenótipos diferentes mas que falam exatamente a mesma coisa achando que estão falando muitas coisas diferentes, sendo que na realidade foram minoritarizadas pela mecânica marxista cultural, reduzidas a essa única característica que as torna minorias segundo a visão que veio de Gramsci em diante e acabam não notando que a soma dessas muitas minorias acaba sendo um exército gigantesco para ir contra o Ocidente sem notarem que na prática estão recebendo comando unificado;

    9) Sobre doutorados e mestrados, valeria a pena perguntar se não estamos enfrentando neles uma onda equivalente ao “juridiquês” no fazer relacionado aos tribunais. Se o “juridiquês” é dispensável, talvez o “academês” possa seguir o mesmo caminho;

    10) Sobre encantar-se com palavras, creio eu que seja efeito acentuado do socioconstrutivismo. Quantas vezes vemos pessoas parando no meio sem saber o que significa uma palavra mesmo que ela tenha elementos em sua construção, como sufixos, prefixos e radicais, que permitem saber o que ela significa. Aqui também dá para fazer uma ponte com Pavlov e pensar mais ou menos como cães que são adestrado a fazer certas coisas após ouvirem palavras.

  • W. W. Barros

    Lembro dos tempos de Federal (Ciências da Computação), onde na disciplina de Sociologia fomos obrigados a ler o Manifesto Comunista. Nunca foi mencionado nenhum autor que fizesse contraposição a Marx. Por sorte eu já não tinha muita simpatia por ideias de esquerda (tinha 19 anos, em 1999) e na época estava lendo 1984. Tendo como base a leitura de Orwell eu pude responder as provas do professor sociólogo de esquerda, escrevendo aquilo que ele queria ler. Passei com média 9.0!

  • Douglas Martineli
    • Pobretano

      Contra os Acadêmicos no Senso Incomum!

  • Ailton Ferreira

    Meu chute pro Professor Universitário que dá aula de Storytelling = Ivan Mizanzuki do Anticast.

  • faltou lembrar o comentarista da Ana Maria Braga.

  • Henrique Contreras

    Morg, faça um podcast sobre Putin conservador, nacional bolchevismo e eurasianismo, imagino que daqui alguns anos vão dizer que esse bloco é de direita.

  • Marcelo Gabriel Delfino

    Aproveitando que o tema está em voga, me indicaram os livros do Richard J. Evans sobre nazismo. Disseram que ele é a maior autoridade sobre o tema. Não o conheço e como vc já estuda essa questão há tempos, gostaria de saber se vale a pena lê-los. Mais uma vez, ótimo podcast. Eu sou formado em ciências sociais pela PUC e quando sai de lá me dizia foucaultiano. Todos os cursos acabavam com o pensamento dele, como se fosse o auge de tudo que a humanidade pôde pensar. Não tenho como agradecer o dia que ouvi Olavo de Carvalho e decidi comprar um livro de Eric Voegelin. Hoje me considero curado da faculdade, mas lamento a ausência de alguns autores em nosso país, como Mark Lilla ou Michael Oakeshott.

    • Raphael Oliveira

      Realmente, sempre fiquei curioso a cerca do Richard J. Evan. Aproveitando o comentário do amigo, o Richard pode ser uma boa introdução ao Nazismo, Flávio?

      • Raphael e Marcelo, podem mergulhar sem medo! Não li Evans com afinco, mas é um dos autores que evitam o pior erro na análise histórica de totalitarismos: concentrar todos os esforços na maldade de Hitler, sem entender que o nazismo é incrivelmente maior do que ele. Hitler, afinal, era quase uma marionete, quem realmente mandava não era ele, e nem foi ele quem inventou tudo. Não se esqueçam de usar os links da Amazon aí em cima – basta clicar em qualquer um e depois procurar o que quiserem lá dentro. Também recomendo muito Joachim Fest a respeito.

        • Vandonys

          Flávio, ganhei uma biografia de Hitler escrita por Joachim fest, devo ler ou devo deixar guardada

  • clluiz

    Alguém pode citar o nome e o podcast dos cretinos dos áudios?

    • Fagundes

      Eu também gostaria de saber.

    • Wesley Souza

      Deve ser Anticast

    • Junior Silva

      Se eu não me engano é o anticast. Nao sei qual é o episódio. Não consigo escutar essa porcaria.

      • Fagundes

        301 e é horrível.

    • Enrico

      Para que? Dar audiência para pessoas que obviamente não conhecem o assunto?

      • clluiz

        Não é pra dar audiência. É pra saber com que tipo de psicopatas estamo lidando.

    • João Gabriel Goergen

      Anticast.

    • WistonS

      Deve ser o mesmo que lançou um podcast especial sobre Olavo de Carvalho. Sem nenhum argumento definindo-o como motivo de chacota. Totalmente ignorante sobre qualquer produção do Olavo. Creio que muitos dos seus ouvintes ficaram sabendo ali que Olavo existia. Provavelmente os que tinham mais que 2 neurônios e que quiseram pelo menos saber do que Olavo falava, antes de sair defecando como o host, passaram a ouvir aquele podcast como humor. No meu caso, já sabia da existência de Olavo, mas até ali ainda achava que alguma coisa dita por este podcaster pudesse fazer sentido, ali entendi que era apenas um adolescente apaixonado pela revolução, sem nem saber o que isso significa.

    • pedroka souza

      É o Anticast. Não é sempre que é ruim assim. O host é designer, então alguns temas enveredando por esse assunto podem até valer a pena.
      Quando falam de política nem faço questão de baixar o episódio. É muita forçação de barra.

  • Danilo Pedrosa

    A cada podcast uma aula. Parabéns pelo conteúdo Flávio!

  • Gislaine Américo

    Ouvindo o seu Podcast, e relembrando os meus anos de estudos no antigo colegial e o a minha faculdade no ano passado, percebo quanta coisa me faltaram ou foram convenientemente suprimidas, quanto atraso intelectual, só não foi pior, só não me transformei em uma defensora esquerdista da imbecilidade, por ser sempre muito questionadora. Agora com acesso a tantas informações, e conhecimentos corro atrás do tempo perdido, estou ciente que estou muito atrasada, a minha busca por saber mais se choca com as necessidades e urgências das tarefas diárias de trabalho, mas fico feliz por não ter sido idiotizada.

  • Ilbirs

    Em tempos, eis a nova gugachacrada do dia, que na prática pode ser resumida da seguinte forma: ele está querendo dizer com um verniz erudito aquela piadinha que em São Paulo se faria dizendo que de Guarulhos para cima é tudo Bahia, querendo acusar o Trump de que ele estaria dizendo que do Rio Bravo para baixo é tudo México e que latino-americano seria visto como sinônimo de criminoso nos Estados Unidos.
    Claro que o Guga Chacrinha (uma vez que ele não está para explicar mas para confundir e sem ser incentivador importante de muitos astros da música brasileira como foi o Velho Guerreiro) não vai nos dizer que o atual presidente americano está falando da porosidade da fronteira americana em relação aos cartéis de drogas mexicanos, bem como em relação aos “coiotes” que usam a ampla extensão de fronteira seca para passar imigrantes ilegais.

    Como bom esquerdista que ele é mas não assume, também quer pôr em dúvida o fato de que o Brasil seria uma nação ocidental, quando o que vemos os esquerdistas quererem fazer aqui é minar os pilares claramente formados pela cultura judaico-cristã, a filosofia grega e a lei romana que também temos aqui. Observe que ele quer insinuar que Ocidente seria apenas Europa Ocidental e países com fundo anglo-saxão como Estados Unidos, Canadá (aqui com o acréscimo francófono de Québec), Nova Zelândia e Austrália, como se o resto das Américas não tivesse o mesmo tripé básico como orientador da formação dessas nações, ainda que países como Cuba e Venezuela tenham se distanciado um belo tanto disso por serem comunistas.
    Ele também quer falar que iranianos seriam vistos como terroristas sendo que nenhum iraniano cometeu atentado terrorista, o que aqui obviamente esconde o fato de o Irã estar por trás de um grupo como o Hezbollah. Ele fala do novo CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, ser iraniano, obviamente se esquecendo de que ele é alguém legalizado dentro dos Estados Unidos desde os nove anos de idade e que foi para lá com seus pais fugido da Revolução Iraniana, significando que passou mais tempo nos Estados Unidos do que em sua terra natal. Claro que Chacrinha sabe que o pessoal iria pesquisar a respeito do cara em questão e alguns veriam que o mesmo é “trumpofóbico”, aqui seguindo aquela média normal de pessoas do Vale do Silício. Neste caso, a explicação de Alexandre Borges desgugachacriza a coisa toda. Vamos dizer que “chacrear” pode ser um verbo neologístico que possui analogias com “sakamotear”.

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